out 19 2017

Louvado seja!

Participamos da celebração inter-religiosa “A segurança alimentar nutricional e sustentável” no Espaço Ecumênico da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná.

Foi um momento de partilha, de preces e de busca espiritual, no sentido de entender o mundo em que vivemos e as barreiras econômicas que privam um grande contingente populacional do direito mais fundamental que é o direito ao alimento farto e de boa qualidade.

Estranhamente isso acontece num momento civilizatório onde se produz mais alimentos do que o necessário para a população mundial, entretanto a ganância faz com que se desperdice alimentos de boa qualidade, que são jogados fora diariamente.

Assim, se o egoísmo degrada a vida, de outro lado a fé, a ação solidária e a unidade de todos pode trazer uma vivência mais ecológica que, ao mesmo tempo atenda as necessidades da população e proponha práticas mais sustentáveis na relação com o planeta que nos acolhe, buscando preservá-lo.

Nesse sentido a encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco nos ensina e aconselha sobre a relação com a natureza planetária, privilegiando o ser humano.

Vale a leitura do artigo do Observatório do Clima.
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Entenda ponto a ponto a encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco

Publicado com a autorização do Observatório do Clima, disponível em http://www.observatoriodoclima.eco.br/a-enciclica-de-francisco-ponto-a-ponto/, acesso em 19/10/2017.

O OC dissecou as principais mensagens e os pontos-chave do texto papal; saiba por que ele é um manual completo de desenvolvimento sustentável

Detalhe do afresco “A Criação”, de Michelangelo, na Capela Sistina (Foto: Creative Commons)

A mensagem central da encíclica “Laudato Si” (“Louvado Sejas”), a primeira do papado de Francisco produzida integralmente por ele, é uma frase repetida três vezes ao longo de suas mais de 190 páginas: “tudo está conectado”.

O ser humano não está dissociado da Terra ou da natureza, eles são partes de um mesmo todo. Portanto, destruir a natureza equivale a destruir o homem. E destruir o homem, para os católicos, é pecado. Da mesma forma, não é possível falar em proteção ambiental sem que esta envolva também a proteção ao ser humano, em especial os mais pobres e vulneráveis.

Esse raciocínio, que o papa chama de “ecologia integral”, permeia toda a construção da carta encíclica, tanto do ponto de vista da argumentação religiosa quanto das prescrições políticas – que Francisco faz num nível de detalhe assombroso, como quando critica a incapacidade das conferências internacionais de responder à crise climática, sugere uma saída gradual dos combustíveis fósseis e até mesmo propõe mudanças no modelo atual de licenciamento ambiental.

A crise climática, segundo o texto da encíclica, é uma das faces de uma mesma grande crise ética da humanidade.
Esta é produzida pela ruptura das relações com Deus, com o próximo e com a terra, que o papa chama de as “três relações fundamentais da existência”. Os padrões insustentáveis de produção e consumo da sociedade global, impulsionados pela tecnociência fora de controle, levam à degradação das relações humanas e à degradação também da “nossa casa comum”, que é como Francisco chama o planeta.

Pouca coisa na agenda socioambiental parece ter escapado à análise de Sua Santidade: além do clima, Francisco pontifica sobre proteção dos oceanos, poluição da água, espécies ameaçadas, florestas e povos indígenas. Em relação a todos esses temas, as principais críticas recaem sobre os países ricos (a expressão “produção e consumo” aparece cinco vezes no texto), que são chamados a compensar os pobres pela degradação. Mas os países em desenvolvimento são também exortados a examinar o “superconsumo” de suas classes abastadas e a não repetir a história dos ricos durante seu desenvolvimento.

Em vários pontos da encíclica o papa entra “con gioia”, como dizem os italianos, em campos minados. Defende abertamente, por exemplo, uma ideia ainda maldita nos círculos econômicos, a de que as sociedades abastadas precisarão “decrescer” para que haja recursos para os pobres se desenvolverem.

Também compra uma briga histórica com a direita evangélica norte-americana ao sugerir que a noção de que o homem deve “sujeitar” a natureza é uma interpretação errada da Bíblia: jamais se supôs uma “sujeição selvagem”, diz, e sim um “cuidado”. A diferença é fundamental, já que os republicanos nos EUA frequentemente justificam a degradação ambiental citando as Escrituras, que colocam o homem numa posição se domínio sobre o ambiente. “Laudato Si” apresenta uma pequena revolução teológica ao colocar o homem como parte da natureza – uma parte especialmente criada por Deus, é verdade –, não como algo separado dela. Francisco amarra os evangélicos declarando, de saída, que a encíclica não é feita apenas para os católicos, mas para toda a humanidade, de todas as religiões, crentes e não-crentes.

A Carta Encíclica ‘Louvado Sejas’ do Santo Padre Francisco sobre o Cuidado da Nossa Casa Comum, nome completo do documento, está dividida em seis capítulos e 246 parágrafos, seguidos de duas orações escritas pelo próprio papa (uma delas intitulada Oração pela Nossa Terra). No primeiro capítulo, o papa faz um apanhado geral sobre “o que está acontecendo com a nossa casa”, resumindo as aflições ambientais do mundo amparado na ciência. No segundo, “O Evangelho da Criação”, ele traça uma argumentação teológica sobre as ligações entre ser humano e natureza. No terceiro, aborda as raízes humanas da crise ecológica; no quarto, discorre sobre sua “Ecologia Integral”. No quinto, apresenta seu chamado à ação, inclusive política, no âmbito internacional, mas também no dos governos locais – fazendo eco ao princípio do “pense globalmente, aja localmente” consagrado na Eco-92. No sexto, trata de educação, cultura e “espiritualidade ecológica”.

Leia aqui (http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html) a íntegra do texto papal, em português;

aqui (http://pt.radiovaticana.va/news/2015/06/18/laudato_si_um_guia_para_os_jornalistas/1152322), um guia de leitura para jornalistas feito pela Rádio Vaticana; abaixo, uma análise do OC de alguns dos principais pontos da encíclica, precedidos do respectivo número de parágrafo:

6 – Citando uma ideia de Bento XVI, faz crítica ao relativismo moral e à crença na liberdade sem limites como causa da degradação humana e ambiental:

“Mas, fundamentalmente, todas elas se ficam a dever ao mesmo mal, isto é, à ideia de que não existem verdades indiscutíveis a guiar a nossa vida, pelo que a liberdade humana não tem limites. Esquece-se que «o homem não é apenas uma liberdade que se cria por si própria. O homem não se cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza. ”

7 e 8 – Lembra que outras religiões também têm pensado sobre o problema ambiental, fazendo referência especial ao patriarca ortodoxo, Bartolomeu.

23 – Aqui a encíclica dá sua primeira grande pincelada na questão climática, decretando, com base num “consenso científico muito consistente”, que a culpa pelo aquecimento da Terra é dos gases do efeito estufa emitido pelos seres humanos, como afirma o IPCC.

“Há um consenso científico muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático. Nas últimas décadas, este aquecimento foi acompanhado por uma elevação constante do nível do mar, sendo difícil não o relacionar ainda com o aumento de acontecimentos meteorológicos extremos, embora não se possa atribuir uma causa cientificamente determinada a cada fenómeno particular. A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam. É verdade que há outros fatores (tais como o vulcanismo, as variações da órbita e do eixo terrestre, o ciclo solar), mas numerosos estudos científicos indicam que a maior parte do aquecimento global das últimas décadas é devida à alta concentração de gases com efeito de estufa (anidrido carbónico, metano, óxido de azoto, e outros) emitidos sobretudo por causa da atividade humana. ”

25 – Aborda a questão dos impactos sobre os mais pobres e dos refugiados do clima, populações que não têm sequer o reconhecimento oficial de sua situação:

“A falta de reações diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda do sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes, sobre o qual se funda toda a sociedade civil. ”

26 – Aponta a urgência do desenvolvimento de energias limpas e renováveis e da redução “drástica” das emissões de gases do efeito estufa nos próximos anos, “por exemplo” substituindo os combustíveis fósseis por energias renováveis. Reconhece que ainda é preciso desenvolver tecnologias de acumulação de energia (baterias), mas aponta que existem “boas práticas” em vários setores, como construção civil, produção e transporte.

27 – Faz mais um aceno à ciência ao afirmar que “já foram superados alguns limites máximos de exploração do planeta”. A tese dos limites planetários foi proposta em 2009, por um grupo de pesquisadores liderados pelo sueco Johann Eckström. Segundo o grupo, há nove limites que não devem ser ultrapassados para o funcionamento da biosfera, e a humanidade já ultrapassou dois: o efeito estufa e o balanço de nitrogênio e fósforo.

32 – Inicia o capítulo sobre perda da biodiversidade falando de florestas e de como não temos o direito de causar a extinção de outras espécies. O argumento de fundo teológico, também inovador, é que outras espécies não devem se colocar em subordinação à espécie humana para sua livre exploração; todas têm um valor intrínseco e, se extintas, “já não darão glória a Deus”. Mais adiante (parágrafo 138), o papa chega mesmo a dizer que boa parte do nosso código genético é compartilhada com outras espécies – irritação garantida para os fundamentalistas cristãos.

33 – Alerta contra as extinções em massa de espécies, que são vistas como “recursos” e não em seu valor inerente.
“Anualmente, desaparecem milhares de espécies vegetais e animais, que já não poderemos conhecer, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre. ”

37 – Sem usar o termo, alude aos hotspots de biodiversidade, locais altamente biodiversos e especialmente ameaçados.

38 – Fala da Amazônia e do Congo, chamando-os (equivocadamente) de os “pulmões do mundo”. Num aceno aos bispos latino-americanos, entre os quais esse discurso é ainda forte, alerta contrapropostas de internacionalização da Amazônia “que servem unicamente aos interesses econômicos das multinacionais”.

49 – Num subcapítulo sobre desigualdade planetária, delineia um elemento importante da “ecologia integral”, ao dizer que é preciso escutar tanto o grito da terra quanto o dos excluídos; estes não são ouvidos por ficarem frequentemente longe dos centros de poder e das vistas dos profissionais liberais e dos meios de comunicação; um isolamento social favorecido pela fragmentação das cidades, que “por vezes convive com um discurso verde”, mas:

“Uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres. ”

50 – Trata de um debate frequente entre países desenvolvidos e em desenvolvimento: de quem é a culpa pela degradação ambiental, do consumo insustentável (opinião dos países pobres) ou da superpopulação (opinião dos países ricos). Francisco resolve:

“Culpar o incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e seletivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas. ”

No entanto, não deixa de reconhecer os tons de cinza da questão:

“Em todo o caso, é verdade que devemos prestar atenção ao desequilíbrio na distribuição da população pelo território. ”

51 – Aponta a dívida ambiental dos ricos para com os pobres, tema ao qual voltará adiante, quando falar de soluções políticas.

54 – Critica a “falência” das cúpulas ambientais, causada pela submissão da política à tecnologia e às finanças. Num trecho muito contundente, proclama o destino comum desses encontros:

“Deste modo, poder-se-á esperar apenas algumas proclamações superficiais, ações filantrópicas isoladas e ainda esforços por mostrar sensibilidade para com o meio ambiente, enquanto, na realidade, qualquer tentativa das organizações sociais para alterar as coisas será vista como um distúrbio provocado por sonhadores românticos ou como um obstáculo a superar. ”

55 – Mesmo a consciência ecológica cada vez maior não basta para modificar hábitos nocivos de consumo. Aqui o papa faz uma pequena e insólita cruzada contra… os aparelhos de ar-condicionado, cuja demanda tem crescido no mundo todo.

