Carta Magna da Umbanda

logo da carta magna da umbanda

A Carta Magna da Umbanda a cada dia vem sendo mais conhecida e reconhecida, tendo sido realizado o seu lançamento em vários eventos e solenidades por todo o Brasil e até no exterior.

Compreendendo que existe a necessidade grave e premente de caracterizar a Umbanda, de modo a evitar que em seu nome sejam erigidas verdadeiras arapucas, onde são realizados os mais diversos trabalhos que atentam contra os valores morais, éticos e até legais, e para isso são cobrados valores significativos que beiram a extorsão.

Dessa forma, em 2012 convidamos o Pai Ortiz Belo para vir a Curitiba explicar o projeto, naquela época em fase inicial e realizamos um Seminário, onde se discutiu o tema.

Naquela oportunidade houve alguma controvérsia, o que grosso modo prejudicou a continuidade das discussões propostas em conformidade com o calendário aprovado pelos Umbandistas presentes naquela oportunidade.

Passados cinco anos, a Carta Magna da Umbanda é uma realidade, tendo sido aprovada e mais do que isso, reconhecida, por uma parcela significativa dos Umbandistas brasileiros.

A rigor, a Carta Magna da Umbanda é um documento que legitima a Umbanda como religião, apresentando os princípios éticos que são seguidos e praticados nos terreiros de Umbanda.

Não é uma codificação, o que é rechaçado por todos, pois codificar parece ter um sentido limitante, que poderia prejudicar a grande riqueza que temos, que é a diversidade.

“Assim, acreditamos que precisamos conhecer e discutir o texto final; com esse intuito, a FUEP tem a obrigação de propiciar esse conhecimento. A FUEP enquanto entidade mantém neutralidade com relação a Carta Magna da Umbanda, embora os seus dirigentes, enquanto Médiuns Umbandistas, possam posicionar-se. Após esse conhecimento, caberá a cada Terreiro, Dirigente e suas respectivas correntes mediúnicas e somente a eles, deliberar sobre o seu conteúdo e aplicação ou não nos Terreiros”.

A partir do Iº Centenário, a Umbanda se consolidou como religião e apresenta um crescimento tanto nos grandes centros, quanto no interior do estado, o que nos coloca o desafio de crescer com qualidade, quebrando o desconhecimento que gera discriminação e preconceito da sociedade que nos chama de macumbeiros, porque no senso comum fazemos “macumbas”, o que, ainda no senso comum, se assemelha a alguma espécie de “feitiçaria”.

Portanto, a Carta Magna da Umbanda é um documento que surgiu a partir de um movimento nacional dos Umbandistas na busca do reconhecimento e da legitimação, propondo a unidade, a partir das práticas comuns, que já são adotadas nos terreiros, aglutinadas na forma de um livro, que centraliza essas práticas em benefício da Umbanda e dos seus fiéis e simpatizantes.

APRESENTAÇÃO

DOCUMENTO OFICIAL PARA A RELIGIÃO DA UMBANDA

CARTA MAGNA INTERNACIONAL DA UMBANDA

Como Povos Tradicionais e Povos de Terreiro, a Umbanda religião brasileira com características sócio/ culturais próprios, com liturgia apoiada nas modalidades, ou vertentes existentes.

A Umbanda hoje se encontra em vários Países do Mundo, levan­do as interpretações e entendimentos como fonte de evolução do ser humano, atundo com a mesma linha igualitária em relação às demais denominações culturais e religiosas existente em todos os Países.

Fundamentada através da diversidade espiritual e cultural, obser­vamos características dos Povos indígenas (nativos da terra) e afri­canos, tendo ainda relevante colaboração de conceito espiritualista cristão e do espiritismo Europeu.

Tendo em vista a história do Brasil podemos interpretar a própria história da religião de Umbanda através de sua miscigenação e plu­ralidade de culturas.

Entendemos que foi instituída pelo Caboclo das Sete Encruzilha­das, através da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, em 15 de novembro de 1908, em Neves/Niterói, no Brasil; anunciando o ter­mo; “UMBANDA”, como designativo de religião. A palavra UMBANDA em sua origem existe duas explicações que contemplamos aqui:

1º – Que foi anunciado pela primeira vez pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.

2º – Que tem origem africana n’bundo e quimbundo, onde trouxe­ram com eles a Nbanda, palavra que se tornou Umbanda.

Ainda existem vários relatos que não podemos deixar de regis­trar, que existiam as manifestações dos guias, de nativos da terra, espírito de ancestrais africanos, entre outros que traziam alívio aos necessitados, antes mesmo da anunciação do Caboclo das Sete En­cruzilhadas. Acredita-se que preparando o que seria o início de uma nova religião.

A UMBANDA reconhece as derivações oriundas de seu cruza­mento com outras religiões, ocasionadas pela diversidade religiosa no Brasil, agregando e adaptando práticas delas, se posicionan­do totalmente contra qualquer forma de intolerância e discriminação religiosa.

A Religião de Umbanda respeita todas as religiões e busca o Es­tado Laico existente no Brasil, não discriminando nenhum tipo de ma­nifestação religiosa que vise o respeito e a evolução do ser humano. Assegurando que tem de existir um posicionamento único em relação à própria religião e suas percepções sobre as diversas questões so­ciais, jurídicas, culturais, filosóficas e humanas.

Considerando que alguns que não comungam desta FÉ, acabam por interpretá-la de maneira errônea, dando conotações equivocadas que influenciam a opinião pública e a mídia. A religião de UMBANDA possui uma grande riqueza de valores, dos quais o entendimento se dá aos seus iniciados através de muitos anos de estudo e vivência, sendo impossível uma pessoa sem este preparo avalizá-la.

Tem-se como assente que o presente documento visa proteger os conceitos básicos desta religião, dando força a todas as Casas que professam a FÉ religiosa de UMBANDA. A partir deste instrumento, poder-se-á reivindicar com mais identidade, que respeitem os direitos religiosos e de liberdade de culto elencados na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), nomeadamente, nos seus artigos 2° e 18°, na declaração sobre a eliminação de todas as formas de in­tolerância e discriminação baseadas na religião ou convicção, bem como, outros marcos legais de natureza internacional, supranacional e nacional.

Salientando que a UMBANDA é um conjunto de leis que regem a vida e a harmonia do Universo, como religião ou como ciência, na UMBANDA, tanto na prática ritualística material, como na esfera es­piritual das comunidades umbandistas, só se conhece uma hierar­quia espiritual: a da evolução de cada Espírito nos diversos planos da Criação e a vibratória estabelecida pelo mérito de cada um. A par do conhecimento perfeito da vida, a UMBANDA aproveita o ambiente material fornecido pela vibração humana para abrir o verdadeiro ca­minho da sabedoria, onde se aprende que a verdade ou a realidade final do Universo é imutável. Dentro da concepção de que o aprovei­tamento material fornecido pelo homem é força ativa indispensável à realização da UMBANDA, é sobre o médium que repousa integral responsabilidade, somente excedida pelo sua própria compreensão quanto à missão que lhe é, por escolha, concedida.

Reconhecendo que a UMBANDA é uma síntese expressiva de Amor, Sabedoria, Respeito, Tolerância e Renúncia, como nos ensi­na JESUS e nos apresentam outros tantos Mestres Crísticos em vá­rios momentos da História e em culturas tão diversas; o Umbandista utiliza-se da religião como meio de progresso, amparo e defesa; mas nunca como instrumento que possa violar características de positivi­dade e evolução.

Realçando que a UMBANDA está em vários países, levando a PAZ e a Elevação de uma Religião que defende os direitos pela igual­dade, respeitando a pluralidade de cada nação. As bases da CARTA MAGNA DA UMBANDA são o registro dos princípios seguidos por religiosos de Umbanda pelo mundo.

Explicando que a UMBANDA como religião que segue ensinos de espíritos de Luz, tendo Nosso Pai Oxalá (Jesus Cristo) como base conceitual de Amor e Fraternidade. A UMBANDA é uma religião, NA­TURAL E ECOLÓGICA, têm em seus seguidores os defensores da Natureza; entendemos que os Sagrados Orixás se manifestam mag­neticamente com mais intensidade nos sítios vibratórios da natureza, aonde os religiosos de Umbanda vão constantemente, promovendo concentrações para refazimento energético, harmonizações e capta­ção de energias sublimes, reequilibrando-os com as forças da Mãe Natureza.

Claramente que, as oferendas realizadas pelos Umbandistas no seio da Natureza, além de simples, são todas efetuadas com materiais biodegradáveis, que rapidamente se incorporam no meio ambiente. A religião de UMBANDA defende a Natureza, preza pelas matas, ma­res, rios, cachoeiras e nascentes. Preza também pela fauna e flora, contribuindo, assim, com os Tratados Internacionais de Preservação da Natureza, indicando a necessidade de meios de desenvolvimento que não agridem.

