Retornar para Carta Magna da Umbanda– Última atualização 2017

Desafios e perspectivas para Umbanda no século XXI

Por Paulo Tharcicio Motta Vieira

Entende-se emergencial a necessidade de uma articulação nacional com o objetivo de buscar o reconhecimento e a legitimação da Umbanda como religião.

Da mesma forma, é necessário também e urgente dar um norte para o futuro da Umbanda, evitando utilização do nome da Umbanda em atividades que buscam somente a utilização do seu nome por aproveitadores da Fé das pessoas, extorquindo valores para a realização de trabalhos que ferem os princípios morais, éticos, cármicos e o livre arbítrio.

É preciso dar uma basta aos mistificadores, que através de anúncios em postes, ou com verdadeiras arapucas, se utilizam do nome da Umbanda para ganhar dinheiro dos mais incautos.

Deve se ter a preocupação com a Umbanda que será deixada para as gerações futuras de Umbandistas, se essa que é alvo de discriminação e preconceito, ou uma religião que as pessoas possam assumir sem o medo de represálias e perseguição.

Curitiba, capital do estado, foi a precursora em reconhecer e o estado do Paraná um dos poucos que reconhece oficialmente o dia 15 de novembro como o “Dia da Umbanda e dos Umbandistas”, data que já foi reconhecida nacionalmente pelo estado brasileiro.

Ainda assim, as represálias e perseguição são sentidas também aqui, tendo em vista, talvez, o processo civilizatório do estado que apresenta a população negra com pequena proporção numérica e indicadores invejáveis de renda e qualidade de vida.

A Umbanda tem pouca aceitação pelas populações de alta renda, acredita-se que por estarem vinculadas as questões que remetem ainda ao tempo da escravidão, embora se note, a partir das comemorações do 1° Centenário em 2008, uma mobilização efetiva e um aumento da quantidade de templos, dos fiéis e dos frequentadores.

Tendo como certo que a melhor maneira de combater a discriminação e o preconceito é a conscientização e o esclarecimento, é cada vez mais necessária a integração dos Umbandistas entre si e com a sociedade, numa articulação que inicie localmente, avance para a regional e se estabeleça nacionalmente, de forma a unificar a mobilização dos Umbandistas, pelo reconhecimento efetivo e legitimação da sua religião.

É importante perceber que não se quer dividir, acredita-se na diversidade de ritos como a grande riqueza da Umbanda, ao contrário, entende-se necessário articular os Umbandistas para a definição da sua identidade religiosa, esclarecendo, tanto interna, para os Umbandistas, quanto externamente para o conjunto da sociedade, o que é a religião de Umbanda.

Dado esse pressuposto, tomou-se conhecimento da proposta do Movimento Político Umbandista, coordenado pelo Pai Ortiz Belo, surgido inicialmente em São Paulo, mas, que já se articula em vários estados do Brasil, e até no exterior.

O MPU se propõe a organizar em 2017 um Congresso Nacional da Umbanda, onde será discutida e aprovada a “Carta Magna da Umbanda”, documento que se propõe a estabelecer essa identidade a partir de pontos que já são comuns aos Templos Umbandistas em atividade, baseadas nas orientações emanadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestando-se através do Médium Zélio Fernandino de Morais. Os assuntos tratados são também princípios norteadores dos templos e médiuns associados a FUEP, assim, consolidam também os princípios que norteiam as ações da FUEP.

Uma vez constatada essa convergência de princípios, convocou-se o 3° Seminário de Cultura e Cidadania Umbandista do Estado do Paraná, em 2014, com o objetivo de conhecer o Movimento Político Umbandista, a proposta do Congresso Nacional da Umbanda e a pauta da Carta Magna da Umbanda.

De lá para 2017, muitas discussões e atualizações, chegando-se a última versão da mesma, que deve ser lançada oficialmente em Mar/2017, em atividades simultâneas nas mais diversas cidades e regiões do nosso país.

3° Seminário_3

O que deve ficar claro e pacificado entre todos os Umbandistas do nosso estado é o papel da FUEP que é de fomentadora das discussões, não lhe competindo aderir ou não a Carta Magna da Umbanda, o que deve ser decidido pelos Dirigentes, Médiuns e demais frequentadores dos Terreiros de Umbanda de nosso estado, da maneira mais ampla e participativa possível.

Contudo, é importante frisar que ao aderir, os Terreiros demonstrarão ao conjunto da sociedade, e principalmente aos seus Médiuns e assistidos os princípios que orientam os trabalhos de caridade ali realizados.

Que nos valha o Cristo Jesus, Oxalá da nossa Umbanda! Axé!

(*) Paulo Tharcicio Motta Vieira é o presidente da Diretoria Executiva da FUEP, Gestão 2013/2017