57 – Este parágrafo aborda o meio ambiente como questão de segurança internacional.

“É previsível que, perante o esgotamento de alguns recursos, se vá criando um cenário favorável para novas guerras, disfarçadas sob nobres reivindicações. ”

59 – Critica uma “ecologia superficial” e a negação do problema para manter nosso estilo de vida e nossos modos de produção e consumo.

62 – Justifica a inserção de um capítulo sobre fé numa encíclica dirigida a todas as pessoas, crentes ou não, propondo um diálogo entre ciência e religião, “intenso e produtivo para ambas”.

66 e 67 – Nesses dois parágrafos, o bispo de Roma desenvolve uma argumentação teológica profunda, com base na interpretação do Gênesis, para sugerir que poluir é pecado. Este é um dos pontos centrais da encíclica, já que a função desse tipo de documento é de jurisprudência, de atualizar a doutrina católica e servir como um manual de conduta para o rebanho e de orientação para os padres. Ao reinterpretar a determinação bíblica de “sujeitar a terra”, o papa retira um dos principais argumentos cristãos para a degradação ambiental.

“ (…) a existência humana se baseia sobre três relações fundamentais intimamente ligadas: as relações com Deus, com o próximo e com a terra. Segundo a Bíblia, estas três relações vitais romperam-se não só exteriormente, mas também dentro de nós. Esta ruptura é o pecado. A harmonia entre o Criador, a humanidade e toda a criação foi destruída por termos pretendido ocupar o lugar de Deus, recusando reconhecer-nos como criaturas limitadas. Este facto distorceu também a natureza do mandato de «dominar» a terra (cf. Gên. 1, 28) e de a «cultivar e guardar» (cf. Gên. 2, 15).

Como resultado, a relação originariamente harmoniosa entre o ser humano e a natureza transformou-se num conflito (cf. Gên. 3, 17-19).”

“Não somos Deus. A terra existe antes de nós e foi-nos dada. Isto permite responder a uma acusação lançada contra o pensamento judaico-cristão: foi dito que a narração do Génesis, que convida a «dominar» a terra (cf. Gên. 1, 28), favoreceria a exploração selvagem da natureza, apresentando uma imagem do ser humano como dominador e devastador.

Mas esta não é uma interpretação correta da Bíblia, como a entende a Igreja. Se é verdade que nós, cristãos, algumas vezes interpretámos de forma incorreta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do facto de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas. ”

105 – Retoma e desenvolve o tema do homem sem limites, empoderado pela tecnociência e carente de responsabilidade – um enredo constante na narrativa da Igreja desde a Revolução Industrial.

“A verdade é que «o homem moderno não foi educado para o reto uso do poder», [84] porque o imenso crescimento tecnológico não foi acompanhado por um desenvolvimento do ser humano quanto à responsabilidade, aos valores, à consciência. Cada época tende a desenvolver uma reduzida autoconsciência dos próprios limites. ”

106 – Entrando em argumentos econômicos para explicar a crise social e ambiental, o papa adverte contra o paradigma tecnocrático alimentando o mito do crescimento infinito:

“Sempre se verificou a intervenção do ser humano sobre a natureza, mas durante muito tempo teve a característica de acompanhar, secundar as possibilidades oferecidas pelas próprias coisas; tratava-se de receber o que a realidade natural por si permitia, como que estendendo a mão. Mas, agora, o que interessa é extrair o máximo possível das coisas por imposição da mão humana, que tende a ignorar ou esquecer a realidade própria do que tem à sua frente.

Por isso, o ser humano e as coisas deixaram de se dar amigavelmente a mão, tornando-se contendentes. Daqui passa-se facilmente à ideia dum crescimento infinito ou ilimitado, que tanto entusiasmou os economistas, os teóricos da finança e da tecnologia. Isto supõe a mentira da disponibilidade infinita dos bens do planeta, que leva a “espremê-lo” até ao limite e para além do mesmo. Trata-se do falso pressuposto de que “existe uma quantidade ilimitada de energia e de recursos a serem utilizados, que a sua regeneração é possível de imediato e que os efeitos negativos das manipulações da ordem natural podem ser facilmente absorvidos. ”

107 a 110 – Crítica ao paradigma tecnocientífico globalizante massificante.

111 – Alerta (mais um, há vários na encíclica) contra a tentativa de resolver problemas ambientais com saídas tecnológicas, as chamadas “soluções tecnológicas”. Para o papa, isso significa “isolar coisas que na realidade estão conectadas e esconder os problemas mais profundos”.

132/134 – Nesses parágrafos o papa aborda uma questão científica recente, jamais tratada nesse nível de profundidade pela doutrina da Igreja: os organismos geneticamente modificados. A conclusão da encíclica é surpreendentemente equilibrada, apontando que não há evidências de prejuízos à saúde pelos OGM, mas pedindo exame caso a caso e a garantia de que as sementes transgênicas não provoquem o aumento da concentração fundiária e da pobreza rural.

146 – O parágrafo é dedicado aos povos indígenas, segundo o papa os melhores guardiões da terra. Cabe como uma luva na situação do Brasil, onde se vê conflito entre comunidades indígenas e a expansão do agronegócio, e pode ter sido inspirado por D. Erwin Krautler, bispo do Xingu, ou outros bispos latino-americanos.

“ (…) é indispensável prestar uma atenção especial às comunidades aborígenes com as suas tradições culturais. Não são apenas uma minoria entre outras, mas devem tornar-se os principais interlocutores, especialmente quando se avança com grandes projetos que afetam os seus espaços. (…) eles, quando permanecem nos seus territórios, são quem melhor os cuida. Em várias partes do mundo, porém, são objeto de pressões para que abandonem suas terras e as deixem livres para projetos extrativos e agropecuários que não prestam atenção à degradação da natureza e da cultura. ”

147/155 – Um extenso trecho da encíclica trata do meio ambiente urbano e da qualidade de vida nas cidades, tema cada vez mais essencial na medida em que cresce a população urbana.

159/160 – Chamado à justiça com as futuras gerações, que daria sentido à própria vida humana:
“Somos nós os primeiros interessados em deixar um planeta habitável para a humanidade que nos vai suceder. Trata-se de um drama para nós mesmos, porque isto chama em causa o significado da nossa passagem por esta terra. ”

164 – Chama atenção para necessidade de consenso político global sobre uma série de temas:
“Torna-se indispensável um consenso mundial que leve, por exemplo, a programar uma agricultura sustentável e diversificada, desenvolver formas de energia renováveis e pouco poluidoras, fomentar uma maior eficiência energética, promover uma gestão mais adequada dos recursos florestais e marinhos, garantir a todos o acesso à água potável. ”

165 – Aqui o papa deixa por um momento sua linha “sonhática” e faz uma concessão ao pragmatismo, admitindo que é preciso haver “soluções transitórias” na transição entre os combustíveis fósseis e as energias renováveis. Ele não diz o nome do santo que causaria esse “mal menor”, mas o gás natural e a energia nuclear (pela qual Francisco declara antipatia) costumam ser invocados quando os políticos falam em “soluções transitórias”. Não chega a ser uma defesa do gás, mas é um ponto importante da carta.
“Sabemos que a tecnologia baseada nos combustíveis fósseis – altamente poluentes, sobretudo o carvão, mas também o petróleo e, em menor medida, o gás – deve ser, progressivamente e sem demora, substituída. Enquanto aguardamos por um amplo desenvolvimento das energias renováveis, que já deveria ter começado, é legítimo optar pelo mal menor ou recorrer a soluções transitórias. Todavia, na comunidade internacional, não se consegue suficiente acordo sobre a responsabilidade de quem deve suportar os maiores custos da transição energética. ”

166 – Critica mais uma vez a falta de ação vista nas conferências ambientais.

167 – Reclama que os compromissos assinados em 1992 no Rio de Janeiro não produziram muito efeito porque não têm dentes: falta monitoramento, verificação e punição a quem descumprir compromissos. Mas defende os princípios do Rio, como o do poluidor-pagador, como “vias eficazes e ágeis de realização prática”.

169 – Francisco aqui faz uma declaração bem contundente sobre o fiasco das negociações de desertificação, biodiversidade e clima, e critica o resultado da Rio +20. Culpa os países ricos e conclui dizendo que a solução é rezar por bom termo dessas cúpulas:

“Nós, crentes, não podemos deixar de rezar a Deus pela evolução positiva nos debates atuais, para que as gerações futuras não sofram as consequências de demoras imprudentes. ”

170 – Defende o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas, e alerta contra a “internacionalização dos custos ambientais”.

171 – Alerta contra os mercados de carbono como uma panaceia: podem levar os países a nunca mudarem seus padrões de “superconsumo”.

172 – Põe uma lupa sobre os países pobres e compartilha a posição deles nas negociações internacionais, mas não sem chamá-los à responsabilidade: devem priorizar o combate à pobreza e receber subsídios dos ricos para desenvolver energia renovável, mas ao mesmo tempo fazer um exame do nível de consumo “escandaloso” de alguns setores privilegiados da população.

“Para os países pobres, as prioridades devem ser a erradicação da miséria e o desenvolvimento social dos seus habitantes; ao mesmo tempo devem examinar o nível escandaloso de consumo de alguns sectores privilegiados da sua população e contrastar melhor a corrupção. Sem dúvida, devem também desenvolver formas menos poluentes de produção de energia, mas para isso precisam de contar com a ajuda dos países que cresceram muito à custa da atual poluição do planeta. O aproveitamento direto da energia solar, tão abundante, exige que se estabeleçam mecanismos e subsídios tais, que os países em vias de desenvolvimento possam ter acesso à transferência de tecnologias, assistência técnica e recursos financeiros, mas sempre prestando atenção às condições concretas”

175 – Foca a questão da governança ambiental:

“A lógica que dificulta a tomada de decisões drásticas para inverter a tendência ao aquecimento global é a mesma que não permite cumprir o objetivo de erradicar a pobreza. Precisamos duma reação global mais responsável, que implique enfrentar, contemporaneamente, a redução da poluição e o desenvolvimento dos países e regiões pobres. O século XXI, mantendo um sistema de governança próprio de épocas passadas, assiste a uma perda de poder dos Estados nacionais, sobretudo porque a dimensão econômico-financeira, de carácter transnacional, tende a prevalecer sobre a política. Neste contexto, torna-se indispensável a maturação de instituições internacionais mais fortes e eficazmente organizadas. ”

178 – Esclarece por que os políticos não se interessam em enfrentar o desafio ambiental:

“O drama duma política focalizada nos resultados imediatos, apoiada também por populações consumistas, torna necessário produzir crescimento a curto prazo. Respondendo a interesses eleitorais, os governos não se aventuram facilmente a irritar a população com medidas que possam afetar o nível de consumo ou pôr em risco investimentos estrangeiros. ”

179 – Ressalta a importância dos governos e das iniciativas locais.

180 – Mais uma vez fala de transição gradual para uma nova realidade energética. Reconhece que não é possível resolver o problema de uma vez, mas arrisca que poupar energia faz parte das soluções para a crise do clima:

“Não se pode pensar em receitas uniformes, porque há problemas e limites específicos de cada país ou região. Também é verdade que o realismo político pode exigir medidas e tecnologias de transição, desde que estejam acompanhadas pelo projeto e a aceitação de compromissos graduais vinculativos. Ao mesmo tempo, porém, a nível nacional e local, há sempre muito que fazer, como, por exemplo, promover formas de poupança energética. ”

183 a 185 – Em outro trecho longo, o papa pontifica até mesmo sobre as falhas atuais dos processos de licenciamento ambiental.

