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set 25 2015

Viva Cosme, Damião e Doum

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No mês de setembro são realizadas as comemorações de São Cosme e São Damião, assim, achamos importante explicar essa tradição contando um pouquinho da história. São Cosme e São Damião são considerados os padroeiros dos médicos, faculdades de medicina e dos farmacêuticos, e por causa da sua simplicidade e inocência também são lembrados como os protetores das crianças. Como acontece com tantos outros santos, a vida dos santos gêmeos está mergulhada em lendas misturadas à história real.

Segundo algumas fontes eles eram árabes e viveram na Ásia Menor, às margens do Mediterrâneo, por volta do ano 300 D.C. Praticavam a medicina e curavam pessoas e animais, sem nunca cobrar nada, motivo pelo qual eram chamados de “anárgiros”, ou seja, aqueles que não toleram o dinheiro. O culto aos dois irmãos é muito antigo, havendo registros sobre eles desde o século V, que relatam à existência, em certas igrejas, de um óleo santo, que lhes levava o nome, que tinha o poder de curar doenças e dar filhos às mulheres estéreis.

Para os católicos, a data é comemorada no dia 26 de setembro, lembrando os jovens que pregavam os ensinamentos de Jesus Cristo que ficaram conhecidos porque curavam pessoas e animais gratuitamente. Em suas ações de caridade e evangelização, distribuíam doces a crianças o que marcou a fortemente a sua relação com as crianças.

No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é comemorado no dia 27 de setembro.

Para os adeptos do Candomblé, eles são referenciados como os Orixás Ibejis (ib: nascer; eji: dois). São filhos gêmeos de Xangô e Iansã, que em troca por brinquedos e doces resolviam os problemas levados a eles. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Doum, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças.

Segundo a lenda, um dos irmãos morreu afogado e o outro, extremamente triste, pediu a Olorum, que o levasse também. Foi estabelecida a tradição da imagem em que a figura dos dois apareciam juntas e jamais poderiam ser separadas. A partir de então, as promessas e pedidos passaram a ser feitas para os dois, em conjunto. Os Ibejis são celebrados com cultos próprios durante todo o ano, já que estão ligados a ideia de “criação”, mas devido a convivência com a cultura cristã, também é realizada a festa em setembro.

Já na Umbanda, celebra-se Cosme e Damião e os Erês (crianças da Umbanda) e não os Ibejis, na mesma data, fruto do sincretismo, que fez com que os escravos trazidos da África para o Brasil acabaram por associar as suas divindades aos santos católicos para poderem realizar seus cultos.
Uma característica marcante na Umbanda relação às representações de São Cosme e São Damião é que junto aos dois santos católicos aparece uma criancinha vestida igual a eles. Essa criança é chamada de Doúm ou Idowu, que personifica as crianças com até sete (7) anos, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade. Conta-se que era filho de uma empregada da família dos gêmeos, e que morreu no dia seguinte ao martírio dos irmãos, e foi levado por eles que o amavam muito.

Entre os adeptos da Umbanda, existe a crença de que para cada dois gêmeos que nascem, um terceiro não encarna neste mundo. Mas, embora não apareça de forma física, Doum também é venerado e respeitado como parte da família dos Ibejis, considerado “aquele que não veio”. Por isso, o mito de Doum também serve de consolo quando uma criança desencarna ainda bebê ou no ventre materno. Nesses casos, o desencarne é entendido como o retorno de um desses seres divinos ao mundo do qual não conseguiu se despedir.
Ibejada, Yori, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são os vários nomes que são utilizados indiscriminadamente para essas entidades pelas características comuns, principalmente por se apresentarem com o “cascão” infantil, que quando chegam nos terreiros transformam o ambiente na mais pura alegria.

Evidentemente existe uma relação entre todos, mas não se tratam das mesmas Entidades. Ibejis, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, são Linha de Trabalho que agrupam Guias ou Entidades que se apresentam com o cascão infantil nos Terreiros de Umbanda.

Assim como Cosme e Damião distribuíam doces e guloseimas para as crianças nas suas pregações, a tradição é mantida nos Terreiros e Ilês, pois costuma-se distribuir os doces para os homenagear ou cumprir promessas feitas a eles. Assim, compareça numa das homenagens, leve os seus filhos, pois é um momento ótimo de agradecer a proteção e refazer o laço fraternal com os gêmeos Cosme e Damião, Erês e Ibejis. Traga a irradiação de luz e de pureza junto com você a aproveite para se empanturrar de guloseimas.

Os Terreiros de Umbanda associados e próximos à FUEP tem intensa programação no período, com festas e homenagens que vão desde a sexta-feira, dia 25 até as Giras da semana seguinte.

Saravá os Erês na Umbanda!

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