Observando que a CARTA MAGNA DA UMBANDA sugere e de­fende a necessidade de organização institucional administrativa no que diz respeito à manutenção regulamentar dos Templos e Federa­ções; entendendo que é fundamental órgãos que representem os in­teresses do coletivo, baseando-se no referido documento como pos­tulado de base de construção de melhorias que visam o crescimento da Umbanda.

É de suma importância informar que a UMBANDA indica inclusão nas matérias de filosofia, história, sociologia, antropologia e outras. O estudo da CARTA MAGNA DA UMBANDA como fonte didática e como ponto de partida para o diálogo inter-religioso crê na afirmação de que as religiões constituem os diversos caminhos de evolução espiritual que conduzem a DEUS. Assim como as demais religiões, a UMBAN­DA passa a ter um documento que esclarece de forma objetiva, seus postulados, dando à UMBANDA uma referência única, tendo por ob­jetivo final, ser um documento nacional e internacional da religião, por meio do qual poderá se diferenciar de trabalhos que não condizem com a essência da umbanda.

Dados do início do projeto – Carta Magna da Umbanda

O inicial do presente documento fora iniciado em 2012 e apresen­tado em reunião dia 14 de abril de 2013, na rua Brigadeiro Jordão, 297 – Ipiranga – São Paulo/SP., com participação de várias lideran­ças; cada órgão federativo, representado pelos seus diretores, sa­cerdotes e lideranças se empenharam, ajudando a trazer propostas para o Congresso Nacional de Umbanda. A direção dos trabalhos foi do MPU (Movimento Político Umbandista), com todos os presentes unidos com responsabilidade pela UMBANDA.

Posteriormente, houve necessidade de apresentação do docu­mento em vários estados do Brasil, onde agiram como fonte de ideias e agentes reguladores da CARTA MAGNA DA UMBANDA, lideranças, Templos de Federações que coadunam com a necessidade do docu­mento como organizador das práticas e postulados básicos.

Deliberações futuras terão a finalidade de agregar indicações de cunho científico religioso, onde: escolas, federações, templos, escri­tores, pensadores, imprensa, filósofos e outros que estão inseridos na religião de Umbanda, terão como se manifestar após convocação.

O documento está cumprindo o valioso papel com a finalidade de atingir a opinião pública sobre o que é UMBANDA; sua cultura social, política e religiosa, tendo a responsabilidade de mostrar fundamentos de sua organização. Esses pontos aqui defendidos, são aspectos claros existentes em qualquer vertente da Religião de Umbanda, e, passam a ser uma forma de normatizar a base da religião. Porém fica claro aqui não sugerimos que este documento venha, em nenhum momento, ser algum tipo de codificação, deixando livre quem não o aceitar.

Considerando que, a normatização é uma forma de trazer a uni­dade, coerente e inteligente para a difusão da religião de Umbanda, respeitando a liturgia e os estudos aplicados em cada vertente. Afinal, a CARTA MAGNA DA UMBANDA propõe a união.

Aponta-se que, o documento passará sempre por aprimoramen­tos, seguindo a evolução natural das ações aplicadas dentro da reli­gião. Fica apontado como órgão responsável o Instituto Carta Magna da Umbanda para deliberar sobre o documento e prováveis melhorias. Com a ausência do Instituto ficará para a deliberação as organizações apontadas por ministros religiosos responsáveis.

Pretos, nativos do solo brasileiro e a Umbanda

Lembrando que a Umbanda chega ao Brasil através dos pretos trazidos da África. Mais especificamente das regiões de Angola e Congo, em sua maioria de etnias n’bundo e quimbundo, que trou­xeram com eles a Nbanda, palavra que se tornou Umbanda, pois a fonética de nossa língua é diferente dos povos africanos.

Estes povos foram trazidos para o Brasil escravizados, e quando de suas fugas iam para às florestas, territórios indígenas, que não se entregaram para o domínio do homem branco escravista. Estes tinham conhecimento de seu território, o que lhes favoreceu à fuga e resistência ao opressor.

A religião Afro Brasileira é viva e evolutiva, seus segredos e misté­rios são fatos que podemos confirmar na própria história do processo civilizatório do Brasil.

Até o início do século 20 a presença de pessoas brancas nos rituais de umbanda se restringia apenas como consulentes, e as di­vindades cultuadas eram o Índio brasileiro denominados Caboclo (a), Preto velho- (a) espíritos que foram escravizados (a) , Exus (espíritos que atuam nos caminhos, representantes das energias de vitalidade e desejo) e Crianças, que com o passar dos tempos passaram a serem chamados de eres e Ibejis.

Ao longo dos tempos surgiram outras falanges, e certamente ou­tras surgirão, pois, Umbanda e viva e não estática, assim como tudo na Terra, porém sempre existiu na Umbanda o Caboclo e o Preto velho como espíritos líderes dos templos e de todas as falanges de um Terreiro de Umbanda.

É permissível mudanças, mas não se pode negar a história, ainda que se crie novas formas de cultuar a Umbanda, mas negar a presen­ça do preto e do índio não é apenas cultuar uma nova Umbanda e sim matar a velha Umbanda.

Pressupõem se que a Umbanda no Brasil tem como um dos ob­jetivos sagrados, unir os povos em suas diversidades étnicas através da fé, respeitando o nativo e os imigrantes que dão origem a Nação Brasileira.

“Umbanda” ou “embanda” são oriundos da língua quimbunda de An­gola, significando “magia”, “arte de curar”. Também era conhecida a palavra “mbanda” significando “a arte de curar” ou “o culto pelo qual o sacerdote curava”, sendo que “mbanda” quer dizer “o Além, onde moram os espíritos”. (Fonte de pesquisa; Wikipédia)

PREÂMBULO

DOCUMENTO OFICIAL PARA A RELIGIÃO DA UMBANDA

CARTA MAGNA INTERNACIONAL DA UMBANDA

Documento da Umbanda representado de forma institucional, através do Instituto Carta Magna da Umbanda, aos povos de terreiro e povos tradicionais. Legitimando a Umbanda com entendimento interno, cultural e religioso, de maneira a direcionar seus adeptos, mostrando também para a sociedade em geral as bases de ensino, da ética, da moral, da cultura e os conceitos religiosos existentes.

Aos estudiosos, ministros religiosos e seguidores é um documento de interpretação, normatizando as bases de referência da religião de Umbanda. Dentro dos estudos teológicos, a Carta Magna da Umbanda, reforça a crença em um único Deus, sendo uma religião monoteísta com características próprias, religião de culto as forças existentes em pontos de grande vibração energética, mares, florestas, cachoeiras, montanhas, nascentes etc. Enxergando nesta natureza a extensão criadora onde identificamos os orixás cultuados dentro de nossos costumes.

O documento iniciado de forma oficial em 2013 por adeptos das práticas religiosas com visão de criar unidade coletiva, sendo instrumento de defesa dos trabalhos litúrgicos e culturais, institucionalizando o referido instrumento com fonte segura indicando a Umbanda como religião de fato, existente em todo território Nacional e estando em diversos Países.

Entendendo que a religião de Umbanda possui uma riqueza ímpar, demonstrada em sua diversidade litúrgica. O documento não explica e não entra nas práticas internas litúrgicas, respeitando sua pluralidade, e sim, com a finalidade de criar uma identidade religiosa que define o que somos, respeitando assim, a diversidade de modalidades de Umbanda, ou de vertentes. Internamente o compendio exposto no referido documento, entra na ética, moral e direitos humanos, sendo fundamento das ações religiosas determinando a seriedade dentro das modalidades existentes.

O pensamento coletivo denota a seriedade e serenidade exposta, não atendendo apenas a grupos ou uma idiossincrasia, determinando assim a abrangência do documento. As influências do documento são derivadas da diversidade, dos fóruns realizados em território Nacional e Internacional, dando a legitimidade e legalidade ao documento denominado como “Carta Magna da Umbanda”.

Temas elaborados e organizados em formato de documento indicam que não se trata de um apanhado de ideias, e sim, de uma maneira séria para que haja as devidas ações interpretativas, de forma que a sociedade e os praticantes da religião saibam definir com exatidão o significado de Umbanda em sua totalidade. Destaca-se no referido documento indicativo plausível de definição de Umbanda, se tornando instrumento de defesa, podendo ser utilizado por juristas, veículos de comunicação em geral e principalmente pelos ministros religiosos nas ações internas e externas de suas práticas.