186 – Defende o princípio da precaução.

189 a 192 – Começa falando da bolha financeira da crise de 2008, lamenta que tenhamos deixado passar a oportunidade de corrigir a economia. Depois, critica a externalização dos custos ambientais e a fé em que as forças de mercado darão um jeito no ambiente. E propõe uma nova economia, que ponha para trabalhar a criatividade em favor de menos desperdício e menos impacto.

193 – Em outro trecho contundente e muito importante da encíclica, usa a expressão “decrescimento”, excomungada da maioria dos círculos econômicos:
“Chegou a hora de aceitar um certo decréscimo do consumo nalgumas partes do mundo, fornecendo recursos para que se possa crescer de forma saudável noutras partes. ”

216 – Retomando a argumentação religiosa, desta vez mais especificamente voltada ao seu rebanho, detalha a ideia de “conversão ecológica”.

217 – Diz que a preocupação com o ambiente é um imperativo moral para os crentes, não algo opcional ou secundário. Este é o coração da mensagem da encíclica para os católicos:

“ (…) a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior. Entretanto temos de reconhecer também que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente. (…) Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa. ”

223 – Dá um recado aos cristãos: se fossem mais cristãos, não precisariam consumir tanto. Menos é mais:

“A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora. Não se trata de menos vida, nem vida de baixa intensidade; é precisamente o contrário. ”

out 12 2017

Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Católicos comemoram os 300 anos do “aparecimento” da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

A história conta que em outubro de 1717, três pescadores – João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia – foram encarregados de conseguir peixe para a festa que a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá iria oferecer ao governante da capitania hereditária de São Paulo e Minas de Ouro, que estava de passagem pela região. O problema é que, naquela época, outubro não era tempo de peixe.

Após várias jogadas de rede no rio Paraíba do Sul, apareceu nela um pedaço do corpo de uma imagem de Nossa Senhora Conceição. Surpresos e curiosos, eles lançaram a rede mais uma vez e “pescaram” a cabeça da imagem, que se encaixou perfeitamente ao corpo.

E, depois que eles colocaram a imagem da santa no barco, já encaixadas as duas partes, as redes começaram a voltar com uma quantidade abundante de peixes, tão grande que quase fez o barco virar, segundo os relatos históricos da tradição católica.

A imagem da santa foi então levada para a casa de Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, mãe de João e irmã de Felipe, que juntou as duas partes com cera e fez um altar para a santa. E foi ali que teve início a devoção à santa: todos os sábados os moradores iam até a casa de Silvana para rezar para Nossa Senhora – que depois tornou-se padroeira do Brasil.

Anos depois, já em 1732, o pescador Felipe Pedroso entregou a imagem a seu filho, que construiu o primeiro oratório aberto ao público. A partir daí, foi construída uma capela, uma igreja, uma basílica até que, em 1946, foi lançada a pedra fundamental para a construção do novo santuário, o quarto maior do mundo, iniciada em 1955.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que recebeu o nome de Aparecida por ter “aparecido” aos pescadores, foi proclamada rainha do Brasil em 1904 e, em 1930, passou a ser a padroeira do país. Somente em 1953 é que a festa de Nossa Senhora passou a ser celebrada no dia 12 de outubro, por determinação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

É inegável que o Brasil, desde a sua colonização, tem uma “vocação” católica, e a devoção aos santos é algo muito próprio da Igreja Católica, com Maria, a mãe de Jesus, não seria diferente.

Para nós Umbandistas, graças ao sincretismo com os santos católicos, existe forte ligação com a figura da Nossa Senhora, que ocupa lugar de destaque no universo religioso da Umbanda, representada por Oxum, Orixá das águas doces, dos rios e das cachoeiras.

Durante o período da colonização, estima-se em mais de quatro milhões de africanos cruzaram o Atlântico, para serem escravizados no Brasil, provenientes de diferentes regiões da África, via de regra separados de seus conterrâneos, parentes e nações, divididos em diversas senzalas, para diminuir a possibilidade de rebeliões.

Isso acabou resultando numa mistura de povos e costumes, que deram característica única ao povo brasileiro, e nas suas danças, cantos, santos e festas, assim, paulatinamente, foram se misturando os ritos católicos com os elementos dos cultos africanos, e associando seus Orixás aos santos, numa tentativa de resgatar a sua religiosidade/ancestralidade e assim encontraram a forma de burlar a proibição de professar as suas religiões.

Essa resistência acabou impulsionando a formação de religiões cultuadas hoje em dia, como o Candomblé e a Umbanda, dentre outras.

ago 24 2017

Mãe Stella faz uma bela reflexão sobre a inveja

Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá

A minha função espiritual faz de mim uma intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me procuram sente-se vítimas de inveja.

Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.

Percebo logo que existe ali uma profunda insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete primeiro em nós mesmos.

Uma fábula sobre a inveja serve para nossa reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então perguntou: – Pertenço à sua cadeia alimentar? – Não, respondeu a cobra. – Fiz algum mal a você-? – Não, continuou respondendo a cobra.- Então por que me persegue? – Perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me incomoda.

Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio, que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido através do reflexo do olhar do outro.

Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei conversando com a garota. Um dia ela chegou me dizendo que não apresentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se incomodou.

Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa, pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas conversas. Foi quando ela me disse: – Sabe por que não me incomodei de tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei: – Por que? Ao que ela me respondeu: – Porque o resto da turma tirou nota um. Rimos juntas da minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria ser vista.

O caso contado anteriormente fez lembrar-me de outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.

A inveja é popularmente conhecida com olho gordo. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é, portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles precisam ter, de preferência desejos saudáveis.

Publicado por Anna Ponzetta no “Eternos Aprendizes”

Fonte: Geledés (www.geledes.org.br)

ago 16 2017

Mensagem do Pai Jimmy

Caros irmãos da FUEP

Faço parte dos pioneiros que reativaram a FUEP, junto com o Paulão, Pai André e demais irmãos re-fundadores.

Sou Conselheiro Titular, vitalício desde a reativação da FUEP e ocupei a Secretaria do Conselho por 2 mandatos consecutivos e agora com muita alegria aceitei o desafio de presidir o Conselho Deliberativo, sucedendo ao Pai André, que esteve à frente do Conselho Deliberativo na mesma época.

A tarefa é imensa mas entendo ser uma oportunidade de estruturar as atividades fundamentais da FUEP, alinhados com a Missão, Visão, Princípios e Valores, estabelecidos como pontos focais das ações a serem desenvolvidas nas diversas Diretorias.

Estes procedimentos serão parte de um Sistema Documentado da FUEP de forma a garantir que as rotinas mapeadas nos Processos Internos da FUEP estejam descritas em Procedimentos Operacionais, para que sejam executadas conforme descritos nos documentos elaborados e aprovados pelo Conselho Deliberativo e Diretoria Executiva.

A partir da minha experiência de 25 anos desenvolvendo Consultorias de Implantação de Sistemas Documentados da Qualidade e Meio Ambiente, pretendo desenvolver em conjunto com a Diretoria Executiva um Projeto de Implantação do Sistema Documentado de Procedimentos Operacionais da FUEP, de forma a mapear e documentar as rotinas operacionais dos diversos processos envolvidos na Gestão da FUEP.

O principal objetivo do Sistema de Documentos da FUEP será garantir a padronização operacional das rotinas descritas e realizadas nas diversas Diretorias da FUEP, facilitando e orientando aos novos titulares a continuidade dos projetos em andamento e a integração com as demais rotinas dos novos projetos a serem desenvolvidos pelas diversas Diretorias.

Tenho também como compromisso dar continuidade aos projetos iniciados na gestão anterior, convocar e dar posse aos novos Conselheiros que vão compor a Comissão de Ética na Gestão 2017/2021, sempre no sentido de preservar os Valores da FUEP, manter a Integridade das práticas religiosas inerentes a Umbanda, apurar eventuais irregularidades e sugerir as punições a serem aplicadas, decidindo o voto de minerva no caso de empate sobre as questões a serem analisadas pela Comissão de Ética da FUEP

Em conjunto com a Diretoria Executiva comprometo-me a analisar e definir as prioridades para esta gestão, de modo a atender as expectativas de renovação e revitalização tão desejada pelos novos Diretores eleitos.

Atenciosamente

Edward James S. Harrison – Pai Jimmy de Oxóssi

Curitiba 15 de agosto de 2017.

ago 16 2017

Adeus 2015, Feliz 2016

Por Paulo Tharcicio Motta Vieira*

Prestando contas

Chegamos ao final de 2015, ano do 107º aniversário da Umbanda, com a sensação do dever cumprido, ainda que parcialmente. Não se pode, entretanto, deixar de apontar que a Direção da FUEP sofreu certo esvaziamento, fruto das atribuições pessoais e/ou profissionais dos seus membros ou ainda por afastamento opcional. Esse esvaziamento tem se repetido de ano para ano, de forma que iniciamos com toda a força e, com o passar do tempo, o ânimo vai arrefecendo e a participação diminuindo. Embora isso tenha ocorrido também em 2013 e 2014, acreditamos que estejamos fechando um ciclo de mudanças e que o ano de 2016 representa um recomeço, forte e coeso.

Buscamos recuperar a Utilidade Pública Estadual que foi cassada pela ALEP, e para tanto foi necessário reformar/alterar o Estatuto Social, oportunamente, aproveitou-se para retirar os artigos restritivos, reconhecendo “de direito” a diversidade que existe “de fato” nos Templos Umbandistas, favorecendo a associação de dirigentes e terreiros.

A atualização estatutária permitirá buscarmos a obtenção da utilidade pública federal, que nos habilitará a receber doações que poderão ser compensadas no Imposto de Renda das pessoas físicas e jurídicas, além de abrir as portas para outros aportes de recursos, tais como a realização de bazares com produtos apreendidos pela Receita Federal.

Por absoluta falta das mais diversas condições, não conseguimos realizar o seminário, programado para todo 1° semestre, embora não tenhamos medido esforços para tanto.

Em agosto, com a realização da reunião ampliada do Conselho Deliberativo em conjunto com o Conselho Fiscal e Direção Executiva, iniciamos fortemente o processo de interiorização da FUEP, criando as condições para a presença mais efetiva em todo o estado, através da ativação das subsedes regionais nas cidades polo, nas quais já temos vice-presidentes eleitos e trabalhando na consolidação da FUEP no interior do estado

Apesar das dificuldades, tivemos um ano cheio de atividades no campo institucional, nesse sentido, participamos ativamente das ações do CONPAZ/PR, assumindo a frente de várias atividades organizadas, que culminaram com a realização da Semana Estadual pela Cultura do Paz.

Também continuamos a jornada para estabelecer a representatividade da Umbanda na ASSINTEC – Associação Inter-religiosa de Educação, através da nossa participação efetiva na direção, o que parece ter sido conseguido, faltando a oficialização. A ASSINTEC é uma entidade civil de caráter educacional que atua em parceria com o poder público na efetivação do Ensino Religioso nas escolas públicas do Paraná e nos apoios pedagógico e didático aos professores desta área do conhecimento.

Participamos do 11° Prêmio Atabaque de Ouro no RJ, repetindo a participação anterior. Foram três Curimbas representando os Umbandistas do Paraná, embora tivéssemos direito a mais uma vaga, que, por motivos de ordem financeira, não foi ocupada pela 2ª. colocada do 5º Festival, a Curimba do TUMA.
Assim, apresentaram-se a Curimba da TUFOY – Tenda de Umbanda Filhos de Oxalá e Yemanjá de Fazenda Rio Grande, que com a cantiga “Oxum: a Guerreira do Amor”, de autoria do Pai Edson Verbaneck, conquistou o prêmio de Melhor Intérprete e o Grupo Tambores de Paraná, que embora tenha se classificado ao vencer um festival em São Paulo, também teve a nossa torcida, conquistou o prêmio de Melhor Letra para a cantiga Caboclo Lanceiro, de autoria de Paulo Maciente, da Curimba do TUMA.

