dez 25 2015

Mãe Stella passará a presentear Iemanjá com cânticos em 2016

Por Meire Oliveira

Mãe Stella afirma que a essência do rito não mudará

Mãe Stella afirma que a essência do rito não mudará

Mãe Stella afirma que a essência do rito não mudará

No artigo não! publicado na edição desta segunda-feira, 21, em A TARDE, a Ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, revelou que, a partir de 2016, o terreiro não irá colocar presentes no mar em homenagem a Iemanjá.

“Meus filhos serão orientados a oferendar Iemanjá com harmoniosos cânticos. Quem for consciente e corajoso entenderá que os ritos podem e devem ser adaptados às transformações do planeta e da sociedade”, diz o texto escrito pela líder espiritual do terreiro fundado por Mãe Aninha em 1910.

“A recomendação feita aos iniciados do Afonjá tem lógica, embora seja diferente da estrutura histórica construída ao longo dos anos. Cântico também é uma forma de ofertório. Chama a atenção para a possibilidade de cultuar de outra forma baseada na liberdade litúrgica que toda casa tem de dizer como proceder naquele espaço”, disse o historiador e religioso do candomblé, Jaime Sodré.

Discussão

O religioso destaca ainda a relevância da discussão. “É importante o candomblé discutir assuntos contemporâneos. Mãe Stella está fazendo a comunidade refletir, apesar de já existir uma preocupação ambiental dos pescadores e frequentadores da festa que deve ser intensificada. Mas, uma tradição que se instalou por um longo período precisa do mesmo prazo para ser revertida”, acredita Sodré.

A amplitude da festa em homenagem à Rainha do Mar, realizada no dia 2 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, foi a principal motivação da recomendação de Mãe Stella.

“A festa adquiriu uma amplitude que ultrapassa a religião. No início era um grupo restrito, mas uma multidão, inclusive de seguidores de outras denominações religiosas, coloca presentes no mar e nem tudo faz bem ao meio ambiente”, explica Mãe Stella.

Limite

Portanto, a Ialorixá afirma ainda que as obrigações religiosas não deixarão de ser feitas. “Os ritos se fundamentam nos mitos e nestes estão guardados ensinamentos valorosos. O rito pode ser modificado, a essência dos mitos, jamais!”.

A sacerdotisa aposta que a mudança deve agradar a divindade. “Creio que irá emanar uma energia maravilhosa, pois vai inspirar a criação de canções lindas para Iemanjá, que ficará muito feliz”, disse Mãe Stella. O presente do Ilê Axé Opô Afonjá ocorre no final do ciclo de festas da Casa, no mês de novembro.

O líder espiritual do terreiro Mokambo, Tata de Inquice Anselmo dos Santos, acredita que – preservando o cuidado com o meio ambiente – a tradição deve ser mantida.

“Por conta da consciência ambiental, que tem crescido ao longo do tempo, não acho necessária a retirada dos presentes. No entanto, concordo e opto pela escolha de materiais que não agridam a natureza e que ela tenha facilidade e capacidade de absorver”, afirma.

A questão ecológica durante a Festa de Iemanjá, em fevereiro, tem sido colocada em debate há alguns anos. No próximo ano, a campanha “Iemanjá protege quem protege o mar” – promovida pelo grupo Nzinga de Capoeira Angola – completa uma década.

“Fazemos um alerta para que os presentes sejam biodegradáveis, com materiais orgânicos”, disse Paula Barreto uma das coordenadoras do grupo.

Os pescadores da Colônia de Pesca Z1 já fazem uma seleção de resíduos dos presentes que são levados ao mar junto com o presente principal feito de material biodegradável.

Procurado para falar sobre assunto, o presidente da Colônia Z1, Marcos Souza, não respondeu até o fechamento desta edição.

Desafio

Não é a primeira vez que a Ialorixá que assumiu o Ilê Axé Opô Afonjá desde 1976 propõe discussões dentro da religião.

Na década de 80, Mãe Stella foi a autora de um manifesto que orientava o afastamento do sincretismo – associação entre santos católicos e Orixás, Inquices e Voduns -, prática comum, na época, que estabelecia algum tipo de correspondência dos ritos realizados no candomblé com o catolicismo.

Na ocasião, o documento também foi assinado por sacerdotisas como Mãe Menininha, Olga do Alaketu e Doné Ruinhó.

fonte: http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1734285-mae-stella-passara-a-presentear-iemanja-com-canticos-em-2016, recebido pelo e-mail da RBU.

dez 24 2015

Feliz Natal e Ano Novo

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O Natal deve servir também para refletir sobre as nossas ações na construção de um mundo melhor, mais justo e mais igual.

O “espírito natalino” lembra as pessoas os sentimentos de fraternidade e solidariedade que no restante do ano ficam meio esquecidos.

Lembremos então do Cristo, que em sua passagem terrena nos ensinou: Ama o próximo, como a ti mesmo!

Que juntos possamos vivenciar, sinceramente, esse ensinamento em todos os dias, transformando e melhorando as nossas relações com a humanidade e com as demais criaturas do planeta, estabelecendo um ambiente de paz, amor e harmonia.

Feliz Natal, com as bênçãos de Oxalá!

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Um ano novo já desponta no horizonte, abrindo outra etapa em nossa existência. Feliz daqueles que tiveram a ideia de fatiar o tempo, as esperanças renovam-se.

Assim, desde o seu primeiro dia nos é dada a oportunidade de reviver experiências, mas, também, e principalmente, apostar num futuro melhor e na perspectiva das novidades que se apresentarem.

A nossa vida é um movimento auto criador no qual temos a obrigação de ser os protagonistas, os atores principais, mas também o roteirista, pois somente com as escolhas do dia a dia, exercitando o livre arbítrio, estabelecemos o roteiro que queremos seguir. E não tem como parar, um roteiro escrito durante o desenrolar do espetáculo.

Nele, nos desnudamos e revelamos a nós mesmos e ao mundo as potencialidades do nosso ser e tudo o que se passa em nossos corações e mentes. Ao assumir o protagonismo dessa nossa existência, movida pela busca constante da felicidade e da realização plena, em todas as dimensões, a cada novo ano nos é dada uma oportunidade concreta e visível de recomeço, de correção de rumos ou ajuste dos ideais que escolhemos.

Da mesma forma, a cada nova etapa somos convocados a reforçar, o sentido que damos a da nossa existência, bem como o esforço exigido pelo trabalho de planejar as ações seguintes, visualizando um novo amanhã. Daí, direcionamos os nossos passos com “coragem” para seguir em frente, “sabedoria” para escolher, “satisfação” avaliando o caminho trilhado, e a “certeza” de um futuro melhor e mais promissor, consubstanciado na oportunidade de participar ativamente da construção de um mundo mais justo, mais fraterno e mais igualitário.

Dentre as diversas dimensões que compõe a “criatura humana”, a espiritualidade representa essa oportunidade, para as trocas que instrumentalizam a nossa jornada e contribuem para que nos reconheçamos uma pequena parte de um todo muito maior que a mera soma das individualidades.

Entendemos que somos ao mesmo tempo criadores e criaturas, e das mais diferentes formas, descobrimos o conhecimento, a sabedoria e o legado daqueles que nos precederam. A partir disso, buscamos o compartilhamento com aqueles que convivem conosco, a busca pela evolução, missão primeira do ser ora encarnado enriquecendo a nossa história, agora compartilhada com os outros. E assim, nessa união obtendo pequenas ou grandes vitória, vamos imprimindo a marca nessa passagem pelo planeta, tornando-nos então, referências para os que vierem depois de nós.

Descobrimos que a realidade é diferente da impressão que temos da vida, que não pode ser limitada somente aquilo que está no nosso campo visual, mas sim numa plêiade de dimensões, desejos e sonhos, que ao fim e ao cabo nos fazem melhor compreendê-la, e, a importância dos seus desafios e das suas recompensas, e assim nos capacitamos a contemplar o mundo, a refletir sobre a nossa vida e encontrar o significado dessa encarnação terrena.

Pense nisso!

Os Conselhos Deliberativo e Fiscal e a Direção Executiva da FUEP desejam a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações, com todo o Axé dos Orixás e as bênçãos dos Guias de Luz da nossa Umbanda!

Saravá! Feliz Ano Novo!

set 25 2015

Viva Cosme, Damião e Doum

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No mês de setembro são realizadas as comemorações de São Cosme e São Damião, assim, achamos importante explicar essa tradição contando um pouquinho da história. São Cosme e São Damião são considerados os padroeiros dos médicos, faculdades de medicina e dos farmacêuticos, e por causa da sua simplicidade e inocência também são lembrados como os protetores das crianças. Como acontece com tantos outros santos, a vida dos santos gêmeos está mergulhada em lendas misturadas à história real.

Segundo algumas fontes eles eram árabes e viveram na Ásia Menor, às margens do Mediterrâneo, por volta do ano 300 D.C. Praticavam a medicina e curavam pessoas e animais, sem nunca cobrar nada, motivo pelo qual eram chamados de “anárgiros”, ou seja, aqueles que não toleram o dinheiro. O culto aos dois irmãos é muito antigo, havendo registros sobre eles desde o século V, que relatam à existência, em certas igrejas, de um óleo santo, que lhes levava o nome, que tinha o poder de curar doenças e dar filhos às mulheres estéreis.

Para os católicos, a data é comemorada no dia 26 de setembro, lembrando os jovens que pregavam os ensinamentos de Jesus Cristo que ficaram conhecidos porque curavam pessoas e animais gratuitamente. Em suas ações de caridade e evangelização, distribuíam doces a crianças o que marcou a fortemente a sua relação com as crianças.

No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é comemorado no dia 27 de setembro.

Para os adeptos do Candomblé, eles são referenciados como os Orixás Ibejis (ib: nascer; eji: dois). São filhos gêmeos de Xangô e Iansã, que em troca por brinquedos e doces resolviam os problemas levados a eles. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Doum, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças.

Segundo a lenda, um dos irmãos morreu afogado e o outro, extremamente triste, pediu a Olorum, que o levasse também. Foi estabelecida a tradição da imagem em que a figura dos dois apareciam juntas e jamais poderiam ser separadas. A partir de então, as promessas e pedidos passaram a ser feitas para os dois, em conjunto. Os Ibejis são celebrados com cultos próprios durante todo o ano, já que estão ligados a ideia de “criação”, mas devido a convivência com a cultura cristã, também é realizada a festa em setembro.