O intuito de criar o documento está baseado na legitimação e informação em nível organizacional para entendimento social e religioso, fortalecendo e defendendo a todos os Umbandistas, estabelecendo uma linguagem interpretativa para a sociedade em geral.

O documento intitulado de CARTA MAGNA DA UMBANDA serve como base orientadora para respostas aos estudiosos de teologia, sociologia, filosofia e aos seguidores da religião. É importante frisar que fica disponível a consultas para debates inter-religiosos, onde outros seguimentos poderão entender melhor o que somos; os nossos propósitos e como respondemos assuntos de interesse espiritual, cultural, social e humanitário.

O referido documento tem também um papel esclarecedor, tendo em vista que a grande maioria dos não praticantes de religiões de matriz africana e ameríndia não compreende como religião a Umbanda e por muitas vezes enxergam em suas práticas conotações equivocadas. A responsabilidade dos adeptos da Umbanda perante o documento é notório e se torna patente seu uso como base de interpretação fundamentada na participação de maioria em território Nacional brasileiro, com acompanhamento internacional de seus praticantes.

Aqui está definido documento deliberado, constituído não só por pensadores e ministros da religião, mas com a atenção e respeito sobre nossos mentores espirituais. A participação dos Mentores se faz necessária, nossa religião é composta por adeptos que seguem rigorosamente o que Orixá, Guias e Mentores determinam em nome do Criador. Portanto este documento tem o aval dos Guias que comumente foram consultados dando ao seguidor da religião base de respeitabilidade aos aspectos aos quais determinam estarem inseridos como seguidores de doutrina religiosa.

A religião de Umbanda tem características únicas, uma religião brasileira miscigenada que se baseia na elevação do espírito através de suas práticas em várias modalidades, elencando nesta diversidade seguida sempre da ética e moral. O documento determina aspectos unicamente de fator de progresso do ser humano, definindo características colocando a Umbanda como religião, definindo-a como prática de ações elevadas não aceitando nada que venha contra os aspectos morais evolutivos do ser.

Coadunando com o entendimento do Criador como Poder Máximo como fonte viva criadora, da qual entendemos e interpretamos como Olorum, Zambi ou Deus no Universo onde o homem passa a compreender sua evolução através da religião.

Tendo como base unificadora das várias modalidades de Umbanda a crença em um Único Poder Criador, nos Orixás, Guias e Mentores, que através de manifestação e contemplação direcionam o ser para a interpretação de sua existência e com isto, a capacidade de interiorizar a evolução dentro de práticas umbandistas. Afirmamos que somos Povos de Terreiro e Povos Tradicionais, onde fazemos parte através destes povos de maneira cultural e de interpretação dos conceitos tradicionais de liturgia.

É importante ressaltar que, quem desconhece as práticas culturais, religiosas de umbanda, logo levam suas interpretações dentro de valores e crenças que não possuem materiais ou conceitos, que possam avalizar, ou definir o que somos, ou mesmo, o que se pratica internamente dentro da Umbanda. Portanto, só um documento feito por ministros de Umbanda, que possuem conhecimentos de fato, podem avalizar e aplicar suas considerações.

Este projeto está em pauta desde 2012, oficializado em 2013 com as deliberações por todo o território nacional, contando ainda com encontro internacional realizado em Portugal, na cidade de Leiria, com a participação de líderes da Europa.

Respeitando a diversidade existente em nosso meio, fica determinado que este documento, mesmo estando pronto, não deverá ser fixo. É necessário que esteja aberto para que em deliberações posteriores o documento CARTA MAGNA DA UMBANDA receba adaptações e melhorias. Desta maneira TODOS devem participar de forma organizada sempre respeitando as melhorias que se dão por deliberação, votação de maioria.

Entendendo que a religião de Umbanda possui tradição, e esta tradição respeita a evolução, tais adaptações e melhorias devem ocorrer sempre que os diretores do Instituto Carta Magna da Umbanda e outras instituições participantes observem a necessidade de melhoria. Fica acertado que todos os temas que foram amplamente discutidos devem ser respeitados na sua íntegra; sendo criados grupos para as avaliações, caso haja alguma alteração.

Mais uma vez é chamada a atenção para o pensamento religioso, virtuoso, que levará este projeto para as esferas necessárias, colocando o documento sempre como referência a partir de sua publicação para toda a sociedade e comunidade religiosa.

Fica registrado que o documento Carta Magna da Umbanda é Único não existindo outro registro seja em território Nacional ou Internacional. Este documento se encontra registrado no 8° Cartório de Registro de Títulos e Documentos com sede em São Paulo-SP. Rua XV de Novembro 251. Cadastrado com o número de ISBN 978- 85-90767-03-9 protegido pelos Dados Internacionais de catalogação (CIP) Câmara Brasileira do Livro- SP- Brasil.

Uma religião que preza a igualdade, respeitando a Declaração Universal dos Direitos Humanos através da Carta da ONU – Organização das Nações Unidas deve ter este documento máximo, a missão de dignificar seus milhares de seguidores, deixando o legado para a posteridade.

Coordenadores da CARTA MAGNA DA UMBANDA.