À Curimba do Terreiro de Umbanda Tio Antônio, Bicampeã no 10º Atabaque de Ouro, coube fazer a abertura do 11º Prêmio, o que fez magistralmente ao homenagear todas as vencedoras das 10 edições anteriores, culminando com a apresentação da cantiga “Não só prá falar das Marias”.

Não realizamos o Festival de Curimbas em novembro como já era praxe, transferindo-o para o 1º Semestre de 2016, para oportunizar a participação de representações do interior do estado, a partir da consolidação do projeto de interiorização da FUEP.

Propostas para 2016

Em 2016, daremos uma especial atenção à campanha de associação “Sou Umbandista de Carteirinha”, com o mote de associar as pessoas que acreditam na ideia de que “juntos somos mais fortes e podemos mais”, com o objetivo de aumentar o número de associados e por decorrência a representatividade institucional da FUEP.

Recuperando a Memória

Ainda no próximo ano, reavivaremos o projeto da “Memória da Umbanda no Paraná”, para tanto, iniciaremos a realização de entrevistas que serão gravadas em áudio e vídeo, com as pessoas que fizeram e fazem a Umbanda no Paraná, com seus sucessores e com aqueles que possam nos ajudar a construir a trajetória da Umbanda no nosso estado.

Aquisição da sede própria

Instituiremos novos projetos que possam ampliar o número de associados (coletivos e individuais) no rumo de atingirmos a independência financeira, que nos permita manter uma sede social, onde possamos atender dignamente aos associados. Nesse sentido, a comercialização da Chácara de Campo Largo (já aprovada pelo Conselho Deliberativo em ago/2015), que se transformou num sorvedouro de recursos, é emergencial, carreando o recurso obtido para a aquisição de sala comercial em Curitiba.

Consórcio para aquisição de imóveis para os terreiros

Outro dos projetos que estarão sendo propostos é a criação de um Fundo Solidário para a Aquisição e/ou Reforma de Imóveis próprios para os Templos Umbandistas, em conformidade com a proposta inicial já existente, que será discutida mais amplamente em reunião específica, visando à formação do Fundo, que viabilize a compra de imóveis para localização dos templos e/ou a reforma dos imóveis que já são próprios.

Comunicação

O caminho para que todos os projetos saiam efetivamente do papel é estabelecer meios de comunicação mais efetivos com os associados de forma e enviar tempestivamente quaisquer assuntos que digam respeito a religião, convites e festividades, que passam pela atualização constante do Blog http://fuep.blogspot.com e do site www.fuep.org.br e se estabeleça constância no envio de e-mails umbanda.parana@gmail.com.

Umbanda no Século XXI, perspectivas e desafios

Ainda no quesito comunicação, se pretende estruturar o Blog http://umbandaseculo21.blogspot.com.br/, objetivando estabelecer um amplo, plural e democrático repositório do conhecimento Umbandista já existente e buscando definições para os desafios e perspectivas que nos reservam o futuro.

Com raríssimas exceções, em plena era da comunicação, ainda se vive na tradição da transmissão oral dos conhecimentos, o que nos torna alvo fácil para o ataque de outras religiões mais modernizadas, bem estruturadas financeiramente, que organizadas nacionalmente, se fortalecem cada vez mais, ao estabelecer relações muitas vezes espúrias ou no mínimo equivocadas com o poder central do estado, cuja laicidade é letra morta na Constituição Federal.

Crê-se ainda que devemos ter uma preocupação com a Umbanda que será deixada para as gerações futuras de Umbandistas, se essa que é alvo de discriminação e preconceito, ou uma religião que as pessoas possam assumir sem o medo de represálias e perseguição.

Pesquisa

Para conhecer o anseio dos Umbandistas do nosso estado com relação à federação, foi aprovada no Conselho Deliberativo a realização de “Pesquisa de Opinião entre os Umbandistas” com o objetivo de conhecermos a principal questão colocada para a FUEP e a razão da sua existência:

“O que os Umbandistas do Estado do Paraná esperam da Federação Umbandista do Estado do Paraná?”

È sabido que as federações, buscando a sustentação financeira, via de regra agrupam também Ilês do Candomblé e templos de outras religiões, dividindo a força representativa, e muitas delas em função de existirem única e exclusivamente para o benefício particular dos seus dirigentes, associam “sortistas” e “pais de poste”, nada realizando em prol da Umbanda ou das religiões que dizem representar.

Dentre aquelas que pretendem realizar alguma coisa, sofrem, primeiro com o descaso e reação ao termo “federação”; com a falta de disponibilidade dos dirigentes, totalmente consumidos pelas suas atividades laborais e a administração dos seus terreiros; e, também, pela persistente ausência de recursos financeiros.

Articulação nacional – Unidade na Diversidade

Acredita-se que é necessário buscar uma articulação nacional dos Umbandistas, através da formação de um órgão com representação em todo o país, que tenha o condão de propor uma efetiva aproximação, com o objetivo de buscar o reconhecimento e legitimação da Umbanda como religião, acabando com o preconceito e a discriminação que ainda sofremos.

Da análise da atual realidade pode-se concluir que não existe uma organização institucional capaz de unificar os templos, uma vez que mesmo litúrgica e ritualisticamente, grosso modo, não existem dois terreiros de Umbanda iguais, tornando-se muito difícil o estabelecimento de projetos e estratégias comuns, tanto no aspecto religioso, quanto na relação com a sociedade.

Conclusão

Temos muito o que comemorar, mas, também muitos desafios para superar, principalmente o paradigma de preconceito e discriminação que ainda existe na sociedade brasileira.

Essa tarefa, não pode ser relegada a um segundo plano, por isso conclamamos a todos os Umbandistas a se unir em torno da FUEP, com a força e a serenidade necessária para a superação das diferenças, priorizando sempre “aquilo que nos une”.

Dessa forma chamamos todos os umbandistas e simpatizantes a encarar junto conosco essa grandiosa tarefa, associando-se á FUEP.

A nossa unidade é a nossa força!

Axé

*Paulo Tharcicio Motta Vieira – Paulão, é o atual diretor-presidente da Direção Executiva da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná e membro da corrente mediúnica do Terreiro de Umbanda das Marias de Curitiba.

ago 16 2017

Subsedes regionais da FUEP

Saravá Umbandistas do Paraná,

Tivemos vários problemas, totalmente alheios á nossa vontade, relativos á atualização do site, que ficou desde Jul/2012 sem receber a devida atenção. Isso ocasionou um incontável número de mensagens e comentários não respondidos/tratados. Não queremos que isso volte a acontecer, e desta forma, a solução que adotaremos para evitar a repetição deste fato tão desagradável, será assumir pessoalmente a atualização do site, analogamente ao que já ocorre no blog (http://fuep.blogspot.com).

Assim, á partir desta data, criamos a página “Fale com o presidente”, onde poderão ser postados todos os assuntos inerentes a associação á FUEP, tanto de médiuns (pessoas físicas) quanto de templos (pessoas jurídicas), assim como as dúvidas e qualquer outro assunto que os leitores e/ou associados acharem pertinentes.

A FUEP tem base estadual, no estado do Paraná, mas, em conformidade com o seu Estatuto Social (ver última atualização, aprovada na AGE realizada em 19/08/2015) e Regimento Interno (Gestão 2013/2017) ambos publicados na íntegra na respectivas páginas do site e do blog, não existe limitação geográfica para a associação, sendo no entanto necessário, o cumprimento das condições dispostas nos dois documentos, bem como da legislação pertinente.

Buscando a aproximação e a interiorização da FUEP, buscaremos cumprir o Artigo 5°, Parágrafos 4° e 5° do Regimento Interno, que propõe, respectivamente um calendário de visitas aos templos e a instalação de sub-sedes regionais, que reproduzimos abaixo:

PARÁGRAFO QUARTO – Dentre as atividades permanentes de aproximação da Diretoria da FUEP com os médiuns e freqüentadores dos templos associados, serão realizadas visitas periódicas, em dias de Gira, com calendário definido a partir da realidade de cada templo. O calendário, após definido será amplamente divulgado para conhecimento de todos.

Subsedes regionais da FUEP

Subsedes regionais da FUEP

PARÁGRAFO QUINTO – As 08 (oito) Sub-sedes Regionais propostas são:

a) Campos Gerais: Ponta Grossa e Região;

b) Centro: Guarapuava, Irati e Região;

c) Capital: Curitiba, Região Metropolitana e Litoral;

d) Noroeste: Maringá e Região;

e) Norte: Londrina e Região;

f) Oeste: Cascavel, Foz do Iguaçu e Região;

g) Sudoeste: Palmas, Pato Branco e Francisco Beltrão e Região;

h) Sul: União da Vitória e Região.

PARÁGRAFO SEXTO – As sub-sedes regionais serão estruturadas a partir de contatos já existentes e novos, a serem efetivados pelos integrantes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal e Diretoria-Executiva, convidando dirigentes e médiuns de templos já contatados a auxiliarem na estruturação da FUEP em todo o Estado do Paraná.

Vamos criar também uma página de “Associe-se”, que terá o objetivo de responder as perguntas mais comuns, bem como páginas com o “passo-a-passo” para associação de médiuns e templos, legalização de templos, reconhecimento de dirigentes espirituais (Ministros religiosos Umbandistas), dentre outros assuntos que sejam considerados essenciais para ocuparmos o nosso espaço de fato e de direito, junto á sociedade.

Desta forma, esperamos constituir um fórum democrático de relacionamento com os Umbandistas, já na nova fase que pretendemos instalar na Direção Executiva da FUEP, que no primeiro momento buscou conquistar a confiança, propondo ações e atividades, mas que agora entendemos seja o momento de ouvir aos Umbandistas, e saber o que esperam de uma Federação, somente assim, poderemos efetivamente fazer parte do dia-a-dia dos milhares de templos, seus médiuns e frequentadores.

Paulo Tharcicio Motta Vieira

Presidente da Diretoria Executiva

Gestão 2013/2017

jul 27 2017

FUEP Eleições 2017 – Orientações para as subsedes

Saravá Dirigentes e Associados da FUEP – Eleições 2017

Em conformidade com o Estatuto Social, Art. 45º, parágrafo 4º, as eleições nas subsedes serão locais, concomitantemente com a AGO Eleitoral, e o resultado apurado enviado por meio eletrônico ao fim da votação e posteriormente por correio para arquivo.

Você está recebendo (através do correio) a documentação necessária para realizar a eleição aí na subsede regional. Enviamos lista de votantes com os associados cadastrados, cédulas eleitorais e lista em branco e a composição da Chapa 1 – única inscrita – encabeçada pelo Pai Anthony de Iemanjá na Diretoria executiva e pelo Pai Jimmy de Oxóssi no Conselho Deliberativo.

Caso você associe mais alguém até a data da eleição, preencha o nome na lista de votantes em branco. A eleição nas subsedes deve ser feita no dia 31/07, para que aconteça ao mesmo tempo em todas. Lembramos que para votar ou ser votado é necessário quitar a anuidade de 2017 no valor de R$ 30,00 (trinta reais) até o dia da AGOE – 31/07.