Já na Umbanda, celebra-se Cosme e Damião e os Erês (crianças da Umbanda) e não os Ibejis, na mesma data, fruto do sincretismo, que fez com que os escravos trazidos da África para o Brasil acabaram por associar as suas divindades aos santos católicos para poderem realizar seus cultos.
Uma característica marcante na Umbanda relação às representações de São Cosme e São Damião é que junto aos dois santos católicos aparece uma criancinha vestida igual a eles. Essa criança é chamada de Doúm ou Idowu, que personifica as crianças com até sete (7) anos, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade. Conta-se que era filho de uma empregada da família dos gêmeos, e que morreu no dia seguinte ao martírio dos irmãos, e foi levado por eles que o amavam muito.

Entre os adeptos da Umbanda, existe a crença de que para cada dois gêmeos que nascem, um terceiro não encarna neste mundo. Mas, embora não apareça de forma física, Doum também é venerado e respeitado como parte da família dos Ibejis, considerado “aquele que não veio”. Por isso, o mito de Doum também serve de consolo quando uma criança desencarna ainda bebê ou no ventre materno. Nesses casos, o desencarne é entendido como o retorno de um desses seres divinos ao mundo do qual não conseguiu se despedir.
Ibejada, Yori, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são os vários nomes que são utilizados indiscriminadamente para essas entidades pelas características comuns, principalmente por se apresentarem com o “cascão” infantil, que quando chegam nos terreiros transformam o ambiente na mais pura alegria.

Evidentemente existe uma relação entre todos, mas não se tratam das mesmas Entidades. Ibejis, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, são Linha de Trabalho que agrupam Guias ou Entidades que se apresentam com o cascão infantil nos Terreiros de Umbanda.

Assim como Cosme e Damião distribuíam doces e guloseimas para as crianças nas suas pregações, a tradição é mantida nos Terreiros e Ilês, pois costuma-se distribuir os doces para os homenagear ou cumprir promessas feitas a eles. Assim, compareça numa das homenagens, leve os seus filhos, pois é um momento ótimo de agradecer a proteção e refazer o laço fraternal com os gêmeos Cosme e Damião, Erês e Ibejis. Traga a irradiação de luz e de pureza junto com você a aproveite para se empanturrar de guloseimas.

Os Terreiros de Umbanda associados e próximos à FUEP tem intensa programação no período, com festas e homenagens que vão desde a sexta-feira, dia 25 até as Giras da semana seguinte.

Saravá os Erês na Umbanda!

set 18 2015

Semana da Cultura de Paz – 2015

Semana da Cultura de Paz – 2015

Cartaz - Semana da PAZ. Conpaz - PR - Conselho Parlamentar     pela Cultura da PAZ - PR.

Com muita satisfação comunicamos os eventos alusivos a Semana da Cultura de Paz, numa realização do Conselho Estadual da Paz em conjunto com diversas Entidades e Instituições, para os quais contamos com a sua participação.

Propagar a não violência é uma das melhores maneiras de construirmos um mundo melhor.

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A FUEP participa ativamente do Conselho Estadual da Paz, fomentando o diálogo inter-religioso, pois entendemos que é assim desmistificam-se os ritos e as liturgias e se aprende a conhecer as práticas do outro, que não é melhor nem pior… é apenas diferente.

Programação:

20/9 – Domingo – Atletiba – Ação pela paz.
Local: Estádio Couto Pereira – Alto da XV.
Hora: 18h30m

21/9 Segunda-feira – Sessão Solene – Grande expediente.

– Entrega de diplomas às entidades a partir das 14h no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (com transmissão ao vivo pela TV SINAL).
– Ação pela paz com entrega de mudas – Grupo Pachamama

22/9 Terça-feira

– Audiência pública das 08h às 12h
Local: Instituto Federal do Paraná – Campus Curitiba – Auditório Rua: João Negrão 1.285 / Rebouças

– Seminário Direitos Humanos em Debate – 14h às 17h
Local: Instituto Federal do Paraná – Campus Curitiba – Auditório Rua: João Negrão 1.285 / Rebouças.

– Audiência pública a partir das 19h na Regional CIC.
Local: Rua Manoel Valdomiro de Macedo nº 2.460.

Participantes:
Cerys Tramontin (Paz e Mente – SC) – Cultura de Paz e transformação de conflitos.
Hamilton Faria (Instituto Pólis – SP) – Movimentos sociais e Cultura de Paz.
Dra. Larissa Muniz (Ponta Grossa) – Justiça restaurativa e Cultura de Paz.
Maria Ferreira de Souza – Gestão pública e Cultura de Paz. (Diretora do Departamento de Humanidades / Prefeitura de Santo André-SP).
Valmir Biaca – Diálogo inter-religioso – Associação Inter-Religiosa de Educação – ASSINTEC.

23/9 Quarta-feira

– Audiência Pública das 08h30min às 13h
Local: Plenarinho da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná.
Praça Nossa Senhora de Salette s/n – Centro Cívico.

Participantes:
Elen Fabiana Tenório Camilo Luz – Sociedade Civil e Cultura da Paz Conpaz, Londrina.
Goura (Biclicletaria Cultural/ Iguaçu – Cwb) – Urbanismo da não violência.
Paulo Vieira – Diálogo inter-religioso. (Federação Umbandista do Estado do Paraná – FUEP)
Áureo Simões – Mediação e conflitos e cultura da Paz (Associação Brasileira de Árbitros e Mediadores – ABRAME).
Dra. Thaisa Oliveira – Defensoria pública e Cultura da Paz.
Ney Salles – Educação e Cultura de Paz (Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

– Seminário Direitos Humanos em Debate – 14h às 17h

Local: Instituto Federal do Paraná – Campus Curitiba – Auditório Rua: João Negrão 1.285 / Rebouças.

24/9 Quinta-feira

Culto Ecumênico pelo diálogo inter-religioso.
Local: Terreiro de Umbanda Das Marias
Rua Ulisses Vieira 1.450, a partir das 20h.

25/9 Sexta-feira

Encontro dos MCs pela Paz.
Local: Ruínas de São Francisco às 19h.

27/9 Domingo

Orquestra Sinfônica do Paraná – Concerto da PAZ.
Local: Teatro Guaíra às 10h.

jul 09 2015

Balé Folclórico da Bahia (BFB)

Balé Focl Bahia

O internacionalmente aclamado Balé Folclórico da Bahia apresenta espetáculo inédito em Curitiba

“Somos, provavelmente, um dos maiores embaixadores da cultura popular brasileira para o mundo inteiro e temos divulgado a Bahia em todo planeta”, destaca Vavá Botelho, diretor do Balé

Única companhia profissional de dança folclórica do país em atividade, o premiado Balé Folclórico da Bahia (BFB) leva o espetáculo “Herança Sagrada – A Corte de Oxalá” para Curitiba, no dia 20 de agosto, às 21 h no Teatro Positivo (Grande Auditório). A turnê, inédita na região Sul, conta com o patrocínio de “O Boticário na Dança”. Em “Herança Sagrada”, os bailarinos reproduzem com fidelidade sequências de movimentos de alguns dos mais importantes rituais do Candomblé, numa coreografia baseada em danças do culto afro-brasileiro. O espetáculo, que já foi aplaudido nos Estados Unidos, Europa, Caribe, Oceania e África, conta com direção geral de Walson (Vavá) Botelho e direção artística de José Carlos Santos (Zebrinha).

No palco, 26 bailarinos, músicos e cantores apresentam movimentos vibrantes e sonoridade arrebatadora. A segunda parte do espetáculo reúne coreografias clássicas do repertório do Balé, que traduzem as mais importantes manifestações folclóricas baianas, em “Puxada de Rede”, “Capoeira” e “Samba de Roda”, além de “Afixirê”, coreografia inspirada na influência dos escravos africanos na cultura brasileira.

Em maio, o Balé Folclórico da Bahia foi a companhia convidada especial do Dance África, em Nova York, onde fez apresentações do espetáculo “Herança Sagrada” durante dez dias, sempre com a casa cheia. A repercussão e o sucesso do grupo renderam destaque em matéria de página inteira no The New York Times. O festival, que acontece há 38 anos no BAM (Brooklyn Academy of Music), é um dos principais eventos de dança africana e cultura negra dos EUA. O Balé foi homenageado por todos os grupos de dança participantes, que subiram ao palco e fizeram junto com a companhia a coreografia Afixirê, uma das principais do Balé Folclórico. Em Yorubá, Afixirê significa “festa da felicidade”.

“O espetáculo já é consagrado internacionalmente, agora precisa ser conhecido pelos brasileiros”, afirma Vavá Botelho, fundador e diretor geral do Balé Folclórico da Bahia. A companhia aclamada mundialmente já se apresentou em 24 países. “Manter uma equipe que se dedica à dança em regime integral, com intenso preparo técnico, físico e muita pesquisa, é uma luta diária. Poucas companhias de dança privadas sem patrocinador regular conseguem existir por tanto tempo, mantendo um nível de excelência técnica tão elevado e respeito do público e da crítica”, afirma Vavá.

O Balé arrebatou a admiração da poderosa Anna Kisselgoff, crítica de dança do The New York Times. “O prazer dos dançarinos, músicos e cantoras em fazer o que eles fazem sobre o palco é tão obviamente parte da vida deles que contagia todo o teatro”, escreveu Kisselgoff. “Eu já assisti seus maravilhosos bailarinos em diferentes países, sempre se comunicando com o público. Crianças e adultos são tomados de imediato pelos ritmos e encantos de sua arte”, declarou a jornalista numa das suas criticas para o jornal norte-americano.

Reconhecida pela Associação Mundial de Críticos como a melhor companhia de dança folclórica do mundo, o Balé Folclórico da Bahia já formou mais de 700 bailarinos. A maioria deles de origem muito simples, que aprenderam os primeiros passos de dança no Balé e hoje brilham em grandes companhias internacionais do mundo. “Além do trabalho artístico, temos uma função social”, destaca Vavá Botelho.

Sobre o Balé Folclórico da Bahia.

O premiado Balé, que completa 27 anos em agosto de 2015 e já se apresentou em mais de duzentas cidades e 24 países, incluindo Estados Unidos, Itália, Inglaterra, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Nova Zelândia, Austrália, Alemanha, França, Holanda, Suíça, México, Chile, Colômbia, Finlândia, Suécia e África do Sul, dentre outros.