CARTA MAGNA DA UMBANDA

  1. A religião de Umbanda é genuinamente brasileira, com as seguin­tes características em sua origem:
  • É milenar, porque seus fundamentos são os mesmos que presi­diam o reencontro com Deus, desde o início da raça humana no nosso planeta.
  • É cósmica, porque seus fundamentos culminaram com a união preconizada pelo Movimento Umbandista dos quatro pilares do conhecimento humano, que são: a Filosofia, a Ciência, a Reli­gião e a Arte.
  • É evolutiva, em suas manifestações, porque a Umbanda se ma­nifesta em seu dia-a-dia, utilizando todos os recursos positivos existentes no ontem, no hoje e, com certeza, se valerá dos que vierem, no amanhã.
  • É crística, porque os seus aspectos, princípios, postulados e finalidades estão baseados nos ensinamentos dos Mestres da Luz, principalmente no Mestre Jesus, sendo a manifestação e a vivência do Evangelho Redentor. Aceitando tudo o que é bom, rejeitando o que não eleva e caminha ao crescimento do ser humano.
  • É brasileira, em suas origens. Como prática religiosa surgiu e desenvolveu-se no Brasil, instituída pelo Caboclo das Sete En­cruzilhadas, através da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, em 15 de novembro de 1908.
  • É Miscigenada, pois se fundamenta através dos Povos, africa­no e indígena (nativos da terra), com contribuições do conceito espírita europeu e dos povos do oriente.
  1. A Umbanda teve, na sua origem, contribuições da Doutrina Espírita, e contribuições positivas das religiões Indígena, Africana, e Católica Popular. Contudo, a Umbanda é isenta de interferências das religiões citadas, não se submetendo a nenhum dogma relacionado com elas.
  2. A Umbanda integrou, reinterpretou e adaptou algumas visões re­ligiosas aludidas (Indígena, Africana, e Católica Popular), de acordo com sua própria percepção, dando origem a uma religião de base universalista.
  3. A Umbanda tem Hino próprio desde 1961, de autoria de José Ma­nuel Alves (letra) e Dalmo da Trindade Reis (música).
  4. A Umbanda é: doação, caridade, compromisso, prosperidade e hu­mildade.
  5. a) DOAÇÃO: A Umbanda tem no voluntariado, no serviço mediú­nico a forma de crescimento natural da religião, onde a partici­pação é fundamental. É por meio da doação que o medianeiro aprende a valorizar o seu Templo e a socializar com os seus irmãos.
  6. b) CARIDADE: A ação caritativa é uma das formas da elevação do espírito. Fora da caridade não existe a compreensão da missão evolutiva do religioso de Umbanda. A caridade é a expressão máxima do aprendizado religioso em sua plenitude pelo mé­dium de Umbanda.
  7. c) COMPROMISSO: A Umbanda tem no compromisso do médium com o bem, com a verdade, com a lealdade, com a caridade, com a entrega pessoal e com o respeito, a essência do verdadeiro religioso como forma de evolução.
  8. d) PROSPERIDADE: A prosperidade se dá a todos os níveis pelo esforço de crescimento e desenvolvimento diário em todos os sentidos. A prosperidade não se ganha, se conquista através da prática da honestidade, do esforço, do conhecimento e pelo trabalho individual, onde, amparado por sua fé e merecimento, o indivíduo conquistará seus objetivos.
  9. e) HUMILDADE: O religioso de Umbanda tem como base espiritu­al a sua humildade; entendendo que ele, médium, não é melhor que ninguém, mas sim tem a responsabilidade maior e com­promisso como instrumento da Espiritualidade em transmitir as mensagens de Luz, passadas pelos planos elevados. Na Um­banda, existe uma hierarquia espiritual que orienta os trabalhos, com Dirigentes, Médiuns e Auxiliares; porém, todos sabemos que no plano material somos, em todos os momentos, aprendi­zes e professores e todos nós estamos em constante aprendi­zado, não sendo ninguém melhor do que o outro, apenas com funções e responsabilidades diferentes. Entendemos que quem deve ser glorificado é Deus, nunca o medianeiro.
  10. O religioso de Umbanda segue o que foi anunciado pelo seu funda­dor, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, bem como, os ensinamentos dos Espíritos Crísticos, os Mestres do Amor, como via evolutiva para se chegar a uma espiritualidade superior.
  11. A Umbanda traz em si a base religiosa que deve ser considerada: Amar, respeitar, não julgar, não caluniar, atuar sempre com a verdade, na base do bem, da educação e da elevação. O posicionamento ético em qualquer religião deve se basear em tais predicados, manifesta­dos pelos verdadeiros religiosos.
  12. Os médiuns são vistos como religiosos e devem agir como tal, com fé em Deus, nos Sagrados Orixás e nos Guias Espirituais; possuir os atributos da fé, amar seu semelhante, não julgar, não caluniar, ser pa­cificador, estar ao serviço do bem e jamais utilizar o seu conhecimento de forma torpe. Esses atributos são posicionamentos éticos e morais para todos os que comungam da fé umbandista.
  13. A Umbanda atua na elevação, na educação religiosa e na evolu­ção dos Espíritos, praticando trabalhos que visam o progresso do ser humano, direcionando a reforma íntima por meio dos postulados de Jesus, da vibração dos Sagrados Orixás e dos ensinamentos dos Es­píritos Crísticos, que são transmitidos pelos Guias Espirituais que se manifestam nos Templos de Umbanda.
  14. A Umbanda é uma religião que crê na existência de um Deus úni­co, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, eterno, imutável, imaterial, onipotente, onipresente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições.
  15. A Umbanda crê no Mestre Jesus (Pai Oxalá), pautando seu as­pecto doutrinário baseado em Seus ensinamentos, acreditando na Lei do Carma e na lapidação do ser pela aplicação em sua vida de seus ensinos.
  16. A Umbanda crê na existência de Hierarquias Divinas, denomina­das por nós de Orixás, responsáveis pela sustentação planetária, e alicerces para direcionarmos nossas condutas na prática do amor, da caridade e da fé. Não são deuses, mas sim, denominações humanas para os Poderes Reinantes do Divino Criador.
  17. A Umbanda reverencia a Mãe Natureza, por ser nela que se en­contra a mais pura manifestação Divina, por onde os Sagrados Orixás se manifestam energeticamente com mais intensidade e, também, porque vamos buscar e nos harmonizar com as forças ali reinantes, sustentadoras de toda a forma de vida planetária.
  18. A Umbanda crê na existência da comunicação mediúnica por meio de medianeiros preparados para tal tarefa, em trabalhos cari­tativos, em atendimentos fraternos em coparticipação com os Guias Espirituais.
  19. A Umbanda prima pela simplicidade de seus rituais, o que permite a dedicação integral do tempo das sessões ao atendimento fraterno dos que a ela recorrem.
  20. Nos atendimentos fraternos está o cerne do assistencialismo da Umbanda, sempre de forma caritativa. Onde a Umbanda se mostra como a única religião que possibilita o assistido conversar com os guias de Luz, tendo as orientações para sua evolução, e, tratamentos para diversas finalidades.
  21. Umbanda é sinônimo de prática religiosa e caritativa, não se co­adunando com cobranças pecuniárias pelo que faz. Não faz parte de seus fundamentos a retribuição financeira pelos atendimentos frater­nos ou pelos passes realizados. Contudo, é lícito, quando necessário para sustentação, manutenção e desenvolvimento dos Templos, as­sim como, para proporcionar conforto e bem-estar a seus frequenta­dores, o chamamento dos médiuns e das pessoas que frequentam o Templo para contribuírem para esses fins. Todavia, a contribuição far-se-á conforme o critério de cada Templo, mas de uma forma mo­derada e ajustada às necessidades, sem que haja discriminação ou preconceito para com aqueles que não possam contribuir.
  22. No caso específico de dirigentes umbandistas que passaram a dedicar-se integralmente ao Culto, em determinadas situações e regi­ões, cobrando nomeadamente por suas consultas, as sessões (giras) devem continuar públicas e abertas, onde é facultada a solicitação de contribuições voluntárias aos membros e assistidos.
  23. A Umbanda possui sacramentos e ritos próprios, tais como: o ba­tismo, o casamento e o ritual fúnebre. Sendo fundamento de cada terreiro, tenda ou casa, ter os sacramentos como forma de acolhimen­to religioso para as famílias. Consolida-se através dos sacramentos, o compromisso do religioso dentro dos conceitos estabelecidos pela Umbanda.
  24. Os principais ritos da Umbanda são realizados por meio de ora­ções, pontos cantados, que, em alguns Terreiros, são ritmados atra­vés de instrumentos musicais. Os tambores (atabaques), tocados por atabaqueiros devidamente preparados por ministros religiosos para esta tarefa. Ainda encontramos agogôs, maracas e macumbas, que podem ser introduzidos na utilização em ritos sagrados dentro de tra­balhos de Umbanda.
  25. A Umbanda realiza sessões e trabalhos de limpeza espiritual, descarregos energizações, assim como o de aconselhamento e tratamen­to espiritual, que visam o bem-estar e o desenvolvimento espiritual, consciencial, emocional e moral do indivíduo. Nesses trabalhos são utilizados o passe energético, o uso ritualístico do tabaco e dos ele­mentos vegetais, designadamente, em defumações, em banhos e/ou Amacis. A Umbanda ainda se utiliza de componentes minerais, tais como: pedras, cristais, metais e a pemba, que são elementos conden­sadores de energia, como também, da energia essencial dos elemen­tos da natureza.
  26. A Umbanda recorre às orações, desobsessões, ou, se preciso for, às oferendas de flores, bebidas, frutos, sucos, chás, alimentos, incensos e velas. A oferenda, além de operação espiritual/vibracio­nal, é também uma reverência espontânea aos Sagrados Orixás e é recomendada a sua prática aos seus fiéis, visto que entendemos que esses elementos possuem elevadas vibrações energéticas que podem ser manipuladas espiritualmente em benefício de algo ou al­guém. Entendemos também que um dos objetivos da Umbanda é o de elevar e sublimar o espírito e seus iniciados e assistidos pela ética dos sagrados Orixás e dos espíritos de Luz.

PRINCÍPIO DE IGUALDADE

  1. A Umbanda defende a todos um tratamento digno e igualitário, pois ninguém pode ser privilegiado, favorecido, prejudicado, discri­minado, privado de direitos ou dispensado de deveres em razão de ascendência, descendência, sexo, orientação sexual, cor, etnia, raça, idade, língua, religião, descrença religiosa, grau de instrução, condi­ção econômica e social, território de origem, convicção política, ideo­lógica e filosófica.

DIREITO À VIDA

  1. A religião de Umbanda defende que a vida humana é inviolável.
  2. Não é admissível para a Umbanda a pena de morte, ou qualquer prática que possa abreviá-la.

SUICÍDIO / EUTANÁSIA / DISTANASIA / HOMICÍDIO

  1. A Umbanda, por valorizar a vida, nos aspectos terreno e espiritual, entende que a passagem deve ser natural, respeitando a Lei do Car­ma e aprendizados importantes ao espírito.
  2. A Umbanda defende que ninguém tem o direito de abreviar volun­tariamente a sua vida pelo suicídio.
  3. Só o Criador, através de Sua Onisciência, Onipresença e Onipo­tência, sabe o momento do desenlace carnal de qualquer indivíduo.
  4. Assim, mesmo no caso em que a morte é inevitável e a pessoa esteja em situação de sofrimento, a Eutanásia ativa praticada por pessoas, mesmo que com motivação altruística é compreendida pela Umbanda como a falta de resignação e de submissão à vontade do Divino Criador.
  5. A Distanásia que é prolongamento da vida por tratamentos extra­ordinários e a Ortonásia, que é a decisão de não se submeter a tais tratamentos considerados paliativos, do ponto de vista clínico, legal e espiritual, não ferem o conceito religioso de Umbanda porque o pa­ciente é livre para submeter-se ou não a tratamentos e cirurgias consi­deradas ou não de risco, e se o fizer, virá a falecer de causas naturais da evolução da doença, sem interferências de pessoas no processo do Criador.
  6. Práticas que atentam contra a vida humana ou animal, não são aceitos pela Umbanda.
  7. a) observando que animais utilizados normalmente para o abate, na finalidade de alimento (aves, suínos, bovinos, caprinos, ovinos, ou mesmo animais de caça), não pode ser confundido com ani­mais domésticos.
  8. b) atentar contra a vida humana e animais domesticados violam os conceitos de Umbanda.
  9. Porém, homicídio cometido em legítima defesa própria ou de ter­ceiros, ou por erro não censurável, não acarreta ônus espirituais sobre tais fatos. Militares, agentes de segurança em geral, em comprimento de seu dever, na ação de defesa da sociedade, na prática legal e éti­ca, não é visto pela espiritualidade como culpado caso exista baixa no exercício de sua prática profissional.

