↑ Retornar para Artigos e Textos

A Banalização do Sacerdócio

Por Maísa Intelisano (*)

maisa intelisano

De uns anos para cá, um fato muito tem chamado a atenção, a nossa Umbanda, os fundamentos e preceitos estão se tornando banais, em função da Banalização do Sacerdócio. Antigamente, os médiuns que almejavam um dia se tornar Sacerdotes de Umbanda, frequentavam durante anos a mesma casa, seguindo a mesma raiz e os ensinamentos de um único Pai ou Mãe de Santo, o que vemos hoje é justamente o contrário, filhos de santo que se tornam Sacerdotes do dia para a noite, em menos tempo talvez do que o necessário para a sua devida preparação.

Porque essa pressa?

Porque essa ânsia em ostentar um título de Sacerdote?

Será culpa do filho ou de quem o acolhe em sua casa e compactua com esse tipo de situação?

Onde foi parar aquela Umbanda passada de Pai para Filho?

Onde foi parar os fundamentos sagrados da religião que devem ser passados em segredo para os futuros Sacerdotes?

Onde foi parar a responsabilidade de nossos Sacerdotes em preparar um filho e por consequência mais uma casa que será aberta e será praticada a Umbanda sagrada?

Onde foi parar o respeito pelo ser humano, que procura as nossas casas em busca de um socorro, de um auxílio, de uma Luz?

Como passar o que você não tem?

Como ensinar o que você não aprendeu?

Como espalhar frutos de uma raiz que você não plantou?

Estamos na era da tecnologia, da informação em segundos, do material acima do espiritual, do poder econômico falando mais alto do que o poder Divino.

Será que estamos no caminho certo?

Será que evoluímos mesmo ou apenas os séculos é que se passaram?

Nossos Terreiros hoje são abertos em prol de um bem maior, a Umbanda como religião?

Ou estão servindo de “palco” para Sacerdotes mal preparados, mal orientados e muitas vezes infelizmente ainda nem consagrados Sacerdotes como manda a Lei Divina, porque simplesmente a Lei dos Homens com seus interesses pessoais acabam falando mais alto?

Aos Sacerdotes mais antigos, fica o aviso, a Centelha Divina está sendo perdida!

Aos Sacerdotes mais novos, fica o pedido, busquem novamente pela Centelha Divina e a incorporem em suas casas!

Abaixo segue a transcrição de um texto que não se relaciona direto à Umbanda, mas sim a quem representa a Umbanda na terra: o Homem, o Sacerdote!

“É triste ver como as pessoas desperdiçam oportunidades preciosas de crescimento”. Alienadas de sua essência caminham inconscientes pelo mundo, achando que são senhoras de seu destino. Vagueiam aleatoriamente pensando que escolhem seu rumo, seu fim. Comparando essências, até o verme que se arrasta pela terra é um ser mais consciente do que o homem. Sem noção de individualidade, cumpre seu papel cósmico, obedecendo naturalmente os comandos divinos. Sem deixar de ser o que é, funde-se ao todo ao cumprir sua função, para a qual Deus o criou, permitindo sua existência.

O homem, entretanto, com toda consciência de si mesmo, bem maior do que os outros seres faz questão de ignorar sua origem divina, sua essência cósmica, e quer tornar-se senhor em um mundo onde não sabe a diferença entre realidade e ilusão, onde não é capaz de dominar nem os próprios pensamentos.

Ri dos outros, sem perceber que, na verdade, ri de si mesmo. Atribui suas lágrimas aos outros, sem se dar conta que chora por sua própria causa.

Agride os outros, sem pensar que primeiro agride a si mesmo. Nega-se a amar, sem refletir que está negando para si mesmo o amor.

Recusa-se a estender a mão, sem se lembrar de que recusa a si próprio a mão estendida.
Pobre homem, ilhado em seu orgulho e cego em seu egoísmo, rejeita o próximo sem atinar que o que rejeita no próximo está em sua própria essência.

No entanto, o universo se manifesta num ir e vir eterno e infinito. E quem se recusa a entrar no ritmo desse movimento, sofre o atrito das ondas cósmicas que o jogam de um lado a outro na fileira das reencarnações, até que aprenda a dar e receber espontaneamente, no fluxo natural da Criação, sem que para isso seja preciso fazer qualquer esforço ou sacrifício.”.

Por Maísa Intelisano – São Paulo, SP 30 de julho de 2002.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>