Retornar para Cobrança na Umbanda

Lei de Salva

Para que se possa entender a cobrança na Umbanda, é importante citar que existe a “Lei de Salva”, utilizada por muitos pais e mães de santo como a justificativa para cobrança pecuniária quando da realização de trabalhos espirituais que envolvem a manipulação magística, principalmente voltada às questões que exigem o combate a forças negativas, exigindo do indivíduo que realiza o trabalho, dedicação quase exclusiva além de enorme esforço físico e intelectual e a aplicação de grande parte do seu conhecimento.

Como se vê, a lei de salva depende da honestidade de propósitos de quem dela se utiliza, tem um cunho moral e ético, notadamente com o seu uso adequado. O uso indiscriminado, na aplicação em qualquer trabalho de cunho espiritual. e abusivo, no tocante aos valores envolvidos, que se sabe existir em muitos lugares, caracteriza o uso da religião para o enriquecimento ilícito, que se vale da necessidade alheia, do desespero de causa e da ignorância e ingenuidade para explorar e garantir o seu sustento e sobrevivência através da Umbanda que diz praticar.

Para entendê-la melhor reproduz-se abaixo o texto do Mestre Yapacani (W. W. da Matta e Silva), retiradas do livro “Umbanda e o Poder da Mediunidade” (1987 – 3a. edição – Livraria Freitas Bastos p. 77-80), para que cada um possa conhece-la e a partir daí utilizar o seu livre-arbítrio, tirar as suas conclusões.

“Mas o que é, em verdade, a lei de salva? Tentaremos explicar isso direitinho, pondo os pontos nos Is, que é para tirarmos a máscara de muitos falsos “chefes-de-terreiros” ou “babás”, ou que outro qualificativo lhes queiram dar, que fazem disso a “galinha dos ovos de ouro” … Essa lei de salva é tão antiga quanto o uso da magia. Existe desde que a humanidade nasceu. Os magos do passado jamais se descuidavam de sua regra, ou seja, da lei de compensação que rege toda ou qualquer operação mágica, quer seja para empreendimentos de ordem material, quer implique em benefícios humanos de qualquer natureza, especialmente nos casos que são classificados na Umbanda como de demandas, descargas, desmanchos etc.

Dessa lei de salva, ou regra de compensação sobre os trabalhos mágicos, nos dão notícia certos ensinamentos esotéricos com a denominação de lei de Amsra… Nenhum magista pode executar uma operação mágica tão somente com o pensamento e “mãos vazias” – isto é, sem os elementos materiais indispensáveis e adequados aos fins…

Essa história de pura magia mental é conversa para entreter mentalidades infantis ou não experimentadas nesse mister. Qualquer ato ou ação de magia propriamente dita requer os materiais adequados, sejam eles grosseiros ou não. Vão dos vegetais às flores, aos perfumes, aos incensos, as plantas aromáticas, às águas dessa ou daquela procedência até ao sangue do galo ou bode preto.

A questão é definir o lado: – ou é esquerda, ou é direita, negra ou branca. Ora, como toda ação mágica traz sua reação, um desgaste, uma obrigação ou uma responsabilidade e uma consequência imprevisível (em face do jogo das forças movimentadas) é imprescindível que o médium-magista esteja coberto ou que lhe seja fornecida a necessária cobertura material ou financeira a fim de poder enfrentar a qualquer instante essas possíveis condições…Então é forçoso que tenha uma compensação.

Aí é que entra a chamada lei de salva, ou simplesmente SALVA… Mesmo porque, todo aquele que, dentro da manipulação das forças mágicas ou da magia, dá, dá e dá sem receber nada, tende fatalmente a sofrer um desgaste, pela natural reação de uma lei oculta que podemos chamar de vampirização fluídica astral, que acaba por lhe enfraquecer as forças ou as energias psíquicas… E naturalmente o leitor, se é médium iniciado na Umbanda, nessa altura deve estar interessadíssimo em saber como será essa compensação.

Claro, vamos dizer como é a regra, para que você possa extrair dela o que seu senso de honestidade ditar: […] de quem tem, peça três, tire dois e dê um a quem não tem; e de quem não tem, nada peça e dê até o seu próprio vintém […]. É claro que essa lei de salva ou de compensação, própria e de uso exclusivo em determinados trabalhos de magia, não pode ser aplicada em todos os “trabalhinhos” corriqueiros que se pretenda ser de ordem mágica.”

A Lei de Salva é uma regra inviolável, ela também tem a sua contraparte de retorno para aqueles que dela abusam. Como diz Mestre Yapacani: “É triste vermos como a queda desses verdadeiros médiuns magistas é vergonhosa, desastrosa até… Começa acontecer cada uma a esses infelizes! Desavenças no lar, separações, amigações, neuroses, bebida, jogo e uma série de “pancadarias” sem fim, inclusive o desastre econômico (…) e no final de tudo, verdadeiros trapos-humanos (…).”

Por Mãe Mônica Caraccio, postado em 10 de junho de 2010, disponível no site http://www.minhaumbanda.com.br/blog/?p=1807, consultado em 25/04/2014.