Com sede no Pelourinho, em Salvador, atualmente, o BFB funciona em regime integral de seis horas de trabalho por dia. Os 40 integrantes da companhia – dançarinos, músicos e cantores – recebem preparação técnica para dança, música, capoeira, canto e teatro. Para preservar e divulgar as principais manifestações folclóricas da Bahia, o Balé desenvolveu uma linguagem cênica que parte dos aspectos populares e atinge questões contemporâneas. O Balé também possui um segundo corpo de baile, que realiza espetáculos, diariamente, no Teatro Miguel Santana, no Pelourinho, tendo como público, principalmente, turistas estrangeiros e de outros estados do Brasil, há 20 anos.

Sobre O Boticário na Dança.

A dança é a arte que transforma movimento em beleza. E por acreditar no poder transformador da beleza, O Boticário criou um programa de patrocínios a projetos culturais voltado exclusivamente para a essa área: O Boticário na Dança. A finalidade é fortalecer a produção cultural de grupos, criadores e artistas, e estimular a formação de plateia e talentos para a área. Os apoios são direcionados a festivais, mostras, espetáculos, manutenção de companhias, livros e periódicos, sites, cursos, workshops, oficinas, palestras, fóruns, produção e exibição de vídeos, filmes e exposições. Projetos do Brasil inteiro, aprovados em leis de incentivo à cultura (Federal/MinC ou estaduais), podem se inscrever, e são selecionados por meio de um Edital lançado anualmente no site boticario.com.br/danca. O Festival O Boticário na Dança é mais uma iniciativa do programa, criado para celebrar a cultura e oferecer ao público brasileiro o que há de mais belo, inovador e contemporâneo no cenário da dança.

Reconhecimento

Além do reconhecimento do público e da crítica especializada, o Balé coleciona inúmeros prêmios e conquistas importantes. Em novembro de 2013, durante sua 12ª turnê pela América do Norte, o Balé Folclórico da Bahia (BFB) foi homenageado em Atlanta, capital da Geórgia (EUA). A prefeitura de Atlanta declarou o dia 1º de novembro como o Dia do Balé Folclórico da Bahia no calendário oficial da cidade. Em dezembro do mesmo ano, a companhia ganhou nome de rua na cidade de Aného, no sudeste do Togo, perto da fronteira com o Benim, durante curta temporada na África.

A companhia já foi capa do The Village Voice, uma das mais importantes publicações culturais em Nova York. Ganhou inúmeras matérias de página inteira no The New York Times e foi notícia de destaque em vários outros jornais do mundo. Na turnê norte-americana, realizada em 2011, o jornal “The New York Times” publicou em duas páginas a manchete: “Jornadas Fantásticas – Quando o Balé Folclórico da Bahia aporta em Nova York é tempo de festa”.

Em 1994, a Associação Mundial de Críticos reconheceu o BFB como a melhor companhia de dança folclórica do mundo. Ao longo dos seus 25 anos, o Balé conquistou vários prêmios e reconhecimento. Dentre eles: o Prêmio Fiat (oferecido pela Fiat do Brasil como a melhor companhia de dança do país em 1990); o Prêmio Estímulo (oferecido pelo Ministério da Cultura como a melhor companhia de dança do país e melhor espetáculo de dança do país em 1993); o Prêmio Mambembão (oferecido pelo Ministério da Cultura como a melhor pesquisa em cultura popular e melhor preparação técnica de elenco em 1996); o Prêmio Bom do Brasil (oferecido pela Varig como um dos cinco mais importantes projetos sócio-culturais existentes no país em 2004) e o Prêmio Mérito ao Turismo (oferecido pela ABRAJET – Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo pelos serviços prestados ao turismo no estado).

Desde 1993, sob a direção artística de José Carlos Arandiba (Zebrinha), a companhia atingiu um nível de aprimoramento técnico-interpretativo, que despertou a atenção dos mais exigentes profissionais e críticos da área de dança. A Bahia, celeiro das manifestações populares no país, tem sido a maior inspiração para as pesquisas do Balé, que através da dança, música e de outras expressões que compõem o espetáculo consegue legitimar o folclore baiano em suas coreografias.”O nosso grande objetivo é a educação. Meu principio é que cada pessoa faz seu caminho.

No Balé, há pessoas de todas as faixas etárias e de todas as classes sociais. A partir do momento que alguém entra por nossa porta, deixa fora um monte de estigma,” afirma o diretor artístico.

PROGRAMA “HERANÇA SAGRADA – A CORTE DE OXALÁ”

Coreografia: Walson Botelho e Zebrinha
Música: cânticos sagrados do candomblé

Nos mais de 300 anos de colonização portuguesa, milhões de escravos foram trazidos para o novo mundo. Como principal forma de resistência à sua identidade cultural, esses africanos mantiveram a sua manifestação religiosa. Herança Sagrada celebra esta rica tradição trazendo à cena alguns dos mais belos e importantes rituais da religião Yorubá, como uma das mais antigas e sagradas religiões da história da humanidade.

Em “Herança Sagrada”, Obatalá, criador do universo yorubá, coloca na Terra seu primeiro filho e Orixá, Exú, principal mensageiro entre os segredos do Orun (firmamento) e o Aiyê (a terra). Exú fica como responsável por dar vida a todos os seres animados, criando o mundo real.

Durante os rituais festivos, novos adeptos são iniciados saudados pelas Divindades do panteão religioso africano, a exemplo de OGUM, que rege a força da natureza contida no ferro e nas guerras; OXUM, a Deusa da vaidade e da beleza, que rege a força das águas doces; OBALUAIYÊ, Orixá das enfermidades, das doenças contagiosas e da morte; IANSÃ, que representa a força dos ventos e das tempestades e OXOSSI, divindade protetora das florestas.

· EXÚ – Divindade enviada por Olorum, o Deus Supremo, para criar o mundo real. Este Orixá brincalhão, dono das encruzilhadas e estradas é reverenciado sempre em primeiro plano como forma de agradá-lo, pois Ele é o mensageiro entre o Orum e o Ayé (Firmamento e Terra).

· INICIAÇÃO DE YAÔ – Celebração da primeira apresentação pública do novo iniciado na religião. Após um determinado tempo de reclusão,onde recebe o AXÉ que guiará sua vida para sempre, o Yaô é saudado pelos Orixás e pelos demais adeptos do Candomblé.

· XIRÊ – Festa. Comemoração. Sequência de danças dedicadas aos Deuses africanos delineando o aspecto central do ritual: celebração do transe permitindo que os Orixás assumam formas humanas e exibam através de movimentos espontâneos os vários aspectos da sua personalidade, criando temporariamente uma ponte entre o real e o divino.

· OGUM: Orixá que rege os elementos da guerra e do ferro.

· OXUM: Divindade suprema das águas doces, Deusa rainha da vaidade e da beleza.

· OBALUAÊ: Orixá das doenças contagiosas, das pragas e da morte.

· IANSÃ: Deusa guerreira dos ventos, das tempestades. Aquela que foi partida em nove pedaços.

· OXOSSI: Divindade protetora das florestas, dos animais e dos caçadores.

· OXALÁ: Orixá maior do Candomblé. Pai supremo de todas as divindades.

“PUXADA DE REDE”

Coreografia: Walson Botelho
Música: folclore baiano

Manifestação popular ainda encontrada nas praias da Bahia, na qual os pescadores, acompanhados de suas mulheres, saem à noite para a pescaria e durante todo tempo realizam rituais para IEMANJÁ, Deusa do mar, através de cantos

“SAMBA DE RODA”

Coreografia: Walson Botelho
Mise-en-scene: Walson Botelho e Zebrinha
Música: folclore baiano

A dança e o ritmo mais populares na Bahia. O Samba de Roda surgiu como forma de entretenimento entre os escravos durante seus raros momentos de lazer nos fundos das senzalas. A partir de então, tomou várias formas distintas e originou diversos estilos hoje propagados por todo o país, num exemplo que varia entre o samba duro, praticado pelos capoeiristas após as rodas de capoeira, aos pagodes dos morros cariocas e das festas populares na Bahia.

“CAPOEIRA”

Coreografia: Walson Botelho
Mise-en-scene: Walson Botelho e Zebrinha
Música: folclore baiano

Forma de luta marcial que tem como base outras artes marciais e danças trazidas pelos escravos africanos, em especial aqueles vindos de Angola, durante o período colonial. Foi reprimida e proibida a sua execução principalmente em locais públicos até o início da década de 60, quando começou a ganhar força e prestígio através de grandes mestres de capoeira que a levaram para todo o mundo, sendo hoje reconhecidamente a “arte marcial oficial do Brasil”.

“AFIXIRÊ”

Coreografia: Rosângela Silvestre
Música: folclore baiano

AFIXIRÊ, em Yorubá, significa “festa da felicidade”. Uma coreografia inspirada na grande influência que os povos africanos tiveram na formação da cultura brasileira, em especial, na Bahia. Uma verdadeira festa de cores, movimentos e sons.

Serviço:

Espetáculo: “Herança Sagrada – A Corte de Oxalá” – Balé Folclórico da Bahia
Local: Teatro Positivo – Grande Auditório
Data: 20 de agosto
Horário: 21h
Ingressos: R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia entrada)
Classificação: 12 anos

Descontos:

40% para portadores do cartão fidelidade Disk Ingressos. Ingresso: R$ 42,00
50% para assinantes do Gazeta do Povo. Ingresso: R$ 35,00
50% para associados da FUEP. Ingresso: R$ 35,00

Vendas através da DISKINGRESSOS

Balé Folclórico da Bahia - Photo Vinicius Lima (4)

maio 25 2015

Saravá FUEP! Saravá o dia 25/05/1968! Saravá Umbanda!

bolo de aniversario

Durante o ano de 2014 e no início de 2015, ano do 47° aniversário de fundação da FUEP, estamos passando por situações que produziram certo distanciamento de membros ativos dos Conselhos Deliberativo e Fiscal e da Direção Executiva.

Isso determinou inaceitável morosidade na realização das tarefas, desde as mais simples, e principalmente, na execução de novos projetos, que pudessem redundar em melhorias efetivas para os associados, médiuns e simpatizantes, dirigentes e por fim para a Umbanda no nosso estado.

Por ser uma atividade de caráter voluntário, – os dirigentes da FUEP não são remunerados em nenhuma hipótese -, é de se esperar que exista a flexibilização do tempo de cada um, disponibilizando-se quando da assunção dessas tarefas.

Entretanto, os afazeres profissionais e pessoais, aliado ao envolvimento nas funções religiosas e administrativas dos seus Templos, causou relativa paralisia, no encaminhamento do dia a dia da FUEP, que necessitamos urgentemente corrigir.