Contamos novamente com você, contribuindo com o desafio de organizar coletivamente as demandas dos Umbandistas do nosso estado, participando da Direção Executiva ou Conselho Fiscal e ainda no Conselho Deliberativo, que é o órgão máximo de deliberação da FUEP e é formado exclusivamente por dirigentes, Pais ou Mãe de Santo.

Informações adicionais:

– Para quitar a anuidade, que em 2017 é de R$ 30,00 (trinta reais), indicamos o depósito na conta corrente abaixo, informando através do e-mail umbanda.parana@gmail.com.

– Proceder dessa forma também para as novas associações, enviando junto a Ficha de Associação de Associados Individuais que anexamos a presente mensagem em formato .doc (word) que poderá ser editada e preenchida no seu computador.

Conta corrente da FUEP: BB (001) – Agência Visconde/PR (1244-0) – Conta Corrente 46.000-1 – CNPJ 77.798.205/0001-99

– Como incentivo à quitação da anuidade, todos os associados antigos e novos, que quitarem a sua anuidade até a data proposta (14/07/2017), receberão gratuitamente o CD e a revista do 12º Prêmio Atabaque de Ouro, realizado em 2016.

– Quem estiver com a carteirinha de associado vencida (principalmente aqueles que tem a carteirinha que parece um cartão de crédito) devem informar no e-mail do pagamento da anuidade para que possa ser substituída.

Não esquecer que toda a comunicação deve ser feita pelo e-mail umbanda.parana@gmail.com, informando o pagamento e a necessidade de substituição da carteira de associado.

– Acompanhe todos os assuntos relativos a eleição 2017 no site da FUEP: www.fuep.org.br.

– Quite a sua anuidade e convide mais pessoas para se associarem nessa instituição que é a centralizadora das demandas políticas e sociais dos Umbandistas do nosso estado, que no ano que vem completará 50 anos de funcionamento.

– Nesse quase meio século a FUEP tem se dedicado a bem representar os Dirigentes, Médiuns e Simpatizantes da Umbanda do nosso estado, e, entre altos e baixos, acreditamos que auxiliamos o crescimento e a legitimação em nosso estado, embora precisemos e muito ainda, diminuir o preconceito e a discriminação que ainda sofremos.

Associe-se e auxilie a FUEP na tarefa que o Caboclo das Sete Encruzilhadas nos deixou de “levar ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá”. Axé!

Paulo Tharcicio Motta Vieira – Presidente da Direção Executiva – Gestão 2013/2017
André Luiz de Azevedo Moraes – Presidente do Conselho Deliberativo – Gestão 2013/2017

jul 18 2017

FUEP Eleições 2017 – Manifesto do Pai Anthony de Iemanjá

Publicamos abaixo o Manifesto do Pai Anthony de Iemanjá, candidato a presidência da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná

Saravá minhas irmãs e irmãos de fé!

Inegavelmente é um desafio muito grande representar os Umbandistas do Estado do Paraná na presidência da FUEP, entretanto resolvi assumir porque acredito que são necessárias novas pessoas, com novas ideias, com novo ânimo, vontade e disponibilidade para continuar o combate pelo fim da discriminação e do preconceito que ainda vivemos, simplesmente por querermos exercitar a nossa fé: tocando os nossos atabaques, cantando, dançando, enfim adorando os Orixás e Guias da Umbanda.

Verdadeiro, honesto e humilde é assim que eu me vejo, é assim que gostaria de ser reconhecido. Além disso sou também acessível e amigo. O meu caráter é moldado por valores, dentre os quais o principal é valorizar os relacionamentos.

Sou um cara que vive os dilemas comuns que todos vivem, alguém que como você, passa pelos mesmos “perrengues” que todos passam.

Dessa forma, apresento os pontos centrais que definem a minha candidatura:

1 – A união dos terreiros em prol do bem comum!

Fragmentados, cada um dando tiros para todos os lados, não chegaremos a lugar nenhum, continuaremos na eterna busca de legitimidade para a nossa religião sem alcançar efetivamente.

2 – Mobilizar os jovens umbandistas

Buscar os umbandistas mais jovens, incluindo-os em diversas atividades culturais e sociais, quebrando um pouco o egocentrismo que vivemos e trabalhar em conjunto, não só pelo fortalecimento da nossa Umbanda, mas da sociedade como um todo. Nós, mais jovens temos que passar uma Umbanda melhor do que essa que recebemos das gerações anteriores, devemos isso aos umbandistas que vierem depois de nós!

3 – Celebrar a vida

Também sou um cara sensível, espero entender tudo aquilo que realmente importa e emociona nessa vida, assim, acredito que temos que comemorar desde as pequenas até as grandes conquistas, reconhecendo a presença divina onde ela se mostra.

4 – O cidadão Umbandista

A FUEP para ser importante na vida dos umbandistas não pode ser simplesmente umbandista, tem que tornar-se um ponto de apoio dos menos favorecidos, dos grupos LGBT, das mulheres, dos negros e negras, dos idosos, pela sua legitimação e reconhecimento, somente assim, efetivamente fará parte do dia a dia dos umbandistas.

5 – A saúde do planeta
Por último, mas não menos importante, o cuidado com o planeta em que vivemos tem que ser constante, preservar o planeta é preservar a nossa fé, afinal a Umbanda é uma religião que faz de altar os pontos de força da natureza.

Associe-se a FUEP e venha sonhar comigo, pois sonho que se sonha junto é fonte de poder.

Axé!

jul 17 2017

Edital de convocação AGOE 2017

Edital de Convocação para a Assembleia Geral Ordinária Eleitoral da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná a ser realizada no dia 31 de julho de 2017, as 18:30 horas em primeira ou as 19:00 horas em segunda convocação.

O presidente do Conselho Deliberativo e o presidente da Diretoria Executiva, FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná, inscrita no CNPJ sob número 77.798.205./0001-99, sede social à Rua Bartolomeu Lourenço de Gusmão, número 2.420, no Bairro Hauer/Boqueirão, em Curitiba, Paraná, CEP 81.650-050, nos termos do Estatuto Social em conformidade com os Artigos 18º, 19º, 20º, 21º e 22º em todos os seus parágrafos e incisos; e do Regimento Interno em conformidade com os Artigos 4º e 9º em todos os seus parágrafos e incisos, CONVOCAM conjuntamente os associados individuais em pleno gozo dos seus direitos associativos para Assembleia Geral Ordinária Eleitoral de 2017 a ser realizada no dia 31 de julho de 2017, segunda-feira, ás 18:30 horas em primeira convocação, ou ás 19:00 horas em segunda convocação, a ser realizada nas dependências do TUCAGI – Terreiro de Umbanda Caboclo Girassol, a Rua Ewaldo Nickel, 611, bairro Uberaba, em Curitiba, PR, para discussão e deliberação com relação a seguinte pauta: 01 – Eleição para os Conselhos Deliberativo e Fiscal e Diretoria Executiva, para a gestão que vai de 31 de julho de 2017 a 30 de abril de 2021; 02 – Deliberar sobre a mudança do endereço social da FUEP; 03 – Ratificar a aprovação das contas da FUEP dos anos de 2009 a 2014 que já foram aprovadas mais não constaram das respectivas Atas; 04 – Discutir e deliberar sobre as contas da FUEP dos anos de 2015 e 2016; 05 – Posse dos novos membros dos Conselhos Deliberativo e Fiscal e da Diretoria Executiva, para a gestão que vai de 31 de julho de 2017 a 30 de abril de 2021.

No tocante à cobrança das contribuições associativas anuais, será excepcionalizado o Artigo 12º no seu Parágrafo 5º, sendo considerados em conformidade com as condições estatutárias, e assim aptos a participar da Assembleia Geral Extraordinária todos os associados que regularizarem as suas contribuições associativas até a data de 31/07/2017. Para os membros da Direção Executiva, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal atuais, as ausências serão tratadas nos termos do Regimento Interno, sendo aceitas justificativas comunicadas até o dia 31/07/2017, por qualquer meio, preferencialmente por e-mail. Convocação enviada nessa data através do e-mail constante do cadastro de associados da FUEP, em conformidade com o Estatuto Social. Curitiba, PR em 16 de julho de 2017. Assinam a presente convocação André Luiz de Azevedo Moraes – Presidente do Conselho Deliberativo e Paulo Tharcicio Motta Vieira – Presidente da Diretoria Executiva, Gestão 2013/2017.

jul 15 2017

Carta Aberta aos Umbandistas do Estado do Paraná

Ontem estive na Gira festiva de primeiro ano de camarinha do Pai Anthony de Iemanjá no TUCAGI.

É sempre uma emoção muito grande participar desses eventos, uma vez que vemos a Umbanda crescendo e se multiplicando, notadamente com essa juventude que frequenta a sua Gira.

Aproveitei para anunciar a sua candidatura para a presidência da Diretoria Executiva da FUEP para a próxima gestão, me substituindo após 8 anos à frente da federação. Saio da presidência da diretoria executiva, mas não saio da direção.

O Conselho Deliberativo no mesmo momento que referendava o nome do Pai Anthony, como reconhecimento aos esforços por mim empreendidos, autorizou, excepcionalmente, a minha candidatura para o Conselho Deliberativo, que é privativo de dirigentes. Isso me encheu de orgulho, uma vez que o reconhecimento é o maior prêmio que se pode dar à pessoa no desempenho de um cargo de representação coletiva, seja ele qual for.

Sem a menor sombra de dúvida, foi para mim uma grande honra ter sido eleito por duas vezes ao cargo de Presidente da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná. Além de honrado, sinto-me extremamente satisfeito pela aceitação e confiança que os Umbandistas do nosso estado depositaram em mim e considero que dentro das condições objetivas que tive a minha disposição a missão foi cumprida.

Não seria fácil falar de oito anos de trabalho voluntário, árduo e de muita responsabilidade, mas, ao mesmo tempo extremamente gratificante. Assim, ao invés de olhar para trás, vamos olhar para a frente, para o futuro. Posso afirmar, sem medo de errar que foi uma grande experiência, com acertos e alguns erros, pelos quais aproveito a oportunidade para me desculpar.

Entretanto, devido à necessidade de oxigenar a direção da FUEP trazendo novos dirigentes com novas ideias e com a
pujança da juventude para encarar os compromissos, além do fato insofismável de que não se deve permanecer muito tempo no mesmo cargo, sob o risco de se perder o contato com a realidade vivenciada pelos Umbandistas. Aliado a isso, embora contrariado, tenho que admitir que a terceira idade chegou, o que, de certo modo, dificulta um pouco atender as atribuições que o cargo demanda.

Com isso, abro espaço para que o Pai Anthony, juntamente, essa nova “safra” de dirigentes e de Umbandistas toquem de agora em diante o projeto de fortalecimento da Umbanda e da FUEP no nosso estado.

Estarei ao seu lado sempre, não para fazer-lhe sombra, mas para apoiá-lo na realização das tarefas e ajudá-lo a fazer mais e melhor pela nossa federação.

Fazer parte dessa instituição foi, é, e sempre será estar em parceria com os melhores objetivos de desenvolvimento das capacidades humanas da solidariedade e do desprendimento das coisas pessoais, colocando o coletivo em primeira ordem. Por essa razão, ao mesmo tempo que me alegro de ter podido colaborar com a FUEP, confesso a minha tristeza por não poder participar de forma mais tangível a uma causa que tanto respeito e prezo.

Assim, informo a todos e todas que não concorrerei na próxima eleição, deixando a presidência da FUEP, que me foi confiada em março de 2009, agradecendo de todo coração ao apoio e confiança que me foram dados. Desejo ao Pai Anthony que, primeiramente vença a eleição e vindo a assumir a Presidência da FUEP tenha mais sucesso do que eu, notadamente com relação a associação dos Umbandistas ao projeto de fortalecimento da FUEP.