ABORTO

  1. A Umbanda é contra a prática do aborto considerado interrupção da gestação.
  2. Na Umbanda entende-se que a partir da concepção da vida pré-embrionária já existe um Espírito que anseia por sua evolução.
  3. Os progenitores com ou sem auxílio de terceiras pessoas que pro­voquem o aborto por qualquer meio, e em todo período da gestação, cometerão uma transgressão à Lei de Deus, porque isso impede o espírito de passar pelas provas necessárias à sua evolução, necessi­tando do corpo em formação como seu instrumento.
  4. Quando o nascimento da criança colocar em perigo a vida da mãe, é preferível, por bom senso e na forma da lei, manter a vida da genitora.
  5. O aconselhamento direto com os Guias Espirituais é fundamental para que as ações se baseiem sempre na Espiritualidade e na particu­laridade de cada situação que envolva a formação e desenvolvimento de vida humana.
  6. No caso de ocorrer ou ter ocorrido o aborto por decisão de qualquer natureza, a Umbanda jamais condenará os envolvidos, ocupando-se, antes, em acolhê-los e prestar-lhes orientação e conforto espiritual.

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL

  1. A Umbanda compreende que mesmo não sendo dentro do mé­todo tradicional, a inseminação artificial, possui a participação do homem e da mulher, unindo ambos em um só, dando a oportunida­de da vinda de um espírito no processo reencarnatório. Desde que tudo siga a ética da medicina e das leis vigentes no País de morada dos pares. No entanto, por que a Umbanda, respeita as questões de crenças e liberdade dentro da ética e socialmente escolhido por pes­soas, ou, espíritos aqui vivendo na vida material suas experiências, e uso de seu livre arbítrio, e nas questões de fórum íntimo, há casos em que casais não heteronormativos, ou seja, casais alternativos ou homoafetivos que escolhem igualmente ter uma linhagem de família e descendentes ou herdeiros (filhos), por método de inseminação artificial igualmente.

CLONAGEM

  1. A Umbanda não aceita o conceito da clonagem, respeitando o processo natural da evolução através da encarnação, dos processos cármicos, este procedimento fere a ética religiosa de Umbanda. En­tendendo que tal procedimento não possui a união homem e mulher, não existindo fecundação entre, óvulo e espermatozoide. O indivíduo passa a existir a partir de célula tronco, sendo geneticamente artificial e uma cópia de outro ser humano. O parecer, feito pelos cientistas do Instituto de Estudos Avançados da Universidade da ONU, pede para que seja banido este procedimento, sendo não ético pela ciência!

DIREITO À INTEGRIDADE PESSOAL

  1. A religião de Umbanda defende que a integridade moral e física das pessoas é inviolável.
  2. Ninguém pode ser submetido à tortura física ou mental, nem a maus tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanas.

PEDOFILIA / MAUS TRATOS

  1. A Umbanda não aceita qualquer forma ou ato que atente contra a integridade física e moral da criança e do adolescente, em especial os casos de pedofilia praticada por todo e qualquer meio, inclusive por internet, assim como as condutas de maus tratos, defendendo que as leis já estabelecidas devam ser aplicadas, nomeadamente, a Conven­ção dos Direitos da Criança.
  2. Pessoas que possuem desvio de conduta em relação às crianças e adolescentes podem estar obsidiadas e necessitam de orientação espiritual e acompanhamento psicológico, além de se submeterem à aplicação das leis civis e criminais pertinentes.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

  1. A Umbanda não aceita qualquer forma de violência doméstica, atendendo aos parâmetros da legislação vigente com destaque para os Princípios das Nações Unidas para as Pessoas Idosas, Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mu­lheres e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Carta das Nações Unidas (O.N.U.), segundo os quais os direitos da pessoa humana devem ser preservados. No âmbito doméstico, a prática do respeito, aceitação das diferenças, e convivência de har­monia devem ser cultivados entre os familiares de todas as idades. As relações sexuais, dentro e fora do casamento ou da união estável devem ser sempre consentidas pelas pessoas envolvidas, sendo que a Umbanda condena qualquer ato sexual obtido mediante violência ou contra a vontade da pessoa.

PRECONCEITO ÉTNICO

  1. A Umbanda não aceita o preconceito étnico e racial. O precon­ceito racial é antes de tudo, uma demonstração de atraso espiritual e desconhecimento das Leis Divinas. Aquele que diminui ou persegue o irmão pela cor da pele ou por qualquer outra característica étnica, viola a regra de ouro presente nas mais diversas tradições espirituais e religiosas: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”.

ORIENTAÇÃO SEXUAL E IDENTIDADE DE GÊNERO

  1. NA Umbanda todo ser humano é visto como irmão espiritual, sen­do aceita qualquer orientação sexual e identidade de gênero. Assim, a religião entende e acolhe Espíritos, e não o gênero ou a sexuali­dade. Discriminação e preconceito não são ensinados pelos nossos Guias Espirituais, posto que a Umbanda acolhe a todos. Desta forma, é fundamental respeitarmos a condição de cada indivíduo: heteros­sexualidade, homossexualidade, bissexualidade, transexualidade e intersexualidade são questões de foro íntimo e pessoal.

O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE E NA UMBANDA

  1. A Umbanda defende o direito de igualdade, sendo que a mulher deve ocupar qualquer posição na sociedade e no mercado de traba­lho, com o mesmo tratamento, conforme o estabelecido na Conven­ção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres.
  2. As mulheres na Umbanda estão em todos os níveis hierárquicos, ritualísticos e doutrinários da religião, sendo a maioria dentro das di­versas casas, templos ou terreiros.

CRIANÇAS NA UMBANDA

  1. Na Umbanda todas as decisões que digam respeito às crianças devem ter em conta o seu melhor interesse, consideradas suas pecu­liaridades de pessoa em desenvolvimento, em harmonia com o esti­pulado na Convenção dos Direitos da Criança.
  2. A UMBANDA reconhece que a presença das crianças nas ses­sões é um processo importante na sua própria formação espiritual, assim como para sua socialização, educação e assistência religiosa.
  3. A Umbanda garante às crianças, o direito de conhecer segundo os preceitos da religião, a mensagem universal da Jesus, com sua magnitude em Deus e nos Sagrados Orixás, através do atendimen­to mediúnico, do batizado, passes e desenvolvimento. Promoven­do o respaldo moral, físico e espiritual contra todas as formas de violência.
  4. A Umbanda incentiva a criança para que reconheça desde cedo sua importância, valor e caráter, concedendo-lhe o direito de livre es­colha condizente à sua pureza e maturidade às nossas crenças, ga­rantido sempre o seu amparo. É admissível e reconhecida a prática da Evangelização Infantil, a fim de instruir crianças e adolescentes em condutas morais e éticas, além de proporcionar aulas educativas a respeito da Umbanda. A continuação da tradição de Umbanda, está no ensino doutrinário, iniciado na infância e na adolescência.

IDOSOS NA UMBANDA

  1. A Umbanda defende que os idosos devem ter acesso aos recur­sos educativos, culturais, recreativos e espirituais da sociedade.
  2. Os idosos devem ser tratados de forma justa, independentemente de sua idade, não podendo ser privados do acolhimento dentro da religião e do desenvolvimento mediúnico. A base da Umbanda está na hierarquia, onde o mais velho é respeitado, representando nossos anciões ancestrais.
  3. A Umbanda preconiza o respeito, o amparo e a assistência aos idosos, no âmbito familiar e social, com base no amor, na caridade, no reconhecimento e na legislação em vigor, em especial nos Princípios das Nações Unidas para as Pessoas Idosas.

DEFICIENTES

  1. Na Umbanda, nenhuma pessoa portadora de deficiência congê­nita ou adquirida, seja de natureza física, sensorial ou intelectual é privada de acolhimento ou desenvolvimento mediúnico.
  2. A Umbanda compreende que as deficiências se restringem à car­ne e não ao espírito, portanto, as limitações do corpo material se tor­nam nulas, mediante a nossa fé e o Plano Espiritual. Porquanto, como disseminadores de amor ao próximo, não nos cabe desmerecer ou restringir quaisquer que sejam as condições físicas, mentais ou psico­lógicas de um irmão, pois somos livres de julgamentos e permitimos que todos aqueles que buscam a doutrina umbandista sejam tratados com igualdade e respeito.
  3. Aos dirigentes de Templos, de Federações, pede-se privilegiar a acessibilidade, conforme a caridade, o bom senso e as leis vigentes, designadamente, a Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Em âmbito inter­nacional segue a Carta das Nações Unidas, que reconhece a dignida­de e valor inerentes e os direitos iguais e inalienáveis.

