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Os Mistérios da Mediunidade

por Rubens Saraceni (*)

Saibam que todo mistério é emanado por Deus e manifesta-se nas pessoas como dons do espírito.

Algumas pessoas têm o dom de orar e são benzedores. Outras têm o dom de ensinar e são instrutores etc.

Mas no campo religioso, os dons assumem um caráter especial porque quem procura uma pessoa ungida por um dom, só procura porque crê que será ajudado, ou porque já tentou solucionar seus problemas e não conseguiu. Então recorre a um benzedor porque está desesperado, angustiado ou aflito.

Aqueles que vão porque creem, vão porque têm fé no poder dos benzedores e ao primeiro sinal de dificuldades os procuram. Já os do segundo caso, estes só vão porque nada mais lhes resta.

Então dizemos que uns vão por amor (têm fé) e outros vão pela dor (estão aflitos). Mas, por que os benzedores têm esta capacidade e com poucos recursos materiais curam onde a toda poderosa medicina fracassou?

Bom, os mistérios de Deus são mesmo divinos, e têm um poder único emanado por Ele para atuar através das pessoas. Somos parte Dele e podemos manifestar Seus mistérios através dos dons que Nos concedeu.

Agora, afora os manifestadores naturais dos dons, e que geralmente são benzedores ou
paranormais, temos as pessoas que são médiuns e que são manifestadoras dos dons dos espíritos. Estas pessoas sempre existiram e sempre existirão porque é uma faculdade muito comum, combatida pelos sacerdotes das religiões abstratas ou mentalistas.

A inquisição católica combateu com a tortura, a humilhação e a fogueira as pessoas portadoras dessa faculdade mediúnica, esquecendo-se que seus santos milagreiros nem sempre resolviam os problemas dos católicos, que corriam em busca dos benzedores, dos curandeiros, dos magnetizadores e dos charlatães.

O padre tudo podia e não admitia concorrência em sua área de atuação. E porque os outros eram mais eficazes, então os excomungava, os amaldiçoava e os perseguia, esquecendo-se que Jesus Cristo foi um médium curador, um magnetizador, um benzedor, e um religioso perseguido pelos rabinos de então, que nunca aceitaram sua magnífica divindade.

Hoje temos os novos inquisidores, que são os “evangélicos”, que em sua maioria já frequentaram centro espírita, centro de umbanda, Candomblé, benzedores, igreja católica, budismo, esoterismo, etc., e não deram certo em nenhum lugar. Então foram recolhidos ao reformatório cristão e logo decoraram alguns salmos ou epístolas e arvoraram-se em únicos “salvos”, como se ao resto da humanidade não reste outra coisa senão as trevas.

Mas estes tolos de boa-fé se esquecem que foram levados pela dor ao reformatório cristão, justamente porque não davam ouvidos aos alertas que recebiam por onde passavam, só lhes restando o caminho da reforma mental e emocional. Mas não se emendam mesmo e procedem como a raposa da fábula, que ao não alcançar as uvas (os dons) virou-lhes as costas dizendo que estavam verdes!

É o típico caso de criticar aquilo que não conseguiu conquistar ou mesmo não entendeu nada do que lhe foi transmitido. Auto intitulam-se como “Povo de Deus”, como se Deus os tivesse ungido e condenado o resto da humanidade ao inferno. Para nós, são uns tolos iludidos pelos falsos pastores.

Bem, até aqui fomos bastante críticos porque a ignorância sobre as coisas divinas é imensa, e pessoas em diferentes religiões praticam a mesma coisa, mas cada um acha-se o dono da verdade e detentor único do acesso a Deus, aos seus mistérios e ao paraíso ou céu.

Então o melhor a fazer em religião é deixar os adeptos das outras em paz e procurar aprender e evoluir naquela que mais nos atraiu e melhor nos fala de Deus e de seus mistérios.

Sim, só quando um mistério é apreendido por nós é que conseguimos ativá-lo em nosso benefício ou dos nossos semelhantes. Mas o mais difícil é esta apreensão, pois a maioria das pessoas sabe que há os dons do espírito mas não sabe como são e porque uns os manifestam e outros não.

Saibam que, se todos os mistérios provêm de Deus, no entanto Ele nos facultou a incorporação deles e seu uso posterior em benefício dos que nos procuram.

Tem sido assim sempre, e médiuns curadores têm dado provas de que são manifestadores de qualidades únicas no campo dos fenômenos paranormais ou mediúnicos.

Mas um médium de incorporação não é só um manifestador do seu dom. Não! Ele, por ter o dom de incorporar espíritos manifestadores de seus dons, então é um portador da faculdade de manifestar “os dons dos espíritos”, que o procuram e através dele ajudam muitas pessoas. Sim, os espíritos também têm seus dons pessoais, aos quais manifestam quando incorporam em seus médiuns.

Observem que dissemos que um médium tem seu dom pessoal, mas que, além dele, tem a faculdade de manifestar os dons dos espíritos que o procuram, nele incorporam, e através dele auxiliam muitas pessoas.

— Quem são os médiuns?