No mais, só me resta agradecer a todos os Dirigentes de Terreiros, aos Conselheiros Deliberativos e Fiscais e todos aqueles que lado a lado, ombrearam comigo na Diretoria Executiva nesse período.

Que Oxalá abençoe a todos e que permita conquistar as mentes e os corações dos Umbandistas do nosso Estado do Paraná para que eles se insiram com toda a força e vibração na FUEP, porque a nossa força é nossa união!

Saravá Umbanda! Saravá FUEP!

Paulo Tharcicio Motta Vieira (Paulão)
Presidente da Diretoria Executiva da FUEP
Gestões 2009/2013 e 2013/2017.

jun 04 2017

Eleições da FUEP – 2017

Saravá Umbandistas do Paraná

Informamos abaixo o calendário de eventos para a realização das eleições gerais da FUEP em 2017, bem como algumas instruções de como proceder. Para participar do processo (votar e ser votado) é necessário quitar a anuidade de 2017 no valor de R$ 30,00 (trinta reais) até 14/07. Essa é a data limite para novas associações, assim solicitamos a cada um que convide os seus irmãos e irmãs de corrente mediúnica para fazer parte do projeto de fortalecimento da FUEP.

Calendário Eleitoral 2017

Evento/Atividade Data/Prazo

Cobrança das anuidades dos atuais associados 05/06/2017 até 14/07/2017

Campanha de associação para novos associados individuais e 28/06/2017 – quarta-feira
coletivos (Com direito a votar e ser votado)

Data limite para a indicação de candidatos a Conselheiros/
Diretoria Executiva e substituições de vacâncias 28/06/2017 – quarta-feira

Data limite para cobrança das anuidades dos atuais associados Até 14/07/2017 – sexta-feira
e associações individuais de novos associados
(Com direito a votar e ser votado)

Inscrição de chapas (Atenção para a situação dos Conselheiros Até 21/07/2017 – sexta-feira
Deliberativos atuais)

09:00 – Manhã: Assembleia Geral Ordinária Eleitoral e 30/07/2017 – domingo
Assembleia Geral Extraordinária de Prestação de Contas

Informações adicionais

– É importante que todos participem efetivamente auxiliando a cobrança da anuidade dos atuais associados e da Campanha para novos associados, até a data de 14/07/2017, que é limitante para que ocorra a quitação da anuidade de 2017, cujo valor é de R$ 30,00 (trinta reais) para os associados individuais.

– Assim será satisfeita a condição estatutária para votar e ser votado. Para facilitar a cobrança, no dia 19/06 iniciaremos visitas aos terreiros e entregaremos a cada dirigente (Conselheiro e/ou Dirigente) uma lista dos associados vinculados ao seu Terreiro, conforme as informações constantes do nosso cadastro, que pode/deve estar desatualizado, pois temos uma rotatividade grande de associados entre os terreiros.

– A data limite para inscrição das chapas foi definida para 21/07/2017, até lá temos que discutir a substituição dos Conselheiros Deliberativos Titulares, que são a salvaguarda moral e ética da FUEP, e, em função disso somente podem ser substituídos por outros indicados por eles.

– A data limite para inscrição das chapas, nos dará o tempo necessário para a confecção das “cédulas eleitorais” e das “listas de votantes”, aptos estatutariamente a votar e/ou ser votados nas eleições de 2017.

– Para quitar a anuidade, que em 2017 é de R$ 30,00 (trinta reais), indicamos o depósito na conta corrente abaixo, informando através do e-mail umbanda.parana@gmail.com. Proceder dessa forma também para as novas associações, enviando junto a Ficha de Associação de Associados Individuais que anexamos a presente mensagem em formato .doc (word) que poderá ser editada e preenchida no seu computador.

Conta corrente da FUEP: BB (001) – Agência Visconde/PR (1244-0) – Conta Corrente 46.000-1 – CNPJ 77.798.205/0001-99

– Como incentivo à quitação, todos os associados antigos e novos, que quitarem a sua anuidade até a data limite (14/07/2017), receberão gratuitamente o CD e a revista do 12º Prêmio Atabaque de Ouro, realizado em 2016.

– Quem estiver com a carteirinha de associado vencida (principalmente aqueles que tem a carteirinha que parece um cartão de crédito) devem informar no e-mail do pagamento da anuidade para que possa ser substituída. Não esquecer que toda a comunicação deve ser feita pelo e-mail umbanda.parana@gmail.com, informando o pagamento e necessidade de substituição da carteira de associado.

– Acompanhe todos os assuntos relativos a eleição 2017 no site da FUEP: www.fuep.org.br.

– Quite a sua anuidade e convide mais pessoas para associarem-se nessa instituição que é a centralizadora das demandas políticas e sociais dos Umbandistas do nosso estado, que no ano que vem completará 50 de funcionamento.

– Nesse quase meio século a FUEP tem se dedicado a bem representar os Dirigentes, Médiuns e Simpatizantes da Umbanda do nosso estado, e, entre altos e baixos, acreditamos que auxiliamos o crescimento e a legitimação em nosso estado, embora precisemos e muito ainda, diminuir o preconceito e a discriminação que ainda sofremos.

Associe-se e auxilie a FUEP na tarefa de “levar ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá. Axé!

Conselho Deliberativo/Direção Executiva
Gestão 2013/2017

maio 25 2017

Nesse dia 25/05/2017 a FUEP completa 49 anos de existência

Saravá FUEP! Saravá Umbanda!

A Federação Umbandista do Estado do Paraná é a mais antiga federação ainda em atividade em nosso estado, e para que todos (as) os (as) atuais Umbandistas conheçam um pouco da história, apresenta-se abaixo um breve histórico.

A FUEP foi fundada em 25/05/1968, naquele momento vivia-se no Brasil a ditadura militar e logo em seguida em dezembro seria baixado o famigerado Ato Institucional nº 5, AI-5, no governo do general Costa e Silva, iniciava-se o período mais duro mas em contrapartida também era momento de grandes mobilizações estudantis, com o lema “é proibido proibir”.

As questões inerentes à liberdade religiosa foram tratadas nas constituições federais de 1934, que manteve a mesma linha da Carta Constitucional de 1981, seguida da Constituição de 1937, que que continuava vinculada à “ordem pública e aos bons costumes”, exceto pelo fato de passar a pertencer ao direito comum. Dessa forma, os Terreiros de Umbanda eram tratados pela lei maior do nosso país identicamente a prostíbulos, bares e casas de diversão.

Na sequência, não houveram novidades nas Constituições Federais de 1946, 1967 e
1969, tendo em vista que todas elas continuaram subordinando a liberdade religiosa à ordem pública e aos bons costumes. Ou seja, só funcionavam se tivesse autorização da Delegacia de Polícia, que cuidava de Costumes, Jogos e Diversões…

Nessa conjuntura desfavorável a Umbanda crescia e sentiu-se a necessidade de uma instituição que pudesse carrear as preocupações e demandas dos Umbandistas, tendo sido fundada a FUEP com a participação dos dirigentes de quatro templos da época:

Templo Espiritualista Caboclo de Iansã – Dirigente Luiz Scheffer,
Tenda Espírita Ogum Megê – Dirigente Osvaldo Batista Meirelles,
Tenda Espírita São Cipriano – Dirigente Melquíades Santana,
Cabana Espírita Cacique Jaraguá – Dirigente Eunice Silva dos Santos.

Ao que consta, a única dirigente dessa época que continua encarnada é a Mãe Eunice, embora não tenha mais casa aberta, a quem rendemos a nossa mais profunda homenagem.

O presidente da 1ª. Diretoria executiva da FUEP, foi o senhor João Mendes dos Santos, que acabou sendo reeleito nos anos de 1986, 1993, 1997 e 2005, e após o seu falecimento, a FUEP passou por um período de certo abandono.

Entretanto, sob a sua administração aconteceram alguns momentos de muita participação que redundaram no reconhecimento legal da federação.

Assim foram obtidos os títulos de Utilidade Pública Municipal em Curitiba através da Lei Nº 6.833 de 09 de abril de 1986 e Utilidade Pública Estadual através da Lei Nº 8.515 de 30 de junho de 1987.

Foi organizado o 1° Congresso Umbandista da FUEP em 31/12/1998, que contou com a seguinte comissão organizadora: Cabana Espírita Cacique Jaraguá, Centro Espiritualista Ogum-Megê, Templo Espiritualista Caboclo de Iansã, Tenda Espírita São Cipriano, Ana Lobo, Antônio Joaquim Cordeiro Gomes, Nicolau Serrato Filho, Alberto Satler, João Batista dos Santos, Francisco A. Santos, Abrão José Luiz Scheffer, Osvaldo Batista Meirelles, Eunice Silva dos Santos, Melquíades R. Santana, Vanda Meirelles, Maria Scheffer, Oscar Ribas.

No âmbito federal, graças à Constituição Federal, que entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988, ampliou-se o instituto jurídico da liberdade religiosa, deixou-se de exigir explicitamente que esta esteja condicionada à ordem pública e aos bons costumes, uma vez que, é inerente a todo culto religioso a ordem pública e os bons costumes. E dessa forma, chega-se ao momento da mais ampla liberdade religiosa no nosso país, embora na prática exista um distanciamento muito grande com relação a legislação em vigência.

Em 2004, muito em função da mobilização em torno do documentário “Para ver a Umbanda passar”, os Umbandistas, de modo precursor em todo o Brasil, conseguem aprovar na Câmara dos Vereadores de Curitiba, a oficialização do dia 15 de novembro, como o “Dia da Umbanda” no âmbito municipal.

Em 2008 no dia 15/11, é realizada a comemoração dos 100 anos da Umbanda na Ópera de Arame, em Curitiba e ainda nesse ano, também, a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, oficializa o dia 15 de novembro, como o “Dia da Umbanda e do Umbandista” no âmbito estadual.

A experiências de mobilização dos Umbandistas para a festa do centenário e para a aprovação do projeto da ALEP, reacendeu a necessidade de uma entidade que pudesse canalizar as demandas políticas dos Umbandistas do nosso estado e por uma conjunção de fatores positivos, foi realizada a reativação da FUEP em assembleia geral realizada no dia 22/03/2009.

Nessa data, foi aprovada uma Reforma Estatutária, e a eleição da Diretoria Executiva e Conselhos Deliberativo e Fiscal para o mandato de 2009 a 2013. Nessa eleição, tivemos a participação de Umbandistas e dos dirigentes do Terreiros abaixo listados que indicaram representantes para a composição da direção:

Terreiro de Umbanda Pai Maneco, dirigente Pai Fernando Guimarães que indicou a senhora Carolina Martins Pinto Rodrigo, para representá-lo na direção;
Terreiro Pai Mathias – Tenda de Umbanda Grande Luz, Pai Alceu de Miranda Junior;
Terreiro de Umbanda Filhos de Pemba, Pai Claúdio Carlos Lino;
Tenda de Umbanda Cigana Soraya, Mãe Ana Maria Ribeiro Picheth;
Terreiro de Umbanda Tio Antônio, Pai André Luiz de Azevedo Moraes;
Cabana do Pai Tobias de Guiné, Pai Antônio Caetano de Paula;
Centro de Desenvolvimento e Caridade Caboclo Arruda “Flores de Iemanjá“, Pai Edward James Harrison;
Templo Espiritualista Sol e Esperança, Mãe Magali Pasqual Okazaki;
Tenda Espírita São Jorge Guerreiro, Mãe Mara Lucia Cataplan de Souza;
ASSEMA, Pai Marco Aurélio Gomes Boeing;
Tenda Amigos da Umbanda, Mãe Nelma Regina Cangussú;
Terreiro de Umbanda Caboclo Pena Verde, Mãe Ignez Jorgensen; e a
Tenda da Luz Divina, Pai Ricardo Mendes da Silveira.