Principalmente se entendermos que estamos caminhando para o cinquentenário, meio século de existência, data que precisa ser marcada por grandes realizações. Dessa forma, estamos propondo a realização de uma AGE – Assembleia Geral Extraordinária, ainda nesse primeiro semestre, para a qual falta definir o local, a data e o horário. O objetivo dessa AGE, é propor alterações no Estatuto Social e no Regimento Interno que possam ampliar a nossa atuação efetiva, lado a lado com os Umbandistas, que reflita uma atualização, contextualizada com o momento que vivemos, notadamente com relação aos seguintes pontos:

1 – Ampliar a possibilidade de associação dos Templos, retirando as características restritivas, reconhecendo de “direito” a diversidade da Umbanda, que existe de “fato”, refletindo o pensamento de “representar os Umbandistas da porta do templo para fora”, não tendo qualquer ingerência nos rituais e na filosofia do templo.

A FUEP, a partir da atualização do Estatuto Social realizada em 2009, tem por finalidade primeira e maior, congregar e representar institucionalmente os Templos Religiosos Umbandistas (Associações, Cabanas, Centros, Tendas, Terreiros e demais denominações), seus dirigentes, médiuns e frequentadores na busca da legitimação e legalização dos templos, que em decorrência trarão o fortalecimento da Umbanda.

Pela sua característica organizativa, que é a reunião de pequenos grupos de pessoas, em torno de um dirigente, mãe ou pai de santo, que embora tenha sido formado por outro (a) mãe ou pai de santo, ao imprimir as suas características pessoais, saberes e personalidade, forma um terreiro diferente daquele que lhe deu origem, autônomo e independente, com pouca – geralmente em festas -, ou nenhuma relação com outros grupos, avalia-se como imprescindível a existência de uma instância que possa reunir os dirigentes, fiéis e simpatizantes da Umbanda, e cremos que essa instituição é a FUEP.

Assim, é necessário priorizar os aspectos institucionais, políticos e sociais da FUEP, esclarecendo a sua missão cartorial e jurídica, ampliando a representação e descaracterizando a possibilidade de confusão com os aspectos religiosos (ritualísticos e litúrgicos), que são inerentes aos Templos e aos seus dirigentes, médiuns e simpatizantes.

2 – Substituir os dirigentes que se afastaram ou que não tenham disponibilidade para atuarem efetivamente na direção da FUEP, reconstituindo os quadros dos Conselhos Deliberativo e Fiscal e da Direção Executiva, com pessoas que possam voluntariamente dedicar-se à construção da FUEP em todo o nosso estado.

Dessa forma, além das direções sediadas em Curitiba, buscaremos a aproximação com os dirigentes do interior do estado, construindo a efetiva interiorização da FUEP. Para materializar esse objetivo, buscaremos cumprir o Artigo 5°, Parágrafos 4°, 5° e 6° do Regimento Interno, que propõe, respectivamente um calendário de visitas aos templos e a instalação de 8 (oito) sub-sedes regionais, que são propostas:

1 – Campos Gerais: Ponta Grossa e Região 5 – Norte: Londrina e Região

2 – Capital: Curitiba, Região Metropolitana e Litoral 6 – Oeste: Cascavel, Foz do Iguaçu e Região

3 – Centro: Guarapuava, Irati e Região 7 – Sudoeste: Pato Branco e Francisco Beltrão e Região

4 – Noroeste: Maringá e Região 8 – Sul: União da Vitória e Região

3 – Aprovar e iniciar imediatamente novos projetos que possam ampliar o número de associados (coletivos e individuais) no rumo de atingirmos a independência financeira, que nos permita manter uma sede social, onde possamos atender dignamente aos associados.

Um dos projetos que estarão sendo propostos é a criação de um Fundo Mútuo para a Aquisição e/ou Reforma de Imóveis próprios para os Templos Umbandistas, em conformidade com a proposta anexa, que será discutida mais amplamente em reunião específica.

4 – Estabelecer meios de comunicação mais efetivos com os associados de forma e enviar tempestivamente quaisquer assuntos que digam respeito a religião, convites e festividades: Atualização constante do Blog: (http://fuep.blogspot.com), site: (www.fuep.org.br) e constância no envio de e-mails: Umbanda.parana@gmail.com.

Dessa forma, constituir um fórum democrático de relacionamento com os Umbandistas, propondo uma comunicação de duas vias, mas que no primeiro momento entendemos seja destinado a ouvir os Umbandistas, e, dessa forma, saber o que esperam de uma Federação, para podermos, efetivamente, fazer parte do dia-a-dia dos milhares de templos, seus dirigentes, médiuns e frequentadores.

É também importante manter atualizada a página de “Dúvidas frequentes”, que terão o objetivo de responder as perguntas mais comuns, não só dos fiéis e simpatizantes, como de resto da sociedade em geral; bem como páginas com o “passo-a-passo” para associação de médiuns e Templos, legalização de Templos, reconhecimento de dirigentes espirituais (Ministros religiosos Umbandistas), dentre outros assuntos que sejam considerados essenciais para ocuparmos o nosso espaço de fato e de direito, no espectro religioso brasileiro.

5 – Estruturar o Blog: http://Umbandaseculo21.blogspot.com.br/, objetivando estabelecer um amplo, plural e democrático repositório do conhecimento Umbandista já existente e buscando definições para os desafios e perspectivas que nos reservam o futuro.

É sabido que, com raríssimas exceções, em plena era da comunicação, ainda se vive a tradição da transmissão oral dos conhecimentos, o que nos torna alvo fácil para o ataque de outras religiões mais modernizadas, bem estruturadas financeiramente, que organizadas nacionalmente, se fortalecem cada vez mais, ao estabelecer relações muitas vezes espúrias ou no mínimo equivocadas com o poder central do estado, cuja laicidade é letra morta na Constituição Federal.

As federações de Umbanda, via de regra agrupam também Ilês do Candomblé, e Templos de outras religiões, dividindo a força representativa, e muitas delas existem única e exclusivamente para o benefício particular dos seus dirigentes, nada realizando em prol da Umbanda. Aquelas que pretendem realizar alguma coisa sofrem primeiro com o descaso e reação ao termo federação; com a falta de disponibilidade de pessoas, totalmente consumidas pelas suas atividades laborais e a administração dos terreiros; e pela falta de recursos financeiros.

Dessa forma é necessário buscar uma articulação nacional dos Umbandistas, através da formação de uma Confederação, com representação em todo o país, que tenha o condão de propor uma efetiva aproximação nacional com o objetivo de buscar o reconhecimento e legitimação da Umbanda como religião, acabando com o preconceito e a discriminação que ainda sofremos.

6 – Dar um norte para o futuro da Umbanda, evitando utilização do seu nome em atividades realizadas por aproveitadores da Fé das pessoas, extorquindo valores para a realização de trabalhos que ferem os princípios morais, éticos, cármicos e o livre-arbítrio. É preciso dar uma basta aos mistificadores, que através de anúncios em postes, ou com verdadeiras arapucas, se utilizam do nome da Umbanda para ganhar dinheiro dos mais incautos.

Da análise da atual realidade pode-se concluir que não existe uma organização institucional capaz de unificar os Templos, uma vez que mesmo litúrgica e ritualisticamente, grosso modo, não existem dois terreiros de Umbanda iguais, tornando-se muito difícil o estabelecimento de projetos e estratégias comuns, tanto no aspecto religioso, quanto na relação com a sociedade.

Assim, fragmentados em pequenos grupos, vivencia-se certa concorrência entre os terreiros, não se atua na via institucional, e inexiste uma estratégia política de centralização de ações de frente ampla.
Deve se ter a preocupação com a Umbanda que será deixada para as gerações futuras de Umbandistas, se essa que é alvo de discriminação e preconceito, ou uma religião que as pessoas possam assumir sem o medo de represálias e perseguição.

Temos muito o que comemorar, mas também muitos desafios para superar, principalmente o paradigma de preconceito e discriminação que ainda existem na sociedade brasileira.

uniao faz força

Essa tarefa, não pode ser relegada a um segundo plano, por isso conclamamos a todos os Umbandistas que se unam, com força e serenidade na superação das diferenças, priorizando, sempre aquilo que nos une.

A nossa União é a nossa Força! Saravá FUEP! Saravá Umbanda!

Curitiba, PR 25 de maio de 2015.

Paulo Tharcicio Motta Vieira
Presidente da Diretoria Executiva
Gestão 2013/2017

abr 04 2015

A história da Páscoa e seus simbolismos

Antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera, no hemisfério norte, representando a “passagem” de um tempo de trevas para um novo de luz.

Assim, a origem desta comemoração remonta há milhares de anos atrás, comemorada entres os povos europeus, e foi transformando-se numa das datas comemorativas mais importantes das culturas ocidentais.

O termo “Páscoa” tem origem religiosa e vem do latim Pascae, embora na Grécia Antiga, também é encontrado como Pashka, porém a sua origem mais remota seja entre os hebreus, onde aparece o termo Pesachad, com significado de “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera, que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março.

Na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim dos invernos rigorosos, que castigavam a Europa e o começo da primavera era de extrema importância, representando maiores oportunidades de sobrevivência, diretamente ligada a maior possibilidade da produção de alimentos.

A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacrifício executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot).

Tradicionalmente, nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a fuga do Egito, liderados por Moises, após anos de aprisionamento, por volta de 1250 A.C., quando não havia tempo para a fermentação do pão.

Entre os cristãos, a data celebra a ressurreição de Jesus Cristo, quando, três dias após a sua crucificação, o espírito voltou a unir-se ao corpo. Antigamente o festejo era realizado no domingo seguinte a lua cheia posterior ao equinócio da Primavera.

A semana anterior à Páscoa é considerada Semana Santa, iniciando no “Domingo de Ramos”, que marca a entrada de Jesus em Jerusalém. O importante é que faz referência à última ceia de Jesus com os apóstolos, seguida da sua prisão, julgamento, condenação, crucificação e ressurreição.

A história do coelho da Páscoa

coelho_desenho

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera ou Esther. (em inglês, Easter quer dizer Páscoa)

Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em seu redor. A deusa e o ovo que carrega, são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Perséfone e na mitologia romana, a Ceres.

Dessa forma, estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.

Assim, a figura do coelho está simbolicamente relacionada à data comemorativa, porque representa a fertilidade. O coelho se reproduz rapidamente e em grandes quantidades.

Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo.

No Egito Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.

A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.

Mas o que parece certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está intimamente ligada a fertilidade que os coelhos possuem. Pela característica das grandes e frequentes ninhadas, são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida.

Por que o ovo na Páscoa?

O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).

Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.

Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano.

Não sei quanto a vocês, mas na minha infância, afirmava-se sempre que um ovo posto na Sexta-feira Santa afastaria as doenças, melhorando a saúde de quem o consumisse.

Outros símbolos da Páscoa

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O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa. Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”.

Paulo de Tarso (na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7) diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.”

Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a simbologia da nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado.

Cruz

A Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus.

No Concílio de Nicéa em 325 d.C, o imperador romano Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo, transformando-a também num símbolo da Páscoa, e no símbolo primordial da fé católica.

O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, na Última Ceia, conforme é descrito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo.

Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. “

Explicando por que a celebração da Páscoa não tem data fixa

O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja católica, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicéa em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”). Assim, Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, esse é o período da quaresma.

Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”.

A Páscoa para algumas tradições Umbandistas

Em muitos Terreiros de Umbanda dá-se o início das comemorações da Semana Santa na quarta-feira com o fim da quaresma, muito antes do cristianismo o povo africano já respeitava a quaresma, porém com um significado diferente dos fatos relacionados a vida de Jesus Cristo. Enquanto os cristãos celebram a morte e a ressurreição de Cristo, os africanos celebram o Lorogun, período em que os Orixás entram em guerra contra o mal, para trazer o pão de cada dia para seus filhos.

A guerra dos Orixás na quaresma

Na quarta-feira de cinzas os Orixás da casa devem ser vestidos e cada filho de santo oferece a eles suas comidas preferidas, os atabaques são recolhidos, depois de serem lavados com ervas, somente sendo acordados no “Sábado de Aleluia”, sendo esta a forma de fortalecer os atabaques do terreiro. Os Orixás estão em guerra!

Lorogun – rituais da Umbanda na Semana Santa

Lorogun_semana santa

Na noite de quinta para a Sexta-feira da Paixão, os seguidores da Umbanda devem se proteger, usando seus contra-eguns, pois nesse dia Iansã está em guerra e não pode conter os eguns que nos rodeiam.

Na Sexta-feira da Paixão, são oferecidos pratos a Oxalá, em busca de paz e prosperidade, tanto para o Terreiro, quanto para os seus filhos e fiéis. No Sábado de Aleluia, Ogum, guerreiro maior do panteão africano, faz a distribuição de pães, representando a vitória na guerra pela paz. É o fim da guerra dos Orixás.

A criação do mundo na Umbanda

Na Umbanda, a Semana Santa representa a criação do mundo, por este motivo, neste período seus seguidores devem vestir-se de branco, principalmente na Sexta-feira da Paixão, neste o dia, os Orixás descem do Orún (o mundo dos espíritos) para conhecerem a grande criação de Olorum. Durante a Semana Santa os fiéis Umbandistas devem alimentar-se com comidas brancas, como canjica, arroz, arroz doce, acaçás e pães. Devem evitar a ingestão de qualquer tipo de carne, assim como não devem ingerir bebidas alcoólicas, especialmente na Sexta-feira da Paixão.

Mensagem Final

Portanto, a Páscoa representa mais uma data marcante do calendário, para que se possa reafirmar conceitos e corrigir rotas, mas também é um rito de povos antigos, que pressupõe uma “passagem” de um tempo ruim para um melhor, simbolizado na perspectiva de preservação da vida. Com o passar do tempo a veneração à natureza planetária foi sendo substituída por figuras mitológicas e/ou religiosas, embora mantendo a sua significação.

Por ter uma Fé cristã, reconheço a existência de Jesus Cristo, o homem que veio ao mundo disposto a ser o maior exemplo de amor e humildade que a humanidade conheceria, trazendo uma proposta de vida que não foi entendida por muitos, sintetizada na frase “Ama o próximo como a ti mesmo! Até os dias de hoje, essa afirmativa continua letra morta, sendo repetida mas não vivenciada.

Assim, diariamente condenamos este homem e o crucificamos, da mesma forma que os antigos romanos, ao ignorar os seus propósitos de viver num mundo melhor, mais justo, fraterno e igualitário. Que tal aproveitar a Páscoa para lembrar do triunfo do espiritual sobre o material, a ressurreição do espírito e a vida eterna!

Cristo morreu, mas ressuscitou e fez isso somente para nos ensinar a eliminar os nossos piores defeitos e ressuscitar as maiores virtudes do íntimo de nossos corações. Que a sua Páscoa seja também, uma ressurreição.

Ressurreição da paz, do amor, da fraternidade, da alegria de viver…

Ressurreição da amizade, da igualdade, da justiça e do desejo de ser feliz…

Ressurreição dos sonhos, das memórias, das lembranças e, principalmente, da verdade que está acima do apelo comercial dos ovos de chocolate e dos coelhinhos.

Que sua Semana Santa seja cheia de paz, amor, caridade e felicidade e que Oxalá, o Orixá maior da Umbanda, sincretizado com Jesus Cristo, derrame as suas bênçãos sobre você, sua família e amigos e que seja assim para sempre na sua vida!

Feliz Páscoa!

Com informações disponíveis no blog http://ceticismo.net/religiao/a-verdadeira-historia-da-pascoa/, acesso em 04/04/2015.

fev 14 2015

Cultura de Paz e Direito à Vida

por Hamilton Faria

A Cultura de Paz é entendida por parcela significativa da sociedade como passividade, fragilidade diante do mais forte e ausência de conflitos.

A Cultura de Paz é fruto da não violência ativa, é sintoma de força; a violência é sintoma de fragilidade da sociedade e dos seus protagonistas.

A Cultura de Paz não esconde, mostra o conflito, busca resolvê-lo com resistência ativa, diálogo, amorosidade, mediação, escutas, interculturalidades e valorização da diversidade cultural; convivência pacífica entre os seres; justiça restaurativa, comunicação não violenta, consumo responsável, simplicidade voluntária, participação pacífica nos processos socioculturais. E respeito à vida em todas as suas manifestações.

É um novo paradigma para a transformação da sociedade e dos valores que a constituem.

A paz que está em nosso imaginário parte da noção da Pax Romana, que incorporava territórios com violência e depois impunha regras de controle. Há que desconstruir este conceito. Quero partir de três máximas para situarmos a cultura de paz:

A primeira é:

ghandi mudança

Vou contar uma estória que ilustra bem esta máxima: uma mãe indiana pede para Bapu (Gandhi) aconselhar o seu filho a não comer açúcar porque estava ficando doente. Bapu diz para a mãe que retornasse no prazo de um mês. Ele aconselha:

“Menino, não coma mais açúcar”. O menino diz que vai parar de comer açúcar ao ouvir o Mahatma.

A mãe pergunta: -“porque Bapu pediu um mês e não falou logo em seguida?”

Gandhi responde: “É que naquela época eu ainda comia açúcar”.

O que vemos desde sempre – pessoas pregando aquilo que não são. As conclusões a partir desta máxima falam por si.

A segunda ainda de Ghandi

“Tudo que vive é o teu próximo”.

Aí o nosso diálogo se amplia para a comunidade dos seres vivos. Estamos hoje numa comunidade maior – a comunidade da vida -, onde as pessoas, a natureza, os animais, as florestas também devem ter direitos.

Veja-se a Ley de Derechos de la Naturaleza, do Equador, e a Ley de Derechos de la Madre Tierra, da Bolívia, – que desenvolvem uma filosofia de proteção dos povos originários e respeito às formas de vida e ritmos da natureza.

Estas leis garantem à natureza o direito à vida, o direito de ter ciclos e processos vitais livres da alteração humana, o direito de não ter estruturas celulares alteradas geneticamente. Buscam garantir o direito de seus países não serem degradados por megaprojetos de desenvolvimento que afetem o equilíbrio de ecossistemas e das populações locais. São legislações que revolucionam o mundo do direito, – que dão à natureza os direitos básicos dos humanos.

A natureza passa a ser sujeito desses direitos. Estas políticas provocam estremecimento nas leis estabelecidas, centradas em princípios patrimonialistas que regulam as relações entre os seres humanos e suas propriedades. Elas estabelecem no mundo da cultura a noção de bem comum.

Esta máxima amplia a noção do “outro” para a comunidade dos seres vivos e mostra os limites de uma civilização com centralidade nos seres humanos. O planeta tem outros habitantes. Esta é a boa-nova vital para a metamorfose contemporânea.

Está posto que precisassem criar uma nova ética; esta terá como força espiritual a reverência pela vida.

A terceira máxima é aquela de André Breton no Manifesto Surrealista:

“Será preciso começar por retirar da guerra todos os seus títulos de nobreza”.

Não há nenhuma virtude na guerra e ela precisa ser compreendida como manifestação de uma pré-história civilizatória e método de domínio, não de emancipação.

Mudar nome de ruas que lembram ícones da violência; refundar o vocabulário e metáforas que enaltecem a violência “justa” (sic) ou injusta; construir valores positivos na comunicação presencial e virtual; eleger o diálogo e a resistência ativa, a construção de outros paradigmas culturais que contribuam para civilizar a civilização e criar novas formas de vida em sociedade.

A violência não é direito, é transgressão de um direito (Jean Marie Mueller).

Satyagraha Foundation » Blog Archive » Nonviolence in Education www.satyagrahafoundation.org Photo, Jean-Marie Muller; courtesy histoiresordinaires.fr

Satyagraha Foundation » Blog Archive » Nonviolence in Education
www.satyagrahafoundation.org
Photo, Jean-Marie Muller; courtesy histoiresordinaires.fr

Assim, pode-se criar o Ministério da Cultura de Paz e dos Direitos Humanos e linhas de trabalho transversais que eduquem a defesa e a segurança para os novos tempos.

A Cultura de Paz revela novas formas de ver o mundo, escutar, dialogar, viver, sentir, compartilhar, com não violência. É a verdadeira alma do reencantamento do mundo.

Como fazer cultura de paz? Como indica AJ Muste, pacifista, líder dos direitos civis nos Estados Unidos dos anos 60.

Paz_Gandhi

Assim, a cultura de paz vem desempenhando duas funções:

1) tornar visíveis as violências diretas, estrutural e simbólica/cultural no cotidiano, na grande vida, no imaginário;

2) estimular a criatividade para criar e promover novas formas de convivência, outros conceitos, atividades, relações, novos estilos do bem viver.