ALCOÓLATRAS E TOXICÔMANOS

  1. Todos que recorrem aos Terreiros de Umbanda encontrarão o lado assistencialista. O dependente químico e o alcóolatra devem ser tra­tados sem preconceito e discriminação, tendo total assistência por parte da Umbanda.
  2. A Umbanda respeita à vontade e o livre arbítrio do indivíduo de buscar e aceitar o tratamento espiritual. Nos tratamentos devem ser observados e respeitados o lado psicológico, a dependência química e a atenção espiritual devem ser fornecidas para o dependente e sua família.

CASAMENTO

  1. A Umbanda defende que o casamento deve dar-se por amor e livre arbítrio, onde o casal é orientado e acolhido também espiritu­almente. Independentemente, da orientação sexual, etnia, instrução, condição social e religião.
  2. Na visão umbandista é irrelevante a identidade de gênero, ou se um dos consortes não professar a religião umbandista. Reservamos a todos, direitos iguais de matrimônio, respeitando a individualidade de cada um. Os espíritos de Luz observam o ser, não as questões de gênero, todos sempre serão acolhidos pela Umbanda.
  3. A Umbanda compreende que o casamento religioso funciona como base espiritual para a família e tanto o corpo mediúnico quanto a assistência, têm o direito a este sacramento.
  4. Na Umbanda, o matrimônio também é assegurado como direito àqueles que já se divorciaram.

DIVÓRCIO

  1. Os Guias Espirituais, na Umbanda, não incentivam o divórcio, po­rém, não compactuam com relacionamentos infelizes, que fazem com que o espírito fique abalado pelo ódio, pelo sofrimento, pelo desres­peito, pela falta de amor que, por muitas vezes, podem causar riscos à integridade física, moral e espiritual de um dos cônjuges ou ao ca­sal, e por consequência, traumatizar familiares, filhos e amigos.
  2. O casamento indissolúvel é criação humana, por dogmas religio­sos e/ou de ordem social e econômica. Na Umbanda, acredita-se que o carma do casal pode ser breve ou durar uma vida inteira, de acordo com o que sua própria missão espiritual determina, e não se impõe uma convivência de infelicidade ou violência doméstica e sexual.

ADOÇÃO

  1. O posicionamento da Umbanda não é apenas favorável, mas tam­bém incentivador à adoção.
  2. O acolhimento físico, moral e espiritual do adotado, sempre levan­do em consideração as condições dos pais, é o de respeito, carinho, amor e proteção para o resgate da criança e do adolescente e sua inserção nos princípios de cidadania, favorecendo-o a ser conscien­te de suas responsabilidades e voltado para a prática do bem. Esse ser humano, bem como aqueles que serão seus pais, precisam da compreensão de sua condição humana e espiritual, devendo exercer a criação e educação do adotado segundo os preceitos da dignidade humana, paternidade responsável e do planejamento familiar, como determina a Convenção dos Direitos da Criança.
  3. Acreditamos no mesmo direito por parte de pais e mães com iden­tidade de gênero diferenciado, pois a amplitude desse ato não se re­serva à condição sexual ou de gênero e, sim, ao resgate cármico em condições tanto materiais quanto emocionais para a educação da criança e do adolescente.

PRESERVATIVOS E MÉTODOS CONTRACEPTIVOS

  1. A Umbanda apoia o uso de preservativos e métodos contracep­tivos, como meios de proteção contra DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e prevenção de gravidez indesejada. Cada qual deve saber e escolher o momento de gerar um novo ser, que necessitará de amor, compreensão, educação, orientação e discernimento ao lon­go de sua vida. Nesse sentido, o uso de métodos contraceptivos é um modo de proteger a vida.
  2. O uso de contraceptivo é aceito pela religião da UMBANDA, pois respeita o livre arbítrio, o controle de natalidade e o planejamento familiar.

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

  1. A Doutrina Umbandista vê com bons olhos a doação de órgãos, em vida e depois da morte, nos limites da legislação vigente em cada país.
  2. A Umbanda defende mesmo que a separação entre o Espírito e o corpo físico não se tenha completado, como nos casos de morte ce­rebral, deste modo a Espiritualidade dispõe de recursos para impedir impressões penosas e sofrimentos ao Espírito doador.
  3. A doação de órgãos não é contrária às leis da Natureza, por­que beneficia outras pessoas e o próprio espírito do doador em sua evolução espiritual e, além disso, é uma oportunidade para que se desenvolvam os conhecimentos científicos no plano material, colo­cando-os à serviço de vários necessitados.
  4. Ele se dá em relação à doação de sangue, medula e qual­quer tecido orgânico que venha proporcionar ajuda ao semelhante. A Umbanda, assim como qualquer religião, necessita incentivar a prática de doação para amparar milhões de irmãos necessitados pelo mundo.

CREMAÇÃO

  1. A Umbanda não rejeita a cremação.
  2. A cremação é legítima para todos aqueles que a desejam, desde que haja um período de, pelo menos, setenta e duas (72) horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá verificar-se com o depósito de despojos humanos em ambien­te frio. Esse período é necessário, pois existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tônus vital, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista os fluídos orgânicos que o Espírito ainda solicita para as sen­sações da existência material.
  3. O sepultamento ou a cremação nada mais representam para o Es­pírito, que a desagregação mais lenta ou mais rápida das estruturas entretecidas em agentes físicos, das quais se libertou.

POLÍTICA NA UMBANDA

  1. A Umbanda chama a atenção para o pensamento sobre a política pública participativa. É relevante a construção de organização polí­tica, pois só assim, conquistaremos o que é de direito de qualquer cidadão que professa sua fé.
  2. A participação do religioso deve ser incentivada através da cons­ciência de institucionalizarmos nossos ideais.
  3. Os representantes públicos necessitam comprometer-se com a comunidade religiosa a qual está inserido; deixando seu gabinete aberto para todos os projetos que visam o coletivo religioso.

LIVRE ARBÍTRIO

  1. A Umbanda, com sua plenitude, assegura aos indivíduos a sua liberdade e felicidade, não compactuando com a ideologia de “acor­rentar” filhos de fé ou adeptos em detrimento da casa.
  2. Além disso, não compactua/comunga com o emprego de ame­aças e violências psicológicas ou morais para garantir o narrado no tópico anterior.
  3. Umbanda preza pela liberdade individual e o direito de “ir e vir” dos adeptos, não interferindo no livre arbítrio dos indivíduos, sendo este, uma das Leis Divinas de nossa religião e da própria espiritualidade. Também não exerce qualquer tipo de violência (moral e psicológica), falseando verdades sobre a liturgia umbandista para restringir o direito de escolha de seus fiéis.
  4. A Umbanda aceita os estudos teológicos desde que respeite to­das as vertentes a ela atribuída, sem ações tendenciosas que crie conflitos sobre a diversidade existente em seus estudos. Do ponto de vista acadêmico de historiadores e antropólogos entende-se que a absorção do documento Carta Magna de Umbanda é de fundamental importância. A Umbanda por sua miscigenação e pluralidade de inter­pretações não pode estar presa a ideologias que não coadunam com o respeito aos itens 1- 2-12-13-14 e 15, onde demonstra uma diversi­dade interpretativa de sua origem e jamais se fixando em um conceito fechado, mas respeitando a todas as formas de entendimento. Ação única desta religião que não se compara a nenhuma outra existente, portanto deve ser classificada por antropólogos por este olhar pecu­liar da religião de Umbanda que demonstra ser uma grande síntese universal.
  5. A Umbanda defende a originalidade em relação à cultura e crença, dos povos tradicionais, os nativos da terra (indígenas) e os negros africanos, que são núcleos de resistência no mundo. As tradições de­vem ser respeitadas nas tribos indígenas, nos quilombos espalhados pelo Brasil, não coadunando com interferências culturais e religiosas provenientes de comunidades predominantes. Estendendo aos clãs ciganos, que igualmente são vilipendiados em suas tradições, onde a Umbanda respeita e tem dentro de suas linhas a introdução da cultura cigana com valores importantes.

RELAÇÃO ENTRE ÉTICA E RELIGIÃO

A vinculação entre religião e ética é imensa, isto porque ambas se influenciam mutuamente.

