mar 02 2016

A Mediunidade e o psiquismo humano

Por Djalma Santos
Colaborador do CCCE

Psiquismo e Mediunidade

Sempre existiu uma ideia errônea de que o subconsciente seria o responsável pela personificação às vezes anômala e parasitária da vontade do médium, criando obstáculos ao exercício da mediunidade. Isso faz com que se apresentem, muitas vezes, conceituações apressadas e negativas, atribuindo patologias inerentes ao próprio indivíduo que lhe dariam facilidades para a comunicação com os chamados mortos.

Os componentes da histeria também são apontados como coadjuvantes de diagnósticos aberrantes, com fundamento no campo cerebral, que seria o órgão encarregado de arquivar os conflitos, assim como as frustrações que se materializariam como estados mentais de alienação, necessitando de um tratamento especializado, mesmo em detrimento da comunicação espiritual.

Além de todas essas dificuldades em se estabelecer parâmetros sobre a mediunidade, temos a hipótese da fraude, da dissimulação, da telepatia, ou da hiperestesia[1], que certamente fazem parte desse contexto tão complicado na vida do médium e interferem na tentativa de se negar a veracidade da comunicação dos desencarnados com os encarnados, que ainda jornadeiam aqui no Planeta Terra.

Essas possibilidades apontadas podem perfeitamente se tornarem reais, principalmente quando conta com o fenômeno anímico, em que prevalece a vontade do médium, mas sem prejuízo nenhum para o fenômeno mediúnico, que se verifica quando prevalece a força mental do espírito comunicante, aproveitando a passividade do sensitivo, que se torna dócil e obediente às mensagens que lhe são transmitidas do mundo espiritual.

A fraude, a dissimulação e outras formas aleatórias no campo da mediunidade, ficam por conta do caráter do homem que, ainda imperfeito, deixa-se levar por espíritos zombeteiros, imperfeitos e maus, que sentem prazer em se comunicar com os homens trazendo mensagens falsas e jocosas, sem nenhum aproveitamento moral, mas que só fazem isso porque encontram parceiros no campo humano, que os atraem e os vitalizam, dando condições para que se imiscuam na vida física das pessoas.

A mediunidade, de um modo geral, se apresenta como expressão fisiopsíquica relativa ao próprio homem terreno, e é por este meio que se é possível entrar em contato com outras faixas vibratórias do Universo, além ou aquém dos raios infravermelho ou ultravioleta, que nos envolvem e nos interpenetram, como representações do Fluido Cósmico Universal que, em síntese, é o hausto[2] divino, ou seja, a força nervosa do todo poderoso que é Deus.

A nossa percepção sensorial é relativamente pequena e é mantida numa pequena faixa de vibrações, porque somente as ondas eletromagnéticas de luz, que transitam entre o infravermelho – que é a mais baixa frequência visível – e o ultravioleta – que é a frequência mais alta – podem ser captadas, pelo fato de que é permitido vibrar nos terminais do nervo óptico da retina dos olhos. No entanto, as ondas de rádio, as micro-ondas e as caloríficas, por não corresponderem à frequência de ressonância íntima que possam atingir a visão, não podem ser percebidas embora sejam da mesma natureza das cores registradas em outras frequências vibratórias.

Os desequilíbrios que se verificam no campo da mediunidade são inerentes aos homens, que muitas vezes trazem em germe essas psicopatologias em todos os campos da vida, exsudando[3] em oportunidades próprias esses fatores negativos, que até certo ponto dificultam o trabalho no campo mediúnico, ao ponto de, às vezes, chegar ao descrédito, vulgarizando conceitos negativos relativos à mediunidade que não correspondem à verdade. Em muitos casos, se diz que a mediunidade provoca a desarmonia mental, quando na realidade o exercício da mediunidade harmoniza a vida do médium e de seus familiares.

Como tudo na vida física, a mediunidade necessita de educação, de conhecimento da doutrina e de uma formação moral rígida, em que o médium sabe exatamente o que fazer para manter um relacionamento ético e solidário com as entidades com quem venha a se comunicar. Enfim, o mesmo tipo de relacionamento que se faz aqui com os vivos, que também deve ser ético, leal, sincero e transparente, ou seja, que é bom com os vivos, certamente será também muito bom com os chamados mortos.

Todo e qualquer instrumento de trabalho deixado ao abandono, à deriva, com o decorrer do tempo, vai se tornar inútil, devido ao atrofiamento da vitalidade não exercida. O mesmo ocorre com as energias que dão possibilidade para os fenômenos mediúnicos, que se forem abandonadas pela falta de uso dessas faculdades, certamente ocorrerá atrofia, e os espíritos vão se afastando aos poucos, retirando do médium as percepções da paranormalidade.