Assim, alguns dos grandes desafios de hoje são: construir a paz nos territórios, fortalecer valores na localidade e transformá-los em políticas públicas.

Como diz Maria Zambrano, escritora e filósofa espanhola (1908-1996): “A paz é muito mais que assumir uma postura, é uma autêntica revolução, um modo de viver, um modo de habitar o planeta, um modo de ser pessoa”.

Está em constituição um novo paradigma civilizatório, central para acrescentar humanidades à vida do planeta; envolve valores, atitudes, ações e políticas públicas.

Quero terminar com um conto do poeta Kurt Kauter, incluído no magnífico texto da professora Lia Diskin: Vamos Ubuntar? Um convite para cultivar a paz, UNESCO, Fundação Palas Athena, 2008.

Vamos Ubuntar - Um convite para a Paz

Nada de Nada

Sabes me dizer quanto pesa um floco de neve? perguntou um pardal a um pombo silvestre.

Nada de nada – foi a resposta.

Nesse caso vou lhe contar uma história maravilhosa – disse o pardal.

Eu estava sentado no ramo de um pinheiro quando começou a nevar.

Não era nevasca pesada ou furiosa. Nevava como em um sonho: sem ruído nem violência. Já que não tinha nada melhor a fazer, pus-me a contar os flocos de neve que se acumulavam nos galhos e agulhas do meu ramo. Contei exatamente 3.741.952.

Quando o floco número 3.741.953 pousou sobre o ramo – nada de nada como você diz – o ramo se quebrou.

Dito isso, o pardal partiu em voo.

A pomba, uma autoridade no assunto desde Noé, pensou um pouco na história e finalmente refletiu:

Talvez esteja faltando uma única voz para trazer paz ao mundo.

Hamilton Faria é poeta, coordenador de cultura do Instituto Pólis, professor universitário e padrinho do CONPAZ/PR.

jan 01 2015

Sonhar é preciso II – perspectivas para 2015

Por Paulo Tharcicio Motta Vieira

O cenário mais provável para a economia global, baseada na leitura e na oitiva dos ideários da economia de mercado, aponta algumas tendências já delineadas no final de 2014, que de certa forma nos trazem preocupações e alívios, pois a perspectiva concreta é que se estabeleça o início da recuperação de setores econômicos essenciais para o Brasil, embora essa tendência deva se firmar e ser percebida mais fortemente em 2016.

O EUA, começou a sair da crise iniciada em 2008 e que se alastrou para todo o mundo, continuando a recuperação da economia para o nível que os economistas consideram a média histórica, na faixa de 2,5% ao ano, com a consequente redução do desemprego, a inflação paulatinamente convergindo para a meta de longo prazo e uma elevação moderada da taxa de juros básica da economia. Isso, deverá fazer o capital especulativo migrar para a economia americana, o que, certamente, vai criar dificuldades ainda maiores para o resto do mundo, afetando a liquidez do sistema financeiro global, notadamente para os países dependentes dos dólares especulativos para o fechamento das respectivas contas externas.

O maior risco com a movimentação da economia norte-americana é a antecipação e intensificação da elevação da taxa básica de juros, causando forte fuga de capitais das economias em desenvolvimento, a reprecificação de ativos globais e aceleramento da valorização do dólar americano frente às demais moedas, notadamente as não conversíveis.

A Europa segue próxima da estagnação, com crescimentos desiguais entre os países mais desenvolvidos, principalmente, Alemanha e França crescendo abaixo da média histórica, lenta queda do desemprego e inflação muito baixa – o que abre espaço para política monetária expansionista em contraposição à política monetária restritiva nos EUA, contribuindo para manutenção da liquidez global. Os países que tem a economia mais fragilizada e dependente do comércio exterior da Zona do Euro, devem seguir em penúria, com mais ajustes e altos níveis de desemprego.

A boa notícia é que a China – talvez o maior parceiro comercial brasileiro da atualidade – deverá continuar no ritmo do planejamento de longo prazo do governo, algo em torno de 7,5% ao ano, mas com uma guinada estratégica no rumo do fortalecimento do mercado consumidor interno, o que pode recuperar em parte a exportação de commodities agrícolas brasileiras, em detrimento dos investimentos em infraestrutura, o que pode afetar o setor exportador de primários do Brasil, notadamente minério de ferro. Mas se de um lado é bom, merece constante observação, uma vez que de outro podemos ter uma queda acentuada da demanda por commodities causada pelo enfraquecimento da economia chinesa para patamares abaixo do planejado e pela continuidade da recessão na Europa.

Do Japão, o pouco que se sabe é que continuará baixo o crescimento devido à elevação de impostos sobre o valor agregado, embora o banco central japonês continue com a política de afrouxamento monetário, o que deverá ser bom, pois também contrapõe-se à elevação das taxas de juros americanas, auxiliando na obtenção dos dólares pelos demais países, e promovendo certa liquidez global.

Enquanto isso no Brasil, a oposição deverá continuar na disputa do 3° turno da eleição de 2014, solapando as intenções do Governo Federal, mas penalizando a população.

Pelos primeiros sinais, o 2° mandato de Dilma deverá implementar uma agenda positiva de ajustes necessários à retomada da confiança dos agentes do mercado e do crescimento com sustentabilidade. Entendendo-se que o crescimento envolve somente a parcela privilegiada da população brasileira, acredita-se que o Governo Dilma deva buscar o desenvolvimento social abrangente, com uma agenda que promova as reformas estruturais que os sucessivos governos devem a população brasileira desde 64, quando o plano das reformas de base anunciadas por Jango, foi o estopim do golpe militar que nos fez amargar duas décadas de ditadura.

O Professor Celso Furtado, no livro “O Mito do Desenvolvimento Econômico”, publicado em 1974, já apontava as falhas do processo de crescimento econômico periférico, herança do Brasil Colônia, cujas características fundamentais se mantém até hoje.

Sob a ditadura do superávit primário, segundo os economistas lidos e ouvidos, o ajuste fiscal é essencial para retomada da confiança dos agentes econômicos, para manutenção do grau de investimentos e para retomada dos investimentos necessários à elevação da oferta e à redução do custo Brasil. Parece-me falacioso, porque o superávit serve para garantir o pagamento dos juros estratosféricos referentes a dívida pública, o que grosso modo só atende aos interesse dos credores (banqueiros e rentistas), que mesmo com Lula e Dilma continuaram centralizando a riqueza nacional nas mãos da parcela da elite brasileira, detentora dos títulos da dívida pública.

A manutenção do fluxo de investimentos estrangeiros diretos e em carteira deve financiar o déficit nas “transações correntes”, déficit que deve ser reduzido lentamente, também com a desvalorização cambial do real, já em curso.

O modelo baseado em consumo, estruturação de um mercado consumidor interno, com a inclusão das ditas classes C, D e E, ainda parece sustentável, porém com o crescimento em queda e o consequente arrefecimento do mercado de trabalho e a diminuição da oferta de crédito. Entretanto, vale frisar que as condições à concessão de crédito continuam favoráveis (a inadimplência nos bancos controlada e existência de margem para endividamento responsável das famílias), o que deve permitir que continue expandindo, só que com taxas de juros mais altas e volume mais moderado.

A questão do crédito é de se analisar em separado, uma vez que mesmo com os volumes atuais, parecem tímidos com relação a necessidade de crédito produtivo, senão vejamos: o endividamento do crédito agrícola, centralizado em 70% no Banco do Brasil – algo em torno de R$ 70 a R$ 80 Bilhões -, não chega ao valor disponível de uma safra, para exemplificar: no ano safra 2013/2014 foram disponibilizados em torno de R$ 120 Bilhões para a agricultura patronal e R$ 20 Bilhões para a agricultura familiar. Acredito que poder-se-ia dobrar esse valor sem qualquer risco, desde que se universalizasse o acesso ao crédito agrícola, notadamente para os pequenos e médios produtores que dependem do custeio para efetivar a sua cultura. Em pesquisa realizada em 2008 junto aos produtores de holerícolas de Colombo, RM de Curitiba, concluiu-se que existem muitos entraves burocráticos a concessão do crédito agrícola, notadamente na modalidade investimento, que por ser de maior prazo de reembolso tendem a não ser concedidos tão facilmente.

A inflação deve se manter no limite da meta, pressionada principalmente pelo realinhamento de preços internos (segurados durante a eleição presidencial de 2014) e externos, com a desvalorização do real e com os reajustes dos preços administrados. A administração em doses homeopáticas dos ajustes dos preços administrados pelo Governo Federal, no curto prazo, permitirá que a inflação entre em convergência para o patamar proposto pela meta, que deve ser atingida a partir de 2016, mantendo-se acima da meta de 4,5% ao longo de 2015.

Caberá ao Governo Dilma compreender a mensagem passada pelos milhões de manifestantes que foram ás ruas em jun/2014 buscando exercer a sua cidadania e aplicar os ajustes internos para conter a deterioração dos fundamentos econômicos e recuperar a confiança do setor privado, mas com especial atenção ás reivindicações populares, notadamente com relação á modernização do país e ao fortalecimento da recente experiência democrática brasileira.

A palavra de ordem do 2° mandato de Dilma tem que ser “Governar com, pelo e para a maioria do povo brasileiro”, com o fortalecimento dos programas sociais, notadamente aqueles que auxiliam na diminuição da concentração de renda e promovem a conquista da cidadania, dentre os quais o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, Programas Educacionais emancipadores e o fortalecimento cada vez maior da agricultura familiar, responsável por mais de 70% dos alimentos que chegam aos lares dos brasileiros.

Eu acredito!

Com informações da Gazeta do Povo, Portal G1, Blog Marxismo 21 e do Blog Milton Alves – Milton com Política

Paulo Tharcicio Motta Vieira é o presidente da Diretoria-Executiva da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná.

dez 31 2014

É preciso sonhar…

Por Paulo Tharcicio Motta Vieira

[…] é preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias”.
Vladimir Ilyich Lenin

Em todos os momentos da vida deparamos com diversas situações em que precisamos decidir (em economês: trade-off), para que assim possamos nos posicionar e externar através das nossas ações, sentimentos e sensações, esse posicionamento.

É dessa forma que buscamos intervir na realidade, alterando-a conforme a nossa forma de compreender e/ou viver.

Esgotados todos os esforços, em última instância nos adaptamos a nova realidade, imutável no espaço de tempo, mas, somente após lutarmos pelos valores que consideramos corretos, ideais e aceitáveis na nossa compreensão do mundo que queremos, fruto dos saberes e impressões internalizadas em cada um de nós.

