O Domingo de Ramos e a Umbanda

A Quaresma na Umbanda é tratada diferentemente em cada terreiro, haja vista a diversidade de cultos. Alguns trabalham somente com os Exus, outros não trabalham com esta Entidade, outros nem sequer abrem trabalhos e outros, com influência maior do catolicismo, festejam a data.

No nosso entendimento, ao menos pelo respeito com as religiões que preservam e comemoram esse dia considerado especial, devemos nos guardar e guardar o dia considerado santo. Sem exageros, para mais ou para menos, pois não adianta se impor uma série de preceitos e abstinências se não temos a consciência e a atitude empática com os nossos irmão e irmãs de jornada terrena. Lembrar a lição de Jesus: “Ama o próximo como a ti mesmo”.

A Umbanda é uma religião cristã, isso foi definido desde a sua anunciação pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, textualizado em suas palavras, amplamente conhecidas de todos os Umbandistas:

“Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo.”

Essa história é aceita majoritariamente pelos Umbandistas, e assim, existe sim a possibilidade de celebrar o Domingo de Ramos. A palmeira é considerada a árvore sagrada da vida. Algumas religiões designam uma determinada árvore para simbolizar a transformação de todas as coisas.

Além disso, se atentarmos para o simbolismo dos ramos, podermos ver várias menções de ramos e folhas de palmeira nos rituais da Umbanda.

Entre as ervas consagradas a Oxalá, […] folhas e ramos de palmeiras;

Em lendas da mitologia africana, […] Ogum banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeiras desfiadas pegou suas armas e partiu;

Em pontos cantados, […] Eles vem trabalhar na lei de umbanda , Tem licença de Aruanda, pra salvar a quem tem fé. O sabiá canta alegre na palmeira…;

Nas oferendas, por exemplo, […] uma roupa de Obaluaiê (Na Umbanda, feita com palha de “mariô-mariwô” (palmeira do dendezeiro);

Em assentamentos, […] “mariô ou mariwô”, folha do dendezeiro, nome científico “Elaeis guineensis”, mariô é consagrado a Ogum, assim, é muito comum vê-lo nos assentamentos e nas vestes deste Orixá.

Assim, se continuarmos as pesquisas, acredito que encontraremos as mais diversas menções as palmeiras, seus ramos, frutos e folhas.

O principal argumento contra a celebração do Domingo de Ramos na Umbanda é baseado em doutrinas Umbandistas que explicam  a Quaresma como um período esotericamente perigoso.

Isso porque é dada a liberdade a todos espíritos trevosos nestes quarenta dias. Assim, eles estariam livres e a possibilidade de fazerem mal aos encarnados se potencializa. Os Exus, guardiões do planeta, estariam ocupados na crosta terrestre onde cuidam do equilíbrio universal do planeta, e,  assim ficam impossibilitados de aplicar a lei de Deus nesses espíritos trevosos.

Sobre o Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos é uma festa cristã que marca o início da Semana Santa, celebrado no domingo anterior ao da Páscoa. A festa se referencia na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, para a celebração da Páscoa Judaica. As escrituras narram que Jesus foi aclamado pelo povo, sendo recebido aos gritos e louvores, e a agitação de ramos de oliveiras e palmeiras. Os ramos significam a vitória: “Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas…

Observação: hosana nas alturas é um termo proveniente tanto do latim, como do hebraico, e significa “Salva-nos, te imploramos”, ou “te imploro”. Hosana nas alturas é uma oração a Deus, e significa: “Salva-nos agora, ó Tu que habitas nas maiores alturas”.

Esse evento da vida de Jesus é mencionado nos quatro evangelhos canônicos (Marcos, Mateus, Lucas e João).

Que Oxalá nos abençoe sempre! Axé!

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