A mediunidade só é bem executada quando é posta a serviço do engrandecimento das criaturas e da sociedade em que vive o médium. A mediunidade espírita proporciona gozos inefáveis e respeito, que dá felicidade àquele que está ajustado ao bem, como acontece com todas as iniciativas no campo da solidariedade e do compartilhamento, nas demais faixas do comportamento humano. O médium sincero e caridoso encontra, do outro lado da vida, todos aqueles com quem conviveu, assim como com os espíritos com manteve comunicação mediúnica, o que lhe dá uma alegria indizível, difícil de ser retratada pela mente humana.

Alan Kardec afirma no Livro dos Médiuns que a mediunidade é uma manifestação anômala, muitas vezes da personalidade humana, porém, jamais de natureza patológica, tendo em vista que existem médiuns de saúde robusta, o que se leva a crer que os que apresentam sintomas de alienação psíquica o são por outros motivos, totalmente descartados do exercício da mediunidade.

Disponível no site: http://www.correioespirita.org.br/categoria-de-materias/mediunidade-espiritismo/1052-a-mediunidade-e-o-psiquismo-humano, acesso em 28/02/2016.

Glossário

[1] hiperestesia: Ouvir, Ver, Sentir, Indiretamente através da mente.

A habilidade de ver a Distância, poder descrever qualquer lugar que lhe seja solicitado, esta capacidade , é conhecida como , hiperestesia indireta, visão indireta, clarividência. Assim como todos os atos psíquicos, produzidos conscientemente ou inconscientemente, relacionados a pensamentos, telepatia, recordações inconscientes, sentimentos, que se produzem com ou sem reflexos físicos facilmente registrados.

E possível indiretamente qualquer pessoa, emanar energias psíquicas, que podem ser facilmente captadas por outra que possuem uma maior sensibilidade receptiva de energias psíquicas.

Alguns pesquisadores da área, afirmam que dois centros nervosos só são capazes de manter uma comunicação que transcende tudo o que é conhecido pela ciência, temporariamente. Porém a maioria dos parapsicólogos acreditam que todas as pessoas possuem habilidades em graus diferente, de promoverem fenômenos de Hiperestesia indireta, HIP.
Esses poderes podem ser treinados e desenvolvidos, podem ser reforçados ou ampliados. Porém as pesquisas indicam que a recepção destas emanações de energias psíquicas produzidas por outros, só podem adquirir força se alguma coisa dentro de nós corresponde àquele pensamento. Isto quer dizer que é muito mais fácil perceber mensagens telepáticas de pessoas íntimas a nós, que temos algum tipo de ligação, afinidade, amor, ódio, do que receber mensagens telepáticas de um estranho.

Exemplo: O Senhor Fred Trusty, em Cleverland EUA, estava trabalhando em seu jardim quando teve subitamente uma sensação estranha, inexplicável. Abandonou as ferramentas e correu para perto de um lago situado no final do jardim. Tudo parecia calmo. Estava para retornar ao trabalho quando sentiu um apelo misterioso. Esta vez viu um boné boiando no lago, imediatamente correu e mergulhou, e no fundo viu o corpo de uma criança. Era seu filho. Ele conseguiu retirá-lo e reanimá-lo.

Certamente neste caso, o Senhor Fred Trusty, percebeu indiretamente e mentalmente o apelo de socorro de seu filho. O menino enviou a mensagem telepática, e o Fred o pai a captou.

Outra história muito famosa foi de Joana D”Arc, menina camponesa que em 1949, conseguiu convencer o príncipe Carlos VII da França da sua santidade e missão. O príncipe antes de recebê-la propôs um teste para confirmar a sua autenticidade. Ele iria se misturar aos nobres no salão enquanto um impostor sentaria ao seu trono. Imediatamente ao entrar no nobre recinto, a jovem Joana olhou para o trono onde estava o impostor, voltou-se para o meio dos nobres, e seguiu diretamente para o Príncipe Carlos VII, onde prestou sua reverência. Todos na corte ficaram admirados. A jovem percebera mentalmente o verdadeiro herdeiro da França, peça importantíssima de sua missão.

Mesmo assim Carlos VII não ficou muito convencido, e achou que poderia ter sido uma coincidência. Ele propôs outro teste, longe da corte, somente entre os dois. Nesta ocasião a Jovem Joana D”Arc repetiu-lhe palavra por palavra, uma oração que ele costumava fazer, esta oração foi captada mentalmente do Príncipe, que finalmente ficou convencido da santidade da menina

Muitas vezes o dom de falar língua manifestada por um médium pode ser explicada pela hiperestesia indireta. Geralmente a pessoa que apresenta este dom se encontra perto de alguém que realmente domina a língua, o médium apenas recebe telepaticamente todo o saber do idioma e pronuncia as palavras.

[2] hausto: 1 – Ato de haurir. 2 – Gole, trago. 3 – Medicamento que se bebe. 4 – Aspiração, sorvo.

[3] exsudar: Suar, transpirar. Segregar em forma de gotas: a resina exsudava do tronco dos pinheiros.

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