O mérito de assim proceder está em participar ativamente, vivenciando a nossa vida como protagonistas, uma vez que a dinâmica da realidade, impõe-nos a participação efetiva ou o aceite da nova realidade sem que tenhamos sopesado todos os seus componentes e desdobramentos. Assim, não existe uma “fórmula mágica” para o bem viver, a cada momento, utilizamos o livre-arbítrio e tomamos uma decisão, que certa ou errada, deverá ser racionalizada.

Quem me conhece, sabe que a muito tempo tenho lutado em várias frentes, algumas pessoais, outras – acredito que a maior parte delas – coletivas, e a cada momento surgem novos e inéditos desafios, e assim, vamos vivendo, buscando auxiliar homens e mulheres de bem a construir um mundo que seja mais justo, fraterno e solidário.

A qualquer momento que a realidade impuser e mais batalhas surgirem, por mais duras e difíceis que possam parecer, com determinação as enfrentarei, uma vez que ao quantificar esses esforços, encontrarei as justificativas para continuar lutando, na busca do mundo ideal para todos, sem qualquer tipo de discriminação e preconceito, com a certeza de cumprir a missão cármica a mim reservada, de contribuir na evolução – sem falsa modéstia -, da civilização humana em nosso planeta. Mesmo entendendo que cada um reserva para si, um papel, e a marca que quer deixar nessa encarnação terrena, definido no momento da reencarnação.

No campo político, em 2014 optei pelo voto Dilma, entendendo que a sua candidatura, significava a continuidade do esforço por tirar o país do atraso e ampliar os direitos dos menos favorecidos, daqueles que efetivamente precisam do governo.

Entretanto, esse apoio, mantém uma característica crítica, uma vez que a disputa ideológica se dá diariamente, e os grupos de pressão que estão instalados nas burocracias intermediárias das empresas públicas e no Congresso Nacional, tentam estabelecer melhorias para os seus segmentos de representação.

Assim, mesmo com a justificativa de “acalmar o mercado”, foi de estranhar a nomeação da equipe econômica, toda egressa dos bancos privados, caudatários de uma parcela significativa da dívida pública, interessados diretos na majoração da taxa SELIC que carreia vultosas quantias do orçamento federal para a “banca privada”. Esses valores fizeram, fazem e farão falta no combalido orçamento do governo, para a efetivação dos programas sociais, mais que uma obrigação, uma dívida que a nação brasileira tem para com os seus milhões de excluídos.

Mas, a “caixa de pandora” das concessões malévolas ao “mercado” estava por começar, agora, no limiar do novo mandato, são apresentadas medidas para reduzir a proteção social dos trabalhadores, abrindo espaço para uma revisão regressiva da CLT e das conquistas históricas do mundo do trabalho, bem ao feitio da nova equipe econômica.

Segundo o ministro Mercadante, “[…] as medidas visam uma economia anual de mais de 18 bilhões de reais”, ou seja, antes da posse no novo mandato, o governo já começa responsabilizando os trabalhadores pela crise econômico/financeira que assola o mundo, mantendo a sangria desatada dos juros estratosféricos, que continua a aumentar a riqueza da parcela privilegiada da nossa sociedade. Isso é o que de fato asfixia a economia brasileira, a produção e o mercado de trabalho, destinar aos banqueiros e rentistas mais de ½ trilhão de reais ao ano, por conta dos juros da dívida pública.

Para quem proferiu o discurso de “mexer nos direitos dos trabalhadores, nem que a vaca tussa”, essa é uma opção danosa para os direitos do povo trabalhador que acreditou e reelegeu Dilma, apostando na continuidade dos programas sociais que resgatam os milhões de excluídos, e, principalmente para o futuro da economia do país.

Portanto, o movimento sindical combativo, que grosso modo, indicou o voto em Dilma, tem o dever e o desafio de impedir a ofensiva que se desenha no horizonte dos próximos 4 anos, contra os interesses dos que vivem de salário e dependem de emprego formal para a sua subsistência.

Os primeiros sinais são mais que preocupantes, uma vez que as medidas anunciadas (mudanças no abono salarial; seguro-desemprego; pensão por morte, benefício vitalício e auxílio doença; e o seguro-defeso para os pescadores artesanais), parecem ser somente um balão de ensaio para medir as condições de temperatura e a pressão das direções organizadas da classe trabalhadora.

Com informações da Gazeta do Povo e do Blog Milton Alves – Milton com Política

Paulo Tharcicio Motta Vieira é o presidente da Diretoria-executiva da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná

dez 24 2014

Feliz Natal e Excelente Ano Novo – 2014

Chegamos ao final de 2014, contabilizando mais algumas vitórias para a Umbanda, que nesse ano completou o seu 106° aniversário, e para os Umbandistas. Entretanto, não podemos deixar de notar que a Direção da FUEP sofreu certo esvaziamento, fruto das atribuições pessoais e/ou profissionais dos membros da direção ou ainda por afastamento opcional.

Assim, não conseguimos realizar o seminário, programado para todo 1° semestre, embora não tenhamos medido esforços para tanto.

Em contrapartida, tivemos um ano cheio de atividades no campo institucional; nesse sentido, participamos ativamente das ações do CONPAZ/PR, assumindo a frente de várias atividades organizadas, que culminaram com a realização da Semana Estadual pela Cultura do Paz.

No mês de maio, por proposição do Deputado Estadual Péricles de Mello, realizou-se Sessão Solene na Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, em homenagem aos 46 anos da FUEP, na qual homenageamos os seus dirigentes passados, atuais e futuros, representados pelo Pai André de Xangô, dirigente do Terreiro de Umbanda Tio Antonio; o Pai Andir de Souza, representado pela sua filha carnal e de santo Mãe Mara de Souza, atual dirigentes da Tenda Espírita São Jorge Guerreiro, e o preto-velho Pai Maneco, mentor espiritual do Pai Fernando Guimarães, que inspirou a edificação do Terreiro de Umbanda Pai Maneco, representado pela Mãe Pequena Camila Guimarães.

A seguir, iniciamos a jornada para estabelecer a representatividade da Umbanda na ASSINTEC, Associação Inter-religiosa de Educação, através da nossa participação efetiva na direção. A ASSINTEC é uma entidade civil de caráter educacional que atua em parceria com o poder público na efetivação do Ensino Religioso nas escolas do Paraná e no apoio pedagógico aos professores desta área do conhecimento.

Logo após, participamos do 10° Prêmio Atabaque de Ouro no RJ, com a maior delegação que o nosso estado já enviou. Foram 3 Curimbas representando os Umbandistas do Paraná, a Curimba do TUFOY – Tenda de Umbanda Filhos de Oxalá e Yemanjá campeã do 9° Prêmio, que fez a abertura, as Curimbas da TUROMM – Tenda de Umbanda Reino de Oxalá e Mãe Maria e do Terreiro de Umbanda Tio Antonio respectivamente, campeão e vice do 4° Festival Paranaense. Com a cantiga “Não só prá falar das Marias”, o Terreiro Tio Antonio conquistou o público e os jurados, tendo se tornado pela primeira vez Bi-Campeã do Atabaque de Ouro.

No dia 23 de novembro, realizamos o 5° Festival Paranaense de Curimbas, novamente no Guairão, que recebeu um público próximo a 2.000 Umbandistas, em que a Curimba do TUFOY – Tenda de Umbanda Filhos de Oxalá e Yemanjá, de Fazenda Rio Grande, num inédito Bi-campeonato, conquistou o direito de representar os Umbandistas do Paraná no 11° Atabaque de Ouro a realizar-se em 2015, com a cantiga “Oxum: a Guerreira do Amor”, de autoria do Pai Edson Verbaneck.

Por fim, estivemos reunidos na Fundação Cultural de Curitiba, com o seu presidente Marcos Cordiolli, sensibilizando-o quanto à necessidade de ampliar o espaço institucional da cultura afro-brasileira, quando estabelecemos a possibilidade da cessão das salas administradas pela FCC para as mais diversas atividades.

Em 2015, daremos uma especial atenção à campanha de associação “Sou Umbandista de Carteirinha”, com o mote de associar as pessoas que acreditam na idéia de que “juntos somos mais fortes e podemos mais”. Assim, estabeleceremos um calendário de visitas, iniciando na volta das atividades dos Templos em janeiro. A campanha de associação de umbandistas e templos tem objetivo de estabelecer uma aproximação de mão dupla, dos Templos para a FUEP e vice-versa, aumentando o número de associados e por decorrência a representatividade institucional da Federação, que deve ser de todos os médiuns, fiéis e simpatizantes do Paraná.

Ainda no próximo ano, reavivaremos o projeto da “Memória da Umbanda no Paraná”, para tanto, iniciaremos a realização de entrevistas que serão gravadas em áudio e vídeo, com as pessoas que fizeram e fazem a Umbanda no Paraná, com seus sucessores e com aqueles que possam nos ajudar a construir a história da Umbanda no nosso estado.

Outro projeto que estará na ordem do dia é a obtenção da utilidade pública federal, que nos habilitará a receber doações que poderão ser compensadas no Imposto de Renda das pessoas físicas e jurídicas, além de abrir as portas para outros aportes de recursos, tais como a realização de bazares com produtos apreendidos pela Receita Federal.

Por último, informamos que no ano que vem, com data prevista para acontecer em Jan/2015, realizaremos Assembléia Geral Extraordinária para a substituição dos cargos em vacância, na Direção Executiva, Conselhos Deliberativo e Fiscal, lembrando que para votar ou ser votado os associados deverão estar quites com a anuidade 2014/2015, até o dia de realização da AGE.

Dessa forma chamamos todos os umbandistas e simpatizantes a encarar junto conosco essa grandiosa tarefa. A nossa unidade é a nossa força!

Que Oxalá proporcione a todos um Feliz Natal e que Ogum nos traga um excelente Novo Ano repleto de conquistas e realizações.

Axé

*Paulo Tharcicio Motta Vieira – Paulão, é o atual diretor-presidente da Direção Executiva da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná e membro da corrente mediúnica do Terreiro de Umbanda Tio Antonio de Curitiba

dez 11 2014

Dia 10 de Dezembro – Dia Universal dos Direitos Humanos

Declaração Universal dos Direitos Humanos

A data foi instituída em 1950, dois anos após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar a Declaração Universal do Direitos Humanos como marco legal regulador das relações entre governos e pessoas.
Os direitos humanos no Brasil são garantidos na Constituição Federal de 1988, que no seu Artigo 1° consagra os princípios da cidadania, da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho.