Nos primórdios da humanidade, convencionou-se um contexto mitológico para servir de referência e padronizar os comportamentos para ser possível a convivência coletiva.

Podemos dizer que o primeiro padrão ético instituído foi à mitolo­gia e os seus parâmetros foram criados por tentativa e erro, expres­sando o conhecimento acumulado, ou seja, tradições assumindo um comportamento sagrado, que se transformou em religião. A Umbanda tem em sua base tradições, que convergem em sua interpretação, fundamentando-a como religião!

Observamos a religião como a existência de um grupo unido por um conjunto de valores, exemplo o documento Carta Magna da Umbanda, mantendo a coesão comportamental, por esta razão a religião acaba oficializando uma moral de grupo, que por sua vez interfere no padrão comportamental da sociedade, pois qualquer aspecto moral e ético que conhecemos ou praticamos surgiram de uma doutrina religiosa.

Através da filosofia a relação entre a ética e a religião pelo ponto de vista de cada uma, necessita de vínculos para se estabelecerem. Desde há muito tempo se previa esta necessidade, pois a religião é um auxílio para cumprirmos as exigências éticas, que na verdade são racionais, a nossa razão é limitada e não consegue dar o devido valor a ética, portanto a religião vem em nosso auxílio para reforçar a conduta ética e a observação de valores, proporcionando esperança à humanidade para o cultivo de valores éticos.

A humanidade está em um processo de esclarecimento que é também ético e a religião oferece este suporte de esperança e justifi­cativas para que possamos cumprir as exigências éticas, a existência de Deus, a imortalidade do espírito, a esperança em uma vida futura e outras questões que a fé nos oferece ,complementam as limitações da razão, o que nos faz observar através da conduta ética o justificá­vel, porque se formos agir somente no racional, dificilmente consegui­remos arcar com as responsabilidades éticas.

A religião através dos motivos transcendentais nos ajuda a cultivar estes valores éticos e há se frutificarem em uma vida futura.

Notamos que a razão e a fé se complementam, assim como a religião e a ética em suas verdades, ou podemos dizer também que é uma só verdade dita de duas maneiras diferentes.

A relação entre as duas sempre estará em aberto, porque a con­duta ética se tornou rarefeita e conforme vamos indo em encontro à modernidade, os valores se perdem e se fragilizam, a solidariedade fraternal perde sentido na modernidade, o mundo na sua globalização vai se esvaziando da relação com o sagrado, podemos verificar isto nos acontecimentos desastrosos da humanidade, onde os valores como a bondade e a fé se tornam vazios para alguns.

A ética é algo que transcende e devemos caminhar continua­mente em busca dela para sempre pensarmos em como poderíamos ser melhores, para nos realizarmos como pessoas plenas em fé e esperança, transformando e tornando nossa sociedade mais justa e humana.

ÉTICA E MORAL NO CONTEXTO FILOSÓFICO E RELIGIOSO DE UMBANDA

Quando analisamos de maneira filosófica a ética e a moral devem-se observar seus significados distintos.

A Ética é associada ao estudo fundamentado de valores morais do qual vai orientar o comportamento do homem na sociedade, en­quanto que a moral são os costumes, regras, tabus e convenções es­tabelecidas em cada sociedade. A sociedade em sua maioria tem em seus costumes, bases religiosas que estão intrinsicamente envolvidas com o comportamento do indivíduo.

Observamos que a origem etimológica de cada uma é distinta. Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser ou caráter, mo­ral tem origem no termo latim “morales” que significa relativo aos cos­tumes.

A ética de modo geral pode-se dizer que é o conjunto de conhe­cimentos do comportamento humano ao tentar explicar as regras mo­rais, de forma racional, fundamentada, científica e teórica. Em uma re­flexão sobre moral, entendemos que é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por todos nós.

Estas regras orientam cada indivíduo, norteando suas ações e julgamentos sobre certo ou errado, bom ou mau e moral ou imoral, na prática são semelhantes e ambas são responsáveis para a constru­ção de bases que vão guiar a conduta do homem, determinando seu caráter, altruísmo e virtudes, ensinando a melhor maneira de agir e se comportar na sociedade.

A vinculação entre religião, moral e ética é imensa, à medida que se influenciam mutuamente, ao observarmos o conceito de religião como instituição social se caracteriza pela existência de um grupo uni­do por um conjunto de valores, mantendo a coesão comportamental, por isto entendemos ser um comportamento moral do qual se pres­supõe a busca por uma vida em concordância com os princípios do exercício do bem.

No contexto religioso de Umbanda, a ética e moral significa fazer o bem para todos os seus religiosos, estabelecer normas e regras à formação e aprimoramento dos dirigentes espirituais, médiuns de Umbanda e simpatizantes.

Todos os religiosos de Umbanda devem ter respeito e boa con­duta junto aos irmãos de outra religião e com a sociedade em geral, para que possam entender e respeitar a nossa religião, observar os direitos e deveres, assim como as obrigações perante as con­venções estabelecidas na Carta Magna da Umbanda, no Templo ao qual prática sua fé, na sociedade e no compromisso com os adeptos da religião.

Todos devem se aprimorar no seu comportamento religioso, cultural e pessoal, tendo em mente a sua evolução, mantendo sempre uma relação saudável de cooperação, com os médiuns, entre os sacerdotes e os adeptos da religião. A tradição religiosa compreende que a hierarquia é a melhor maneira de organização, respeitar os mais velhos é mandamento claro de aprendizado e evolução na Umbanda.

No contexto religioso de Umbanda, a ética e a moral significa fa­zer o bem para todos os seus religiosos, ou não, sendo inclusiva aos membros de toda a sociedade, em um Universo solidário aos seres humanos e a natureza genética, estabelecendo normas e regras à formação, o aprimoramento dos dirigentes espirituais, médiuns de umbanda e simpatizantes.

É fundamental definir e distinguir que Moral: Cristã (vinda das grandes e fortes religiões); Moral Umbandista (a ser construída) sob a influência do espiritualismo cristão, espiritismo, pajelança dos nativos da terra e africanismo, e outras vertentes correlatas.

ÉTICA E MORAL RELIGIOSA

A ética determina os valores morais da sociedade, dentro das ações religiosas age como instrumento regulador indicando o com­portamento adequado dos seguidores, adeptos e simpatizantes.

Se tratando do documento Carta Magna da Umbanda é imperioso termos normativas que se tornam essenciais para que os aspectos éticos e morais sejam defendidos. Embora o referido documento não adentre nas ações internas litúrgicas, apontamentos devem existir no tocante a defesa e distinção dos trabalhos de ordem religiosa que de fato é entendido como Umbanda. Entende-se que características de ação religiosa envolve a elevação e compreensão do indivíduo peran­te interpretações da criação para com a criatura. Dentro das caracte­rísticas totais onde se engloba variantes e realidades interpretativas, a Umbanda jamais atua com suas aplicações religiosas contra aspec­tos de cunho ético e moral. Todo adepto tem por obrigação:

  • Tratar todos com igualdade e respeito
  • Respeitar a hierarquia dentro do culto
  • Agir utilizando a espiritualidade como ferramenta de eleva­ção e evolução espiritual
  • Ensinar os que menos sabem
  • Entender a diversidade religiosa na Umbanda com idiossin­crasias peculiares a esta comunidade, observando a regiona­lidade e vertente ou modalidade.

A Umbanda se destaca com sua força espiritual de combate con­tra características que impedem a elevação e evolução do indivíduo. Entende-se que impede a evolução espiritual:

  • Atuar com a espiritualidade atingindo pessoas negativamen­te, como amarrações, trabalhos negativados que se utilizam dos arquétipos e símbolos sagrados pertencentes à religião de Umbanda.
  • Difundir imagens e palavras que não coadunam com a Um­banda e a espiritualidade em geral
  • Desrespeitar os direitos humanos defendidos neste docu­mento
  • Agir em redes sociais desequilibradamente atingindo pes­soas que possuem trabalhos ou pensamentos diferentes.