Para o cargo de presidente da Diretoria Executiva, gestão 2009- 2013, foi eleito o senhor Paulo Tharcicio Motta Vieira, o Paulão, que viria a ser reeleito para um novo mandato.

Nesses dois mandatos o que se viu foram momentos de grande mobilização, quando foram realizados 5 festivais de curimbas (pela primeira vez levou-se a Umbanda para o palco do Guairão) e iniciou-se a participação do nosso estado do Prêmio Atabaque de Ouro no RJ, além de inúmeros seminários, palestras e reuniões.
Entretanto, houve também períodos de baixa atividade, notadamente pelo abandono de dirigentes, que em vista das suas ocupações pessoais, profissionais e litúrgicas acabaram por afastar-se da diretoria da federação.

No plano nacional, o dia 15 de novembro foi definido como o “Dia Nacional da Umbanda”. A data foi oficialmente instituída pela presidenta da República, Dilma Rousseff, através da Lei 12.644, de 16 de maio de 2012. Em 15/05/2014 foi lançado pelo Correios um selo em homenagem a Umbanda.

Busca-se para o ano de 2017 constituir um fórum democrático de relacionamento com os Umbandistas, propondo uma comunicação de duas vias, mas que no primeiro momento entende-se seja destinado a ouvir os Umbandistas, e, dessa forma, saber o que esperam de uma federação, para que se possa, efetivamente, fazer parte do dia-a-dia dos milhares de templos, seus dirigentes, médiuns e frequentadores.

A partir dessa constituição, dar um norte para o futuro da Umbanda, evitando utilização do seu nome em atividades realizadas por aproveitadores da Fé das pessoas, que realizam “trabalhos” que ferem os princípios morais, éticos, cármicos e o livre-arbítrio, além de todos os princípios religiosos da Umbanda. Esse deve ser o primeiro passo a ser dado contra o preconceito e a discriminação.

Acredita-se que se deve ter a preocupação com a Umbanda que será deixada para as gerações futuras de Umbandistas, se essa que é alvo de discriminação e preconceito, ou uma religião que as pessoas possam assumir sem o medo de represálias e perseguição.

Parabéns FUEP!

Saravá Umbanda! Umbanda Saravá!

maio 24 2017

Salve Santa Sara Kali

Hoje, 24/05 se comemora o dia dos Ciganos por ser o dia dedicado a Santa Sara.

Os ciganos são místicos por essência e trazem latente na alma a religiosidade e o amor pelas divindades e, dentro de seu mundo espiritual, mantém seu equilíbrio e harmonia cultuando a grande Kali. Santa Sara Kali é tida como a santa do povo cigano. Hoje mais do que nunca, devido a cultura dos ciganos entrar em quase todos os países, os não ciganos passaram a conhecer e venerar o culto a Santa Sara.

Santa Sara Kali, esta presente em toda tenda cigana, com sua tradicional veste azul-céu e o rosto negro. A lenda nos conta que os inimigos do Cristo Nazareno, que naquela época não eram poucos, condenaram por diversas artimanhas as três Marias. Maria Madalena, Maria Jacobé (mãe do Tiago menor) e Maria Salomé (mãe de São João). Elas deveriam ser jogadas ao mar, numa barca sem remos ou provisões, acompanhadas tão somente de uma das escravas de José de Arimatéia, Sara a Kali (Kali em romanni, quer dizer negra).

Esse barco teria miraculosamente aportado numa praia próxima a foz do rio Petit-Rhône, onde hoje se encontra a igreja de Saintes-maries-de-la-mer (Santas Marias Vindas do Mar), um lugar de peregrinação e de culto para a Sara Kali, que, segundo se conta, foi quem converteu os ciganos para o Cristianismo.
Das Marias, a história não guarda vestígios ou mesmo seus destinos, mas quanto a Sara, dizem que ela foi cuidada pelo povo cigano e o ajudou a tornar-se unido e a desenvolver-se como povo e como cultura.

SALVE POVO CIGANO DA UMBANDA!
Publicado no site Povo de Aruanda
http://povodearuanda.wordpress.com/2011/05/23/salve-povo-cigano-da-umbanda/

Ciganos gostam de estar nas colinas para sentir a brisa perfumada, ouvir a revoada dos pássaros canoros e absorver o calor do Sol.

Ciganos gostam de deixar no deserto pegadas incontáveis, no ritmo dos dromedários, nas cores rutilantes de suas vestes, nas trilhas para os caminhos secretos, nos átrios de velhas ruínas impregnadas de história.

Ciganos gostam do mar, do cheiro marinho, das ondas sobrepostas, das estrelas iluminando o negro firmamento, do frio da noite, da clara Lua refletindo sua prata.

O valor da vida para os ciganos nos chega como um brinde abençoado. Eles nos mostram o poder do aqui, do agora, e o momento, como o mais precioso tempo das nossas vidas. Um cigano beija a sua amada ou uma cigana beija seu amado na testa, por profundo respeito, e olha em seus olhos selando seu amor e vínculo. Palavras não traduzem estes momentos e estes ficam guardados nos registros reencarnatórios, tal profundidade de compromisso que se estabelece.

E assim, ensinam o apreço pela vida em sociedade, respeitando seus iguais, as tradições, a família, sua hierarquia, lições de solidariedade, força, zelo. Os Ciganos do astral, tal como no passado, gostam de fitas multicoloridas, dos pandeiros, lenços, xales, bailam em fogueiras mágicas, ciganas rodopiando sob as palmas e compassos dos ciganos à beira da roda. Usam as cartas, as moedas, borra de café, tiram a sorte, tilintam suas pulseiras ao comando das carroças engalanadas e daqui do outro lado às vezes conseguimos ouvi-los.

Há muitas lendas sobre o “Povo das Estrelas”. Alguns dizem que surgiram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, numa região chamada Gujaratna, localizada à margem direita do rio Send. Durante o primeiro milênio da era cristã, dispersaram-se pelo mundo e se dividiram em dois ramos: o Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina.

Outros dizem que vieram do interior da Terra e esperam que um dia possam regressar ao seu lugar de origem, num mito que nos parece incompreensível, mas há uma lenda do povo de Shamballa e de uma cidade chamada Agartha. Leiamos o que um autor descreve:

“Diz-se que, debaixo da terra, de todo o mundo existem cerca de 100 cidades, das quais a maior é Agartha. O Mundo subterrâneo seria conhecido como Shamballa. Os habitantes deste mundo, como sabemos a partir dos documentos, deixaram a superfície do mundo, 100.000 anos atrás, depois da catastrófica guerra entre atlantes e lemurianos, as duas grandes civilizações que dominaram a Terra naquele tempo” (www.curaeascensao.com.br)

O Povo Cigano tem um dom, de saber olhar profundamente nos olhos, e ler a mente e a alma do outro.

A partir daí, e com o conhecimento da quiromancia, conseguem se integrar ao campo vibracional e lê o passado e o futuro do consulente. Quem começa a ler a mãos dos outros apenas a partir de um estudo das linhas da mão, não conseguirá acessar toda verdade a ser dita. Por outro lado, a cigana não terá permissão do astral para falar tudo o que sabe. Esta arte, é muito útil para os ciganos que já tem seus espíritos esclarecidos para trabalhar no astral junto com os Benfeitores da Luz, e inclusive na Umbanda, em geral chegando na vibração do Povo de Oriente, quando evoca-se o Orixá Xangô, ou Almas, caminhando frequentemente com os Pretos Velhos da Umbanda, e ainda na que se chama Linha da Esquerda, na vibração dos Exus. Esta falange abençoada integrou-se perfeitamente à Umbanda, porque milenarmente aprendeu a respeitar a Mãe Natureza e os seus ciclos, sua Energia, sua vibração.

Quem tem em sua coroa um cigano ou cigana, acaba absorvendo um pouco, ou muito, do modo de ser do cigano. Pois um guia cigano conduz o médium a dançar na alegria e na tristeza, ensinando-lhe a observar e apreciar todos os momentos como ensinamentos que não podem ser desperdiçados. Acabam refletindo na vida as atitudes, a passionalidade, o vínculo com a família, da mesma forma que refletirá as qualidades de um espírito cigano esclarecido, como possuir um código de ética, honra e justiça, seu amor à liberdade, que muitas vezes acaba incomodando o sistema.

O Povo Cigano reverencia com todo seu coração à Santa Sara Kali. Interessante é que esta santa católica, não foi canonizada como os outros santos católicos. Na verdade, ela incorporou-se à história do catolicismo, entrando como uma serva núbia que teria acompanhado as três Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimatéia fugido da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice sagrado), que seria levado por elas para um mosteiro da antiga Bretanha. Diz o mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajeto e atracado no porto de Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como “Saintes Maries de La Mer”.

Interessante ressaltar, que há outras lendas onde o Santo Graal realmente aportou na Grã-Bretanha, e está profundamente ligado às lendas de Avalon e do Rei Arthur. Lembrando que a história de Avalon conta sobre uma ordem de sacerdotisas de origem céltica e com conhecimento druídico. Os druidas por sua vez, foi outro povo que tinha como Lei Máxima as forças da Natureza, respeitando-a profundamente e realizando todo o tipo de magia a partir da manipulação das energias da mesma. Os ciganos também estão ligados à Kali – a deusa negra da mitologia hindu, da qual parece ter vindo o sincretismo católico associada a figura de Santa Sara.

O fato é que, embora tenhamos profunda reverência e admiração por este Povo, cujas origens infelizmente vão se apagando na atualidade da Terra, eles continuam muito vivos em sua atuação no astral, mas sempre rodeados de muitos mistérios aos quais ainda não foi dada a explicação. Mas serão sempre caminhantes e nossos companheiros, ligados por compromissos cármicos e evolutivos, nos auxiliando, nos dando apoio e Força, em sua maneira peculiar de nos mostrar o caminho e nos fazer observar, muito mais que proferir muitas palavras.

Aproximando-se a data em que se comemora e reverencia-se Santa Sara Kali, deixamos nosso apreço, nossa admiração, nossa crença a esta maravilhosa entidade, que vem de muito longe na auxiliar, nós, humildes médiuns de Umbanda ainda entrelaçados na ambiência pesada deste orbe. Que sua Luz afaste de nós toda confusão e clareie, como uma alvorada magnífica em nossos corações, os conceitos de Bem, de retidão, de Esperança e de Fé. Não nos permita fechar o senho, deixar fugir o sorriso de nossas faces seja diante qualquer adversidade, pois temos de dar o exemplo ante o mundo, que acreditamos num amanhã melhor, na evolução dos espíritos e na superação da matéria.

Deixamos nossa súplica sincera, que possamos ter as melhores qualidades dos ciganos, e burilar nossas próprias personalidades, sempre respeitando o outro, mas mantendo a noção de fraternidade, solidariedade, de amor, tecendo do lado de lá e do de cá, uma rede mágica, inquebrantável, de vibrações positivas, construtivas e luminosas.

Salve Ciganos da nossa Umbanda amada!

Salve Santa Sara que sempre vela por nos!
Opchá! Opchá!
Saravá Umbanda!

Alex de Oxóssi
Rio Bonito – RJ

Fontes de pesquisa:
Site Kumpania Romaí
Site Cura e Ascensão

maio 06 2017

Pelo tratamento igualitário para todas as brasileiras presas

29/03/2017- Rio de Janeiro- RJ, Brasil- Adriana Ancelmo chega em sua casa, no Leblon, onde vai cumprir prisão domiciliar, após quase quatro meses presa em Bangu
Foto: Vladimir Platonow / Agência Brasil

Todas as brasileiras presas devem ter o mesmo tratamento da esposa do ex-governador do RJ

O Conselho Deliberativo e a Diretoria Executiva da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná discutiu e aprovou, enviar a proposta de se realizar um mutirão, envolvendo a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, a Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos, a OAB Seccional do Paraná e a Defensoria Pública do Estado do Paraná para buscar uma solução para as detentas que se enquadrem na mesma situação da prisão domiciliar da esposa do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

Grosso modo, após levantamentos que indiquem as detentas nessa situação, estas seriam apadrinhadas por um (a) advogado (a) que se disporia a patrocinar a pretensão legal.

Dessa forma, ecoando o pedido da Ministra dos Direitos Humanos Luislinda Valois ao STF e diante da esquiva da Ministra Carmem Lúcia, que jogou para o “juiz natural” a responsabilidade por cumprir a lei, acreditamos que a sociedade organizada em nosso estado possa assumir essa tarefa e auxiliar as detentas, cujo pai da criança também esteja preso obtenha o direito a prisão domiciliar. Acrescente-se como condição também o fato de não terem sido ainda julgadas, e que os crimes cometidos sejam considerados de baixo poder ofensivo.

Entendendo o caso

Diante da repercussão da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de conceder prisão domiciliar à ex-primeira-dama do Rio de Janeiro Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, a ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, encaminhou na última quinta-feira (30) à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, um pedido para que esse tipo de decisão seja estendido a todas as detentas na mesma situação.

Adriana Ancelmo ganhou o direito à prisão domiciliar após decisão da ministra Maria Thereza de Assis Moura, do STJ, que levou em conta o fato de ela ter dois filhos, de 11 e 14 anos, e de o pai das crianças também estar preso.

Para a ministra Luislinda Valois, é preciso adotar medidas para que todas as mulheres na mesma situação tenham o mesmo direito:

“Como ministra do Estado dos Direitos Humanos e além disso e principalmente, por ser cidadã brasileira, percebo que tenho o dever de recorrer a Vossa Excelência para que juntos adotemos medidas legais urgentes no sentido de que aquela decisão, mesmo ainda passível de recurso, seja aplicado extensivamente a todas as mulheres brasileiras que se encontrem em situação análoga, sem qualquer distinção e no menor espaço de tempo possível”.

Para a Direção Executiva da FUEP, em função da montanha de processos que se acumulam no judiciário e da falta do conhecimento dos dispositivos legais, talvez, milhares de mulheres presas em todo o país, mães de filhos menores, cujos pais também estejam presos ou ausentes de casa, embora possam ter direito ao mesmo tratamento, não o conseguem.

E a previsão legal é clara, disposta no artigo 318 do Código de Processo Penal, reproduzido abaixo.

Artigo 318 – Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

I – Maior de 80 (oitenta) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

II – Extremamente debilitado por motivo de doença grave; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

III – Imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

IV – Gestante; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)

V – Mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

VI – Homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Mulheres nas prisões

Do total de mulheres presas no Brasil, 68% são jovens, com idade entre 18 e 34 anos, 61% são negras e pardas, 62% são analfabetas ou tem o ensino fundamental incompleto e 57% são mães solteiras. A maioria é presa por tráfico de entorpecentes, 30% estão detidas sem condenação e 63% são condenadas a penas de até oito anos.

Os dados foram apresentados pela secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Sílvia Rita Souza, em audiência pública sobre a violência de gênero nos presídios femininos realizada na última terça-feira (11/04) pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

O crescimento da população carcerária feminina é maior que o de presos do gênero masculino. De 2007 a 2014, o número de mulheres no sistema prisional subiu mais de 560%, enquanto que o registro de homens encarceradas cresceu pouco mais de 200%. Cerca de 95% das mulheres encarceradas no Brasil já sofreram ou sofrem algum tipo de violência dentro das prisões.

Participação dos (as) advogados (as) Médiuns no Terreiros de Umbanda

Destaque-se que o problema é que as mulheres em questão, quase sempre, são pobres, e para que não fiquem somente dependendo da Defensoria Pública, assoberbada de processos, buscaremos o auxílio dos Médiuns dos Terreiros de Umbanda do nosso estado, que sejam advogados (as) para participação no mutirão.

Dessa forma, incluímos os Médiuns Umbandistas na conquista desse benefício, que antes de tudo é um direito da criança, previsto no Estatuto da Primeira Infância aprovado no ano passado.

À sociedade organizada de nosso estado cabe fazer a sua parte, no sentido de equiparar legalmente “todos os brasileiros e brasileiras”, iniciando, timidamente por essa ação que de uma só tacada tem o condão de minimizar três injustiças cometidas pela nossa sociedade, com as crianças pequenas que são privadas das suas mães, com as mulheres que cometeram crimes ou delitos e que tem o direito ao benefício, e também com a superlotação nos presídios, uma vez que a prisão domiciliar pode desafogar o sistema prisional como um todo.

abr 14 2017

Feliz Páscoa

A história da Páscoa e seus simbolismos

Antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera, no hemisfério norte, representando a “passagem” de um tempo de trevas para um novo de luz. Assim, a origem desta comemoração remonta há milhares de anos atrás, comemorada entres os povos europeus, e foi transformando-se numa das datas comemorativas mais importantes das culturas ocidentais.

O termo “Páscoa” tem origem religiosa e vem do latim Pascae, embora na Grécia Antiga, também é encontrado como Pashka, porém a sua origem mais remota seja entre os hebreus, onde aparece o termo Pesachad, com significado de “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera, que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março.

Na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim dos invernos rigorosos, que castigavam a Europa e o começo da primavera era de extrema importância, representando maiores oportunidades de sobrevivência, diretamente ligada a maior possibilidade da produção de alimentos.

A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacrifício executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Tradicionalmente, nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a fuga do Egito, liderados por Moises, após anos de aprisionamento, por volta de 1250 A.C., quando não havia tempo para a fermentação do pão.

Entre os cristãos, a data celebra a ressurreição de Jesus Cristo, quando, três dias após a sua crucificação, o espírito voltou a unir-se ao corpo. Antigamente o festejo era realizado no domingo seguinte a lua cheia posterior ao equinócio da Primavera. A semana anterior à Páscoa é considerada Semana Santa, iniciando no “Domingo de Ramos”, que marca a entrada de Jesus em Jerusalém. O importante é que faz referência à última ceia de Jesus com os apóstolos, seguida da sua prisão, julgamento, condenação, crucificação e ressurreição.

A Páscoa para algumas tradições Umbandistas

Primeiramente é importante lembrar os ensinamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas, que ao lançar a religião que chamou de Umbanda, disse que seria uma religião que seguiria o evangelho de Jesus Cristo e tal como Maria, a todos acolheria, sem qualquer distinção.

O Orixá Maior da Umbanda é Oxalá, sincretizado com o Cristo, embora com um significado diferente da Igreja Católica, para quem o o símbolo maior é o Cristo crucificado, o “cordeiro de Deus” que livra a todos dos pecados.

Já para nós Umbandistas, o símbolo maior é a ressurreição, a volta do mundo dos mortos, a continuidade da vida após a morte física. O que refirma a nossa crença no mundo espiritual.

Em muitos Terreiros de Umbanda dá-se o início das comemorações da Semana Santa na quarta-feira com o fim da quaresma, muito antes do cristianismo o povo africano já respeitava a quaresma, porém com um significado diferente dos fatos relacionados a vida de Jesus Cristo.

Enquanto os cristãos celebram a morte e a ressurreição de Cristo, os africanos celebram o Lorogun, período em que os Orixás entram em guerra contra o mal, para trazer o pão de cada dia para seus filhos.

A guerra dos Orixás na quaresma

Na quarta-feira de cinzas os Orixás da casa devem ser vestidos e cada filho de santo oferece a eles suas comidas preferidas, os atabaques são recolhidos, depois de serem lavados com ervas, somente sendo acordados no “Sábado de Aleluia”, sendo esta a forma de fortalecer os atabaques do terreiro. Os Orixás estão em guerra!

Lorogun – rituais da Umbanda na Semana Santa

Na noite de quinta para a Sexta-feira da Paixão, os seguidores da Umbanda devem se proteger, usando seus contra-eguns, pois nesse dia Iansã está em guerra e não pode conter os eguns que nos rodeiam.

Na Sexta-feira da Paixão, são oferecidos pratos a Oxalá, em busca de paz e prosperidade, tanto para o Terreiro, quanto para os seus filhos e fiéis. No Sábado de Aleluia, Ogum, guerreiro maior do panteão africano, faz a distribuição de pães, representando a vitória na guerra pela paz. É o fim da guerra dos Orixás.

A criação do mundo na Umbanda

Na Umbanda, a Semana Santa representa a criação do mundo, por este motivo, neste período seus seguidores devem vestir-se de branco, principalmente na Sexta-feira da Paixão, neste o dia, os Orixás descem do Orún (o mundo dos espíritos) para conhecerem a grande criação de Olorum. Durante a Semana Santa os fiéis Umbandistas devem alimentar-se com comidas brancas, como canjica, arroz, arroz doce, acaçás e pães. Devem evitar a ingestão de qualquer tipo de carne, assim como não devem ingerir bebidas alcoólicas, especialmente na Sexta-feira da Paixão.

Mensagem Final

Portanto, a Páscoa representa mais uma data marcante do calendário, para que se possa reafirmar conceitos e corrigir rotas, mas também é um rito de povos antigos, que pressupõe uma “passagem” de um tempo ruim para um melhor, simbolizado na perspectiva de preservação da vida.

Com o passar do tempo a veneração à natureza planetária foi sendo substituída por figuras mitológicas e/ou religiosas, embora mantendo a sua significação.

Para todos que tem uma Fé cristã, é reconhecida a existência de Jesus Cristo, o homem que veio ao mundo disposto a ser o maior exemplo de amor e humildade que a humanidade conheceria, trazendo uma proposta de vida que não foi entendida por muitos, sintetizada na frase “Ama o próximo como a ti mesmo! Até os dias de hoje, essa afirmativa continua letra morta, sendo repetida mas não vivenciada.

Assim, diariamente condenamos este homem e o crucificamos, da mesma forma que os antigos romanos, ao ignorar os seus propósitos de viver num mundo melhor, mais justo, fraterno e igualitário.

Que tal aproveitar a Páscoa para lembrar do triunfo do espiritual sobre o material, a ressurreição do espírito e a vida eterna!

Cristo morreu, mas ressuscitou e fez isso somente para nos ensinar a eliminar os nossos piores defeitos e ressuscitar as maiores virtudes do íntimo de nossos corações. Que a sua Páscoa seja também, uma ressurreição.

Ressurreição da paz, do amor, da fraternidade, da alegria de viver…

Ressurreição da amizade, da igualdade, da justiça e do desejo de ser feliz…

Ressurreição dos sonhos, das memórias, das lembranças e, principalmente, da verdade que está acima do apelo comercial dos ovos de chocolate e dos coelhinhos.

Que sua Semana Santa seja cheia de paz, amor, caridade e felicidade e que Oxalá, o Orixá maior da Umbanda, sincretizado com Jesus Cristo, derrame as suas bênçãos sobre você, sua família e amigos e que seja assim para sempre na sua vida!

Feliz Páscoa!