Ao longo da Constituição, dita cidadã, por Ulisses Guimarães, encontra-se no Artigo 5º, o direito à vida, a privacidade, a igualdade e a liberdade, além de outros, que representam os direitos fundamentais do homem, divididos em direitos individuais, coletivos, difusos e de grupos.

Os direitos individuais têm como sujeito ativo o indivíduo humano, os direitos coletivos envolvem a coletividade como um todo, direitos difusos, aqueles que não se consegue quantificar e identificar os beneficiários e os direitos de grupos, que são, conforme o Código de Defesa do Consumidor, direitos individuais “homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum”.

Entretanto, mais do que comemorar a data, é importante destacar o longo e penoso caminho a ser percorrido na efetivação dos preceitos da declaração, para todos os seres humanos do planeta, sem qualquer exceção, acabando com o apartheid econômico que separa pobres e ricos, extinguindo a discriminação e o preconceito com relação aos diferentes.

Que essa data sirva de ponto de partida para a mudança diametral nas relações, para que se possa construir um mundo mais justo, fraterno, pacífico e igualitário.

nov 14 2014

Parabéns Umbanda! 106 anos de Amor e Caridade

Parabéns Umbanda!

Nesse dia 15 de Novembro de 2014, a Umbanda completa 106 anos da sua apresentação terrena pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, ainda buscando a sua afirmação enquanto religião e exigindo o mesmo tratamento e respeito que as outras religiões possuem.

Dentre as suas características, a mais marcante é de ser a síntese da formação da sociedade brasileira, assimilando e mesclando rituais, crenças e símbolos do catolicismo popular, do espiritismo kardecista, dos cultos africanos, da pajelança indígena, de tradições orientais e de elementos magísticos, perfeitamente integrados, resultando nessa maravilhosa religião, que integra e auxilia no dia a dia dos médiuns e frequentadores de terreiros, no cumprimento da tarefa cármica de melhorar a cada dia, resgatando nesta encarnação a missão do homem de evoluir, através do seu desenvolvimento espiritual.

Mas, mesmo com estes objetivos tão nobres, ainda nos falta o respeito e reconhecimento social, a religião ainda é estigmatizada e os seus praticantes sofrem toda a sorte de preconceitos e discriminação, sendo muito comum ouvir-se que a Umbanda é coisa do demônio.

Ao longo destes 106 anos foi perseguida durante décadas pela polícia, depois pela Igreja Católica e, mais recentemente, pelos evangélicos neopentecostais.

Teve o seu apogeu entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1980.

Hoje, sofre um pequeno declínio de seguidores, segundo os censos do IBGE de 2000 e 2010, mas está presente no Brasil inteiro e em diversos países, e nesse momento passa por um forte movimento de revitalização, principalmente nos estados de Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e DF.

Um pouco da história

C7Encruzilhadas

No dia 15 de novembro de 1908, o Caboclo das Sete Encruzilhadas se manifestou no Zélio Fernandino de Moraes, um rapaz de 17 anos que se preparava para entrar para a Escola Naval, numa sessão de espiritismo kardecista em Neves, no município fluminense de São Gonçalo, próximo ao Rio, então capital federal.

A Doutrina Espírita do francês Allan Kardec [pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, 1804-1869] já tinha seguidores no Brasil desde 1865, notadamente entre os filhos de famílias abastadas que iam estudar na França, e ao retornar traziam na bagagem essa nova religião.

Embora haja indícios de incorporações de espíritos de índios e de escravos negros nas diversas formas de macumba que existiam no Rio de Janeiro do século XIX, os kardecistas não os admitiam por considerá-los espíritos marginais e pouco evoluídos.

Os registros daquele episódio variam conforme a fonte:

Em um dos relatos, reproduzido no livro “Umbanda Cristã e Brasileira” (J. Alves Oliveira, 1985), o caboclo teria assim se revelado: “Se julgam atrasados esses espíritos dos pretos e dos índios [caboclos], devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho [o médium Zélio de Moraes] para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou”.

Em 1970, o Pai Ronaldo Linares, hoje presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, ouviu a história da revelação do próprio Zélio (1891-1975). O espírito se apresentou como caboclo brasileiro e foi contestado por um médium kardecista, que disse que via nele “restos de vestes clericais”. O caboclo então teria explicado: “O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida e, acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas, em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro”.

Quando perguntaram seu nome, respondeu: “Se é preciso que eu tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos”.

A sina da Umbanda, desde então, é trabalhar para impedir que os seus caminhos se fechem. A adoção do dia “15 de novembro” como marco da criação da Umbanda é uma convenção da década de 1970, reafirmada pelo reconhecimento do governo federal em 2012, com a assinatura da Presidenta Dilma no decreto que o definiu como o “Dia Nacional da Umbanda”.

Saravá Umbanda! Umbanda Saravá!

set 15 2014

A Umbanda, Candomblé e as Demais Religiões de Matriz Africana e as eleições 2014 – 1ª. Parte

A FUEP, por força dos seus estatutos sociais é uma entidade apartidária, embora não seja apolítica, pois tem na representação política dos templos, fiéis e simpatizantes da Umbanda no Estado do Paraná, a sua razão de existir.

Assim, buscando a legitimação da religião e atuando no sentido de diminuir o preconceito e a discriminação para com os umbandistas, chegamos ás eleições 2014 buscando dar um salto de qualidade no relacionamento institucional da Umbanda, do Candomblé e das Demais Religiões de Matriz Africana do nosso estado.

Para isso, buscamos o auxílio dos nossos irmãos do Candomblé, contando com o inestimável auxílio da Coordenação do Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana e do Pai Jorge Kibanazambi.

Nunca é demais lembrar que são frequentes as notícias veiculadas na imprensa sobre a atuação das bancadas católica e evangélica, que esquecem as diferenças e se unificam rapidamente quando se trata dos seus interesses comuns. Isso acontece, tanto no congresso nacional, quanto nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores.

Essas notícias nos passam um recado claro, que não deixam nenhuma dúvida: todas as religiões, sem exceção, discutem e participam da política, muitas vezes fazendo acordos escusos em seu proveito próprio, que via de regra excluem as outras religiões, pois buscam vantagens somente para elas.

Por certo, as casas legislativas nas três esferas de poder deveriam reproduzir a sociedade que dizem representar, mas, se existem umbandistas, candomblecistas e fiéis das demais religiões de Matriz Africana na sociedade, porque não existem nelas os nossos representantes?

A resposta é simples, fomos criados achando que política e religião não se deveria discutir, o que grosso modo, só serviu para nós, uma vez que as outras religiões, a cada eleição, aumentam o seu poder de pressão juntos aos governos, elegendo os seus representantes.

Não se trata de trazer a política para dentro das religiões, mas sim, levar as reivindicações e demandas das religiões para os políticos, mas, de maneira unificada e organizada.

Primeiramente porque a política está presente em nossa vida o tempo todo, em todo lugar e depois porque sentimos a necessidade de legitimar as nossas religiões, queremos ter os mesmos direitos que as outras religiões têm.

Quantos fiéis e simpatizantes das religiões de Matriz Africana são obrigados a esconder sua religião no local de trabalho, na escola ou na vizinhança para não sofrer discriminação? Quantos já foram vítimas de humilhação, discriminação e de preconceito e não tiveram a quem recorrer?

Tudo isso depende da nossa relação com a política institucional, que se dá de maneira inversamente proporcional, quanto menor, menos respeito teremos.

Dessa forma, acreditando-se que chegou a hora de também elegermos os nossos representantes, mas acreditando que isso passa por um processo lento e gradual, e sabendo que precisaríamos dar um primeiro passo certeiro, resolveu-se lançar a “Carta Compromisso com a Umbanda, Candomblé e Demais Religiões de Matriz Africana”, a ser assinada por todos aqueles que fossem pedir votos em nossos terreiros.

Dentre os vários candidatos aos quais enviou-se a Carta Compromisso, dois manifestaram-se favoravelmente a sua assinatura, o Deputado Estadual Péricles de Mello que postula a reeleição e o candidato a Deputado Federal Denilson Pestana, candidato pela primeira vez.

Assim, pela primeira vez, os fiéis e simpatizantes da Umbanda, Candomblé e Demais Religiões de Matriz Africana no Estado do Paraná, tem candidatos em quem votar nas eleições, uma vez que os compromissos assumidos somente poderão ser cumpridos caso sejam eleitos.

Deputado Estadual – Péricles de Mello – 13115

Deputado Federal – Denilson Pestana – 1312 

set 06 2014

Intolerância religiosa contra o Pai Edson na Fazenda Rio Grande

O Pai Edson de Oyá, dirigente da TUFOY, localizada na fazenda Rio Grande, foi mais uma vez vítima de crime de preconceito religioso. Desta vez, entraram na sua casa e balearam o seu companheiro Nicollas Silva, e o ameaçaram dizendo que o iriam matar e tirar o diabo do seu corpo!

Não dá mais para aceitar essas situações indefinidamente, é necessário garantir a segurança do Pai Edson e e todos aqueles que o cercam, e para isso é necessário investigar até descobrir de onde partem tamanhos desmandos, só a punição severa aos responsáveis por tal ato de violência servirá para dar tranquilidade à família de santo do Pai Edson.

Noutras situações em que o Pai Edson foi vítima, já é o terceiro ou quarto atentado que ele sofre, as investigações policiais e periciais se arrastam por anos e anos sem que haja uma responsabilização dos culpados.

Não é possível que em pleno século XXI ainda tenhamos que conviver com tamanha violência, principalmente, quando ela visa especificamente ameaçar a vida de um dos grandes líderes religiosos da Umbanda no PR.

A FUEP se solidariza com o Pai Edson e com todos os seus filhos de santo, mas não ficará somente na solidariedade, iremos ao Secretário de Estado da Segurança Pública, ao Secretário Municipal de Segurança, ao Delegado de Polícia e ao Prefeito Municipal da Fazenda Rio Grande, para exigir a proteção permanente ao Pai Edson e todo o rigor nas investigações, para que rapidamente seja descoberto o mandante e/ou os mandantes de mais esse crime hediondo que atingiu pessoa do Pai Edson, mas é um crime contra todos nós, contra os fiéis e simpatizantes de todas as Religiões de Matriz Africana!

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