DISPOSIÇÕES GERAIS

  • Dentro do cunho litúrgico os dirigentes (sacerdotes) bem como médiuns representam uma religião denominada de Umbanda, cujo suas bases, estão fundamentadas em um culto a natureza, seguindo as premissas descriminadas no documento Carta Mag­na da Umbanda. Dirigentes e o corpo mediúnico bem como os seguidores (assistidos) são representantes de maneira direta da religião, sendo assim o comportamento reflete para a sociedade e frequentadores o significado pontual do que significa a Umbanda.
  • Todos os frequentadores da religião de Umbanda possuem o dever de zelar pelo espaço religioso, no trato educado uns com os outros.
  • A liturgia de Umbanda fundamenta-se em Deus, nos Orixás, guias e mentores, forças de direita e esquerda. Segue um padrão em abertura de sessões respeitando esta hierarquia, onde o di­rigente, ou um médium devidamente preparado e apontado pelo sacerdote, faz a abertura das sessões religiosas determinando o andamento dele.
  • O corpo mediúnico dividido de acordo com a normativa da ver­tente ao qual o terreiro está fundamentado sendo de responsabi­lidade do dirigente tudo que ocorre dentro da sessão, que deve respeitar os fundamentos da base geral para todas as vertentes. Ensinar que cremos em Deus, nos sagrados Orixás, nos guias, com ênfase na fé, amor ao próximo, no perdão e humildade!
  • Os trabalhos devem seguir o padrão de cunho elevado, não sendo aceito nenhum tipo de palavra de baixo calão, roupas de­cotadas ou inadequadas a um trabalho litúrgico.
  • Os médiuns devem receber os preparos adequados seguindo as normativas da vertente ao qual pertence sendo de total respon­sabilidade do dirigente.
  • É de responsabilidade total do dirigente todo tipo de recomen­dação dos guias manifestados nos médiuns que compõem o cor­po mediúnico. Tendo o dever de averiguar o que foi passado por escrito aos frequentadores pelos cambonos.
  • Os cambonos dentro da sessão religiosa devem estar ao lado do assistido para orientá-lo junto ao guia na consulta, tendo a responsa­bilidade de jamais falar o que se passou na orientação espiritual.
  • O respeito entre irmãos, bem como fazê-los compreender uns aos outros é função do dirigente ensinar a fraternidade, humildade e respeito ao próximo.
  • Bebidas alcoólicas bem como o uso de cigarros, charutos e ca­chimbos fazem parte do arsenal de umbanda. O consumo destes elementos precisa ser explicado pelo dirigente como agentes de assepsia, descarrego energização, entre outros, descaracterizan­do os aspectos nocivos.
  • Sendo uma religião de culto a natureza não jogamos lixo nas matas, mar, rios ou cachoeiras. Os despachos devem ser colo­cados em locais preparados para esta finalidade para em tempo correto ser descartado.
  • Trabalhos onde envolve arma branca, como facas, punhais, es­padas, ou qualquer outro elemento perfurante, devem ser supervi­sionados pelo dirigente que é responsável por qualquer incidente.
  • A utilização de fundanga (pólvora), ou álcool para fins de pro­duzir fogo, só com a supervisão do dirigente responsável.
  • Dentro das sessões espirituais, bem como dentro das depen­dências onde é exercido trabalho litúrgico é proibido o uso de apa­relho celular.
  • Fotos, imagens e filmagens de trabalhos onde está sendo exe­cutado fundamento não pode estar sendo disponibilizados em redes sociais para que não haja a profanação do sagrado.
  • O religioso de Umbanda tem os sacramentos que garantem o batismo, casamento e ritual fúnebre, sendo dever o seguidor valo­rizar estes fundamentos.
  • Fica vetado o uso de qualquer bebida, ou droga ilícita dentro do rito de Umbanda. Bebidas alcoólicas ritualísticas como a cachaça, vinhos, licores são base de assepsia espiritual e devem ser utili­zados com esta finalidade.
  • Mulheres grávidas, idosos, pessoas com deficiência física, bem como qualquer pessoa que esteja necessitando de cuidados especiais devem ter atenção preferencial.
  • Os terreiros de Umbanda devem estas adequadas às normas Municipais, Estaduais e Federais vigentes, sendo de responsa­bilidade do dirigente adaptar sua casa junto a um Órgão Munici­pal, estadual ou Nacional com competência para documentar sua casa.
  • O dirigente tem por obrigação instruir os adeptos do terreiro afim de não comprometer o entendimento real da religião de Um­banda, principalmente sobre exu e pomba-gira (exu feminino). Um aspecto muito grave e que avilta a imagem dos cultos afros é o travestismo, entidades não precisam de adereços humanos para se manifestar, é de suma importância desvincular Exu da figura diabólica e da maldade.
  • A Umbanda não faz amarrações e não compactua com traba­lhos de ordem degenerativa que atente contra terceiros. A Umban­da combate tais práticas e repudia tais comportamentos.
  • A Umbanda possui preceitos e deveres que deve ser seguido e respeitado por seus adeptos, dentro da doutrina pertencente.
  • O dirigente espiritual tem a responsabilidade sobre o corpo me­diúnico, dentro e fora do terreiro em sua parte espiritual, assim como o dever de instruir e direcionar sem que haja cobrança mo­netária para tanto, cabe ao dirigente espiritual o desafio da con­duta Ética, com retidão Moral e Religiosa, de forma pública e ou privada.
  • A Umbanda não compactua com propagandas colocadas em postes, outdoor, ou em qualquer tipo de placa, ou mídia social que não estejam dentro da ética e moral conforme estabelecido neste documento. Indicando facilidades ou trabalhos diversos utilizando dos ícones e simbologias sagradas.

Neste momento é oportuno, ensinar aos frequentadores e simpati­zante o que é Religião e que sua meta principal é a evolução humana, de forma a ser solidário com as demais formas de interpretação litúr­gica. Todas as religiões são boas e somos todos iguais perante Deus!

ORGANIZAÇÃO RESPONSÁVEL PELO DOCUMENTO CARTA MAGNA DA UMBANDA

Saravá fraterno a toda comunidade umbandista.

Respeitando toda a trajetória deste trabalho, vendo o quanto a religião se transforma e amadurece a cada dia, seguindo sempre a evolução natural do entendimento sobre a espiritualidade, fica reg­istrado como órgão mantenedor e regulador o INSTITUTO CARTA MAGNA DA UMBANDA.

Dentro do Instituto carta magna da Umbanda, estão as principais instituições que deliberaram sobre os temas elaborados de maneira minuciosa, respeitando sempre o pensamento e critérios, da maioria dos participantes em sua elaboração.

Embora o projeto esteja finalizado, pronto como instrumento com base acadêmica, humanitária, cultural e religiosa, o intuito é de sempre manter aberto o documento para sua lapidação. Esta é uma grande vitória sobre a liberdade e expressão dos valores que carregamos, é uma ferramenta de defesa sobre práticas espirituais centenárias, valorizando todo aquele que é iniciado no culto de UMBANDA!

Aqui está a realização de um momento histórico de fixação dos valores que a Religião de Umbanda possui, onde o respeito à nossa ancestralidade e tradição da caminhos para que todos estejam dentro da evolução natural proposta pelos nossos guias, mentores e prote­tores. Legitima-se a UMBANDA dentro da essência Do Criador e dos Orixás.

A Carta Magna, desde sua concepção, é um trabalho para a Um­banda, não sendo em hipótese alguma vinculado à ação de uma úni­ca pessoa, mas sim de uma organização que representa e legítima o trabalho em prol de toda uma comunidade religiosa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Carta Magna da Umbanda é um documento único, um instrumen­to de libertação, de esclarecimentos e de legitimidade da religião, é a Identidade da Umbanda.

Trilhar um caminho religioso requer fé, amor e direcionamento, para conhecê-lo é preciso interpretá-lo com destreza, humildade e sabedoria sem deixar quaisquer dúvidas aos que estão ao seu redor, se faz neces­sário fundamento. Aqui encontramos respostas que fundamentam de maneira definitiva os conceitos da Umbanda, respeitando sua dinâmica e sua imensa diversidade. Os Religiosos Umbandistas são contempla­dos nestas linhas que detalham o que realmente é a Umbanda, sabemos que se trata de ferramenta de estudo profundo feito por médiuns, orien­tado por nossos guias espirituais e com a aprovação e embasamento de alguns de nossos Baluartes da Umbanda de vários Estados de nosso País, que ilustraram esta obra através dos depoimentos.

Interpretar a Umbanda se faz necessário para que possamos trilhar o caminho do conhecimento e da fé. Mostramos este documento para a sociedade em geral e principalmente a outros segmentos religiosos que muito se equivocam sobre a Umbanda e o que somos, buscamos assim excluir o preconceito e a discriminação.

A Carta Magna torna-se referência religiosa, direcionadora de nos­sas ações e pensamentos, munindo todos os irmãos com seu exemplo de união, respeito, bondade e resignação apontados em suas linhas. Conhecer a teoria, respeitar a tradição e buscar incessantemente cola­borar com a Umbanda é fazer parte da evolução.

Novos tempos surgirão, outros médiuns receberão informações que contribuirão ainda mais com a melhoria da humanidade, mas que pos­samos abraçar a Carta Magna da Umbanda como base segura, como pilares que sustentarão nossa fé.

Pai Ortiz Belo de Souza.