Os médiuns são pessoas que possuem uma faculdade que possibilita que um espírito vibrando num grau magnético ocupe o seu corpo físico que vibra em outro grau magnético. Só assim, em graus magnéticos diferentes, dois corpos podem compartilhar de um mesmo espaço, sem se desequilibrarem emocionalmente. Ou vocês nunca notaram que algumas pessoas obcecadas por possuírem mediunidade, manifestam emocionalmente os espíritos que as obsidiam? Sim, isto acontece e a pessoa tem dupla personalidade, pois hora é ela mesma e noutra hora tem um comportamento estranho a quem a conhece, mas que para ela é imperceptível e nem nota sua mudança, pois crê que tudo se deve ao que a desagradou naquele momento.

Portanto, mediunidade é um dom e deve ser lapidada até tornar-se pura e só refletir os dons dos espíritos superiores ou dos espíritos ordenados pela Lei, que rege esta faculdade paranormal.

Entendam que muitas pessoas são médiuns, mas nem todas lidam corretamente com esta sua faculdade. Pesquisem um pouco e descobrirão que o xamanismo, a pajelança, a feitiçaria, etc., são mais antigos que as atuais religiões.

Saibam que as religiões são uma forma de ordenação das faculdades e dos dons das pessoas, e nada mais. Tendo isto em mente, então deixarão de existir motivos para disputas pessoais e verão que a dois mil anos atrás, quando Jesus comovia multidões com suas pregações e induzia ao êxtase místico todos os que o assistiam e que possuíam mediunidade, os pajés que aqui viviam também induziam tribos inteiras ao êxtase mediúnico em suas danças religiosas.

E o mesmo faziam os curandeiros africanos e os xamãs siberianos. O dom de incorporação é tão antigo quanto à própria humanidade e a maioria dos profetas eram médiuns. Mas como os israelitas combatiam a mediunidade, pois interessava aos seus sacerdotes mentalistas e abstracionistas, então pessoas paranormais eram classificadas como “profetas”, pois prediziam o futuro ou davam alertas corretos, pois eram intuídos por espíritos superiores. Mas era só isto, e nada mais.

Agora, isto de tê-los na conta de pessoas muito especiais, aí já ultrapassa o bom senso, pois os médiuns videntes ou clarividentes veem espíritos muito luminosos, veem Anjos ou Arcanjos, e os médiuns videntes da Umbanda veem os Tronos de Deus, que são os Orixás que até se comunicam com eles.

Se o espiritismo quiser, também pode classificar Allan Kardec, Chico Xavier e outros espíritas excepcionais como seus profetas, pois eles não são inferiores em nada aos profetas bíblicos, e até são superiores, pois tinham, ou têm, noção do que recebem via intuição ou inspiração, e diferenciam os seres superiores (Anjos, Arcanjos, Tronos, etc.) e não caem na falácia de afirmarem que viram ou falaram com Deus.

Mas, como em religião o que importa é a impressão causada, de vez em quando ouvimos uma pessoa dizendo que viu Deus e até conversou com Ele frente a frente. Assim! Bom, que cada um iluda-se como achar melhor, se isto o satisfaz. Mas que terá uma surpresa nada agradável após desencarnar, isto terá.

Portanto, você que é um médium consciente de suas faculdades mediúnicas, vigie-se, porque a falta de bom senso tem posto a perder pessoas manifestadoras de dons maravilhosos, mas que os desvirtuaram porque se acreditavam ungidos muito especiais, assoberbaram-se. E hoje amargam uma mágoa contra a espiritualidade ou até mesmo contra os Orixás, que continuam a ampará-los, pois assim que se desemocionarem e retornarem à linha reta da evolução, voltarão a ser bons médiuns.

Bem, como dizíamos, o dom da incorporação possibilita aos médiuns manifestarem os dons dos espíritos que incorporam neles. Mas só depois de serem lapidados e preparados para lidarem com forças poderosíssimas e poderes emanados por Deus, mas confiados às Divindades.

Saibam que toda Divindade é manifestadora de muitos mistérios de Deus, mas um em especial é o que a caracteriza e a distingue de todas as outras. Já as Divindades que manifestam um mesmo mistério são ordenadas em uma hierarquia que começou em Deus e é infinita.

Um mistério é infinito em si mesmo e traz em si muitos dons, todos regidos pela Divindade que é o mistério em si mesma porque ela é a individualização de uma qualidade de Deus, que se manifestam nela e a torna uma de suas muitas manifestações.

Como toda Divindade dá início a uma hierarquia divina, então todos os membros de uma
hierarquia são tidos como Divindades, mas com graus e campos de ação diferenciados.

Nós temos um Orixá ou Trono Ogum planetário que ordena todas as dimensões aqui existentes. (O planeta Terra, desde sua vibração terra até sua vibração mais sutil, possui setenta e sete dimensões diferentes, cada uma isolada da outra, mas todas em paralelas).

(*) Rubens Saraceni foi um médium e escritor brasileiro, com inúmeras obras publicadas. Fundador do Colégio Tradição de Magia Divina, colégio este que se destina a dar amparo aos magos iniciados nas magias abertas ao plano material e espiritual, desencarnou em 09